LUCRECIA DALT
Custa a acreditar que a carreira de Lucrecia Dalt tem mais de vinte anos e que só há, sensivelmente sete/oito anos, parte do mundo lhe começou a dar a devida atenção. A atenção só tem crescido desde então. Estas coisas são um processo e, se calhar, sem um caminho tão dedicado à electrónica experimental seria difícil a colombiana encontrar a clareza de espírito para formular uma pop singular como o faz em “A Danger To Ourselves” e que já simulava em “¡Ay!”.
O que torna isto tão especial é que sente-se espectros de tudo o que está a acontecer pelo mundo na Lucrecia Dalt de 2025. Há Rosalía antes de Rosalía – não é crime dizê-lo – enquanto afirma uma sensibilidade que atenua a electrónica angular e faz a sua voz deslizar num manto sombrio. Dalt foi sempre tentada por um lado místico do som, como se procurasse algo inalcançável. Por isso mesmo, em diferentes momentos da carreira, o que fez parecia distante do presente, como se vivesse numa realidade paralela, noutra dimensão.