19 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #04/2026 - Apresentamos 19 sugestões de novos discos que escolhemos como os melhores da semana.

MARO, So Much Has Changed (Secca Records)

MARO lançou So Much Has Changed no dia 27 de janeiro, um disco com dez faixas em inglês que sucede a hortelã (2023) e reflete um período de profunda transformação pessoal e artística numa altura em que chega aos 30 anos e repensa a sua relação com a vida, o amor, a perda e a identidade criativa. MARO combina uma escrita emotiva com pop atmosférico e arranjos cuidadosos para explorar esses temas com honestidade.


Tyler Ballgame, For the First Time, Again (Rough Trade)

Tyler Ballgame lança o seu álbum de estreia, For the First Time, Again, um registo de 12 faixas que chega depois de vários singles e performances que o apresentaram a um público mais amplo e marcam a sua transição das pequenas salas para um projecto completo com produção dos veteranos Jonathan Rado e Ryan Pollie. Gravado num estilo que celebra o rock clássico, indie e Americana, o álbum reflete as experiências pessoais que Ballgame viveu ao longo do início da sua carreira.


Expresso Transatlântico, Trópico Paranóia

Trópico Paranóia é o segundo longa-duração dos Expresso Transatlântico, sucede a Ressaca Bailada (2023) e dá continuidade à fusão de tradições sonoras portuguesas com ritmos e camadas contemporâneas que caracterizam o projecto desde 2021. Produzido por Paulo Furtado (The Legendary Tigerman), o disco de 12 faixas incorpora elementos de protesto e reflexão social ao mesmo tempo que explora ambientes influenciados pelos locais onde foi composto, como a Serra da Estrela, a Foz do Arelho e Brotas.


Lande Hekt, Lucky Now (Tapete Records)

Lande Hekt, cantora e compositora indie rock de Exeter, Inglaterra, lança Lucky Now, aquele que é o seu terceiro álbum de estúdio depois de Going To Hell (2021) e House Without a View (2022), registos que a estabeleceram como uma voz singular no underground britânico. Neste novo disco, produzido por Matthew Simms (conhecido pelo trabalho com Wire e It Hugs Back), Hekt aprofunda influências de jangle-pop e twee-pop dos anos 80 e combina melodias alegres com letras que exploram temas de gratitude, identidade, ligação e retorno ao lar.


Kula Shaker, Wormslayer (Strange F.O.L.K. LLP 2)

Os Kula Shaker editam o seu oitavo álbum de estúdio, intitulado Wormslayer, o sucessor de Natural Magick (2024) e que dá continuidade a uma carreira marcada pela fusão de rock psicadélico, referências orientais e herança britânica. O disco mostra uma clara intenção de reafirmar a identidade singular do grupo no presente.


Stereossauro feat. Ana Magalhães, Tristana II

Tristana II é o novo álbum de Stereossauro feat. Ana Magalhães que marca a continuação do projecto que começou com Tristana (2023), onde o produtor e DJ português funde as suas batidas electrónicas com a voz profunda da fadista Ana Magalhães num diálogo entre tradição e modernidade. Neste novo registo, Stereossauro compõe e produz todas as faixas numa abordagem mais dançável e vibrante, transportando a personagem Tristana para ambientes de pista onde a narrativa da personagem evolui da introspeção para o imediatismo da noite.


Joyce Manor, I Used To Go To This Bar (Epitaph)

Os Joyce Manor lançam I Used to Go to This Bar, o seu sétimo álbum de estúdio, que sucede a 40 oz. to Fresno (2022). Produzido por Brett Gurewitz (co-fundador dos Bad Religion e figura central da Epitaph), o disco continua os atributos concisos e melodicamente incisivos da banda. O punk energético, o rockabilly e o power-pop fundem-se, enquanto o vocalista Barry Johnson reflecte sobre temas como nostalgia, perda e experiências pessoais.


Cara de Espelho, B (Locomotiva Azul)

Os Cara de Espelho, super-colectivo português formado por Carlos Guerreiro, Luís J Martins, Maria Antónia Mendes, Nuno Prata, Pedro da Silva Martins e Sérgio Nascimento, regressam com B, o segundo álbum que chega após a estreia com o disco homónimo em 2024. Aqui, os Cara de Espelho aprofundam o cruzamento entre crítica social, observação satírica e a experiência sonora que já vincava o seu percurso. B oferece um retrato mordaz e agudo do presente sem slogans nem moralismos, e reforça a centralidade da palavra como motor criativo da banda.


Duques do Precariado, Encarnação (Lux Records)

Os Duques do Precariado, regressam com Encarnação, o seu segundo álbum de estúdio, que sucede ao disco de estreia Antropocenas (reeditado em 2023). Antecipado pelo single “Falho” e com uma abordagem despojada, o novo registo nasceu da intenção de reflectir a presença física e o compromisso mútuo entre os músicos, com uma sonoridade visceral e honesta que celebra a “carne” em oposição à máquina e o espírito colectivo do grupo. Um dos álbuns a ter muito em conta.


Annabelle Chairlegs, Waking Up (TODO Records)

Os Annabelle Chairlegs são de Austin no Texas e são liderados pela cantora-compositora Lindsey Mackin. Editam hoje o seu terceiro registo, Waking Up, o primeiro via TODO Records após dois discos auto-editados. Produzido por Ty Segall no seu estúdio em Topanga, Califórnia, o disco combina movimentos crus e mecânicos com melodias características da banda e representa um novo capítulo, para voos maiores.


