James Blake, Trying Times (Good Boy Records)
Em Trying Times, o sétimo álbum de James Blake, o músico funde as suas múltiplas identidades num registo que equilibra melancolia e humor seco. Embora explore temas como o isolamento em “Death of Love”, o disco evita o sentimentalismo ao oferecer pequenos confortos e uma confiança renovada. É uma obra de contrastes que transforma a vulnerabilidade num apelo à conexão humana em tempos sombrios.
Kim Gordon, PLAY ME (Matador)
Kim Gordon apresenta PLAY ME, o seu trabalho mais direto e populista, trocando o experimentalismo abstrato por uma sonoridade assente em ritmos krautrock e batidas hip-hop. O álbum é produzido por Justin Raisen e reflete sobre a política atual e a curadoria algorítmica, quase como se de um manifesto reativo ao presente se tratasse.
The Black Crowes, A Pound Of Feathers (Silver Arrow)
Os The Black Crowes estão de volta com sonoridades inspiradas em Keith Richards e Led Zeppelin no seu décimo álbum, A Pound Of Feathers. O álbum equilibra o hedonismo das digressões com momentos de vulnerabilidade e desilusão e personifica o estilo de vida que sempre adoraram. É um exercício de uma certa nostalgia dos sons que nos trazem clareza e vibração.
The Sophs, GOLDSTAR (Rough Trade)
Os The Sophs estreiam-se com GOLDSTAR, um álbum que nasceu do improvável sucesso de uma demo enviada para a Rough Trade. O sexteto de Los Angeles apresenta um melting pot sonoro onde o folk lúdico se funde com a grandiosidade progressiva, revelando uma versatilidade espontânea e uma audácia refrescante.
PAUS, Enterro (Omnichord Records)
Os PAUS despedem-se com Enterro, o último álbum anunciado e que transforma o fim da banda num ritual de celebração sonora. Mantendo o vigor das baterias siamesas, o disco assinala uma densidade eletrónica e psicadélica que reflete a maturidade do quarteto após quinze anos de estrada. É uma despedida corajosa e autêntica.
Eric Cantona, Perfect Imperfection (Barclay, Fontana)
Depois de algumas colaborações ao longo dos últimos anos, chegou a vez de Eric Cantona, um dos melhores futebolistas franceses de todos os tempos, lançar o seu primeiro álbum de estúdio a solo. Com uma voz grave e teatral, Cantona declama reflexões existenciais sobre arranjos que cruzam o rock alternativo com o dramatismo da chanson francesa. É uma obra crua e honesta que, entre o inglês e o francês, celebra a vulnerabilidade e as falhas humanas, revelando um artista em busca da autenticidade pura.
Tinariwen, Hoggar (Wedge Label)
Os Tinariwen regressam às origens com o seu décimo álbum, Hoggar, que privilegia o calor e a intimidade do deserto. Gravado no sul da Argélia, o disco prescinde de produções luxuosas para focar no “blues” saariano mais puro, marcado por guitarras hipnóticas e uma forte vertente política. O coletivo reafirma a sua integridade e celebra a resistência da cultura Tuareg com uma vitalidade renovada.
Ora Cogan, Hard Hearted Woman (Sacred Bones)
Ora Cogan edita Hard Hearted Woman, um álbum que destila anos de dedicação ao registo onde o folk tradicional se mistura com psicadelismo e experimentação. O álbum viaja entre o dramatismo e momentos de indie-folk mais pacíficos. Cogan consolida um território artístico singular e indomável e revela a sua versão criativa mais potente até à data.
Crack Cloud, Peace And Purpose (Meat Machine)
Em Peace And Purpose, os Crack Cloud condensam uma década de visão cinematográfica num objeto sonoro metálico e estranho. O álbum afasta-se da beleza convencional para abraçar o “dungeon dub” e o protesto vanguardista que evoca a dissonância industrial e a urgência da sobrevivência humana. É um registo punk vital e aterrador.
The Orielles, Only You Left (Heavenly)
Os The Orielles estão de regresso ao formato de trio para o seu novo disco, Only You Left, que equilibra o pós-rock abrasivo com a doçura do art pop. Gravado entre a Grécia e Hamburgo, o álbum distancia-se da improvisação do passado através de uma escrita meticulosa e do uso de pedais de efeitos que distorcem o groove.
