10 álbuns: As escolhas dos First Breath After Coma

Francisco Pereira

Depois de lançarem um dos melhores álbuns nacionais de 2025, os First Breath After Coma ajudam-nos a compreender as suas influências numa lista de 10 álbuns.

Os First Breath After Coma ocupam há muito um lugar singular na música portuguesa contemporânea. Nascidos em Leiria, construíram um percurso marcado pela ambição estética, pelo cuidado na escrita e por uma recusa constante em se repetir. Entre o post-rock, a canção, a electrónica e uma dimensão cinematográfica cada vez mais assumida, foram criando discos que pedem escuta atenta e tempo.

Ao longo dos anos, os First Breath After Coma afirmaram-se como uma banda de discos inteiros, mais do que de canções isoladas. Cada trabalho é pensado como um corpo coeso, onde arranjos, texturas e silêncios têm tanto peso como as melodias. Essa maturidade artística levou-os, no ano que acabou de acabar (2025), a um dos momentos mais marcantes do seu percurso: a colaboração com Salvador Sobral num álbum que rapidamente se impôs como um dos mais elogiados e relevantes do ano no panorama nacional. A Residência foi pensada para alguns espectáculos ao vivo mas depressa se percebeu que tinha de gerar um álbum. 

Esse encontro revelou o melhor de ambos os mundos: a sensibilidade interpretativa e emocional de Salvador Sobral aliada à identidade sonora profunda e expansiva dos First Breath After Coma. O resultado é um disco onde a canção respira, cresce e se transforma, confirmando a banda como um dos projetos mais consistentes, ousados e artísticamente seguros da música portuguesa actual. Um percurso feito de risco, elegância e verdade — qualidades que também ajudam a compreender os 10 discos que mais os marcaram e que os First Breath After Coma partilham no Mente Cultural.

1. The Allstar Project

Into the Ivory Tower (2011)

Nossos conterrâneos e amigos do peito, dão dos concertos com mais aço a que já assistimos. Supostamente
estão num hiatus, mas queremos acreditar que a qualquer momento voltam à carga.

2. Sigur Rós

Takk... (2005)

Faltam-nos palavras para descrever o quanto gostamos dos Sigur Rós. Já passámos muitas horas em estúdio a babar em discos deles.

3. Radiohead

In Rainbows (2007)

Um dos melhores álbuns de sempre. Incontestável, não?

4. Sufjan Stevens

Carrie & Lowell (2015)

Em tour pela Europa, nas viagens infindáveis entre concertos e depois de noites difíceis, este álbum a rolar nos headhones já foi o embalo de muitos de nós.

5. Bon Iver

22, A Million (2016)

Outro álbum que andou a rolar muito por cá, sempre admirados pela capacidade que ele tem de se reinventar, mantendo a sua essência.

6. Nils Frahm

All Melody (2018)

Um génio das melodias, acompanha-nos desde o início. Às vezes podemos esquecê-lo por uns tempos, mas nunca sai de vista. 

7. M83

Hurry Up, We’re Dreaming (2011)

Marcou-nos por um período de tempo mais curto que alguns dos outros discos nesta lista, mas há algo neste disco que chega a ser transcendente. 

8. Patrick Watson

Wooden Arms (2009)

Toda a discografia dele é lindíssima, é só escolher um. Uma sensibilidade e delicadeza a escrever canções que poucos têm.

9. Adult Jazz

Gist Is (2014)

A forma como abordam a escrita dos discos é fresca e inspiradora, ensinou-nos muito.

10. Efterklang

Piramida (2012)

Descobrimos os Efterklang num concerto em Lisboa há muito anos e foi amor à primeira vista. Somos muito fãs deles e entretanto já tivemos o prazer de tocar com o Casper (vocalista), que se mudou para Portugal.

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