Ye Vagabonds, All Tied Together (River Lea / Rough Trade)

Os Ye Vagabonds, duo de folk irlandês de Dublin composto pelos irmãos Brían e Diarmuid Mac Gloinn, editam All Tied Together, o seu quarto álbum de estúdio. Gravado ao vivo numa casa em Galway com o produtor Philip Weinrobe (conhecido pelo trabalho com Big Thief e Adrianne Lenker), o disco reúne canções profundamente evocativas e cinematográficas que exploram memória, tributo e gratidão.


Sébastien Tellier, Kiss The Beast (Because Music)

Sébastien Tellier, figura central da pop electrónica francesa, lançou Kiss The Beast, o seu sétimo disco, que sucede a Domesticated (2020) e é apontado pela crítica como um regresso ao formato clássico de disco pop após seis anos sem álbum de originais. Neste registo Tellier explora uma paleta que vai de baladas introspectivas em francês e inglês a faixas electro-pop com groove, incorporando colaborações com nomes como Slayyyter e Nile Rodgers em “Thrill of the Night” e Kid Cudi em “Amnesia”.


João Mesquita, Olheiras (edição própria)

João Mesquita, músico, compositor, multi-instrumentista e produtor português, apresenta Olheiras, um disco que cruza synths dos anos 80 com instrumentos acústicos num registo de melancolia contida e cinematográfica. Reflete um percurso profundamente ligado ao jazz e à composição, já que Mesquita é formado no Hot Clube de Portugal e licenciado em guitarra jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa. O músico produz o álbum em nome próprio, com coprodução de João Borsch, e envolvendo mais de 20 músicos num trabalho de grande densidade tímbrica.


Buzzcocks, Attitude Adjustment (Cherry Red Records)

Os lendários Buzzcocks regressam com Attitude Adjustment, o 12.º álbum de estúdio, continuando a trajetória de uma das forças mais influentes do punk e do pop-punk britânico. Este novo trabalho de 14 faixas, com capa assinada por Malcolm Garrett, é descrito pela própria banda como “punk rock com uma vibração Motown”, e procura expandir o universo sonoro da banda sem cair em formatos repetidos, mesmo depois da perda do vocalista e guitarrista Pete Shelley em 2018, com Steve Diggle a manter o legado da banda enquanto vocalista, compositor e guitarrista principal.


Yumi Zouma, No Love Lost To Kindness (Nettwerk)

Os neo-zelandeses Yumi Zouma lançam No Love Lost to Kindness, o seu quinto registo. Foi gravado na Cidade do México com produção dos próprios membros Burgess e Ryder, e contem 12 faixas que nos mostram uma evolução do seu som afastando-se em parte do dream-pop etéreo dos primeiros trabalhos em direcção a uma paleta mais crua e intensa que incorpora guitarras mais pesadas e texturas rock/alt-pop.


Cast, Yeah Yeah Yeah (Scruff of the Neck)

Os veteranos Cast, liderados por John Power desde 1992, lançam Yeah Yeah Yeah, o seu oitavo álbum de estúdio, dois anos apenas após Love Is the Call (2024). Chega numa altura em que a banda celebra três décadas de carreira e em que acompanha a digressão dos Oasis. Neste novo trabalho os Cast ampliam o espectro da sua sonoridade jangle pop com arranjos de cordas e influências gospel e soul e afirmam um som que combina melodia antemica e intensidade rock.


The Molotovs, Wasted On Youth (Marshall Records)

Os The Molotovs são um duo de rock/punk de Londres (Reino Unido) e são formados pelos irmãos Mathew e Issey Cartlidge. Lançam o seu álbum de estreia Wasted On Youth depois de vários singles e centenas de espectáculos ao vivo onde se estabeleceram na cena punk britânica actual. O disco de 11 faixas combina energia punk, new wave e garage rock com letras que falam de autodeterminação, frustração juvenil e vontade de acção.


The Soft Pink Truth, Can Such Delightful Times Go On Forever? (Thrill Jockey)

Os The Soft Pink Truth editam Can Such Delightful Times Go On Forever?. Neste registo, a banda liderada por Drew Daniel, funde música de câmara e electrónica num híbrido sofisticado, reunindo colaboradores de vários países e instrumentos acústicos (cordas, harpa, piano, quartetos). Perguntando “Can Such Delightful Times Go On Forever?”, o álbum procura oferecer um refúgio de intimidade e beleza como resposta à dureza do presente, funcionando simultaneamente como reflexão conceptual e experiência sonora rica e emocional.


Manel Steel, Canto Para Espantar

Manel Steel lança Canto Para Espantar, o seu álbum de estreia, resultado de vários anos de escrita, introspeção e experiências vividas com intensidade. Todas as letras, melodias e canções são da sua autoria, refletindo temas universais como relações que mudam, laços que se mantêm, perda, família, passagem do tempo e a experiência de crescer, falhar e aprender a levantar-se. O disco com produção e arranjos colaborativos de Sebastião Macedo (Príncipe), contou com a participação de diversos músicos e técnicos, e combina intimidade pessoal com um trabalho coletivo profundo, onde a complexidade dos arranjos serve sempre a emoção das histórias que cada canção quer contar.

* fotografia dos Joyce Manor de Dan Monick