Anjimile, You’re Free to Go (4AD)
Anjimile regressa às raízes folk com o novo You’re Free to Go, um sucessor intimista para o seu aclamado registo de art rock, The King. Gravado na Carolina do Norte com colaborações de Sam Beam (Iron & Wine) e Brad Cook, o álbum escala a sonoridade sem abdicar da potência lírica habitual. É uma obra de profunda autenticidade, onde o músico partilha experiências de vida num tom próximo.
Alexis Taylor, Paris In The Spring (Night Time Stories)
Em Paris In The Spring, Alexis Taylor afasta-se do habitual registo minimalista a solo para abraçar colaborações mais cheias. O sexto álbum do vocalista dos Hot Chip navega na sofisticação da chanson com o toque eletrónico de nomes como Nicolas Godin e The Avalanches. Taylor explora a perda e a empatia, criando uma obra surpreendente que consegue mover tanto o corpo como o coração.
Art School Girlfriend, Lean In (Rough Trade)
No seu terceiro álbum, Lean In, Art School Girlfriend abandona a estética de quarto por uma produção de estúdio épica. O disco é uma obra de pop eletrónico versátil, onde o equilíbrio do minimalismo funk vigora. Ao explorar temas como o luto e a alegria, Polly Mackey cria uma tapeçaria emocional coesa e profunda que convida à imersão total.
Morgan Nagler, I’ve Got Nothing to Lose, and I’m Losing It (Little Operations Records)
Morgan Nagler estreia-se em nome próprio com I’ve Got Nothing to Lose, and I’m Losing It, um disco deliciosamente desorganizado que transforma o fim de um noivado num triunfo criativo. Produzido por King Tuff, o álbum mistura indie rock soalheiro com letras confessionais. O trabalho conta com colaborações de luxo como Courtney Barnett e Phoebe Bridgers.
Cut Worms, Transmitter (Jagjaguwar)
No seu quinto álbum, Transmitter, Max Clarke (Cut Worms) eleva a sua sonoridade nostálgica a novos patamares de maturidade. Gravado nos Loft Studios com produção de Jeff Tweedy, o disco flui no folk-pop dos anos 60 com uma estética alt-country refinada. Clarke explora a fragilidade da existência e a esperança num mundo incerto, criando um equilíbrio perfeito entre letras melancólicas e guitarras brilhantes.
Swell Maps, C21 (Tiny Global Productions)
Meio século após a sua génese, os Swell Maps regressam com C21, um álbum que honra o legado lo-fi e a atitude DIY do grupo de Solihull. Liderado pelo membro original Jowe Head, o disco recupera canções inéditas e temas clássicos, recupeando o ruído experimental característico da banda. É uma sucessão vibrante de guitarradas e surrealismo que prova a imortalidade do espírito punk da formação.
Brigitte Calls Me Baby, Irreversible (ATO Records)
Brigitte Calls Me Baby são de Chicago e estreiam-se com Irreversible, um álbum que evoca a era new wave com uma reverência assumida a nomes como Echo & The Bunnymen. Embora as influências dos anos 80 sejam evidentes, o registo soa revigorante. Com uma produção polida e a voz sedutora de Wes Leavins, a banda entrega um tesouro sonoro que equilibra nostalgia e frescura com mestria.
Cat Clyde, Mud Blood Bone (Concord Records)
Cat Clyde apresenta Mud Blood Bone, um trabalho que funde a energia visceral do rockabilly com a introspeção detalhada da música Americana, o que resulta no seu registo mais pessoal e eletrizante. Composto durante uma fase nómada de autodescoberta, o quarto álbum da cantora canadiana equilibra momentos de vulnerabilidade crua com explosões de urgência rítmica.
Garrett T. Capps, I Still Love San Antone (Nudie Records)
Garrett T. Capps reafirma o seu estatuto como o “weirdo” do cosmic country em I Still Love San Antone, uma vibrante carta de amor à cena musical de San Antonio. Capps cruza a atitude de Austin dos anos 70 com a cultura texana autêntica, com o álbum a fundir sons honky tonk, ritmos texanos e órgãos psicadélicos. O músico celebra o orgulho regional e entrega um registo cru e festivo que resgata a alma do género.











