7 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Escolhemos 7 álbuns para destacar esta semana e que merecem uma escuta muito atenta.

Tickles, Sugar & Plastic Plates (Stolen Body Records)

Começamos por um álbum editado na semana passada. Os Tickles são uma banda de Nantes (França) que tem dado cartas na cena punk. Já comparados aos Idles, os franceses estreiam-se com este Sugar & Plastic Plates, um disco onde o psicadelismo, art-pop e desarranjo voluntário convivem alegremente. Esta banda constrói um universo próprio, meio cartoon, meio catarse, onde a fantasia serve de combustível para um hedonismo desgovernado. Enorme estreia.


Ricardo Reis Soares, contra tempo EP

Também da semana passada (e foram só estes dois discos que trazemos para o destaque), o EP contra tempo, de Ricardo Reis Soares, marca o momento em que ele deixa de caminhar ao ritmo do mundo para começar a marcá-lo ele próprio. Depois de anos a mover-se entre a composição, a produção e colaborações dispersas, o músico português apresenta um conjunto de canções que funcionam como uma pequena autobiografia emocional, onde o tempo (o que falta, o que sobra e o que escapa) se transforma em matéria sonora.

Ronnie D’Addario, Written By (Omnivore Recordings)

Written By apresenta o subestimado cancioneiro de Ronnie D’Addario através de uma seleção de temas reimaginados pelos filhos, Brian e Michael, os Lemon Twigs, com a colaboração de Mac DeMarco, Todd Rundgren, Sean Lennon e Matt Jardine. Do pop orquestral de “Be Like Him” ao power-pop de “5th of July” e “Not Today”, o álbum mostra a versatilidade e o talento de D’Addario, ao mesmo tempo que evidencia a influência do seu estilo nas composições dos Lemon Twigs. Um tributo afectuoso e uma introdução perfeita ao seu trabalho.

Melody’s Echo Chamber, Unclouded (Domino)

Unclouded soa como um reencontro luminoso entre Melody Prochet e a sua própria mitologia, um regresso sereno depois de anos marcados por silêncio. O disco abandona o psicadelismo mais turbulento do passado para abraçar uma clareza quase onírica com melodias que parecem nascer da água, arranjos que respiram e uma voz que já não foge da vulnerabilidade.

V.A., Passages: Artists in Solidarity With Immigrants, Refugees, and Asylum Seekers

Passages reúne uma constelação de artistas que respondem, com música, a um dos maiores dramas humanitários do nosso tempo. Não é uma compilação pensada para soar homogénea, mas um mosaico de vozes, geografias e sensibilidades que convergem num gesto comum: dar visibilidade, dignidade e apoio às vidas marcadas pela migração forçada. Cada faixa funciona como um pequeno testemunho onde a electrónica, a folk, o experimentalismo e a canção se cruzam para evocar travessias, fronteiras e pertenças em trânsito.

Tom Smith – There Is Nothing In The Dark That Isn’t There In The Light (PIAS Records)

Tom Smith, a voz dos Editors, regressa com um disco que parece escrito a partir de um limiar entre o medo e a revelação, mas sempre com a serenidade de quem sabe que a escuridão não é mais do que outra forma de ver. There Is Nothing In The Dark That Isn’t There In The Light expande essa ideia com canções que avançam devagar, quase a respirar, carregadas de piano íntimo, arranjos mínimos e uma voz que nunca força o drama, antes o ilumina por dentro.

Nick Cave & The Bad Seeds, Live God (PIAS Records)

Live God captura Nick Cave & The Bad Seeds naquele estado febril e quase místico onde o palco se torna um púlpito e a música uma espécie de liturgia turbulenta. É um documento cru, fervoroso, que cristaliza a intensidade ritual das atuações recentes da banda — Cave a derramar-se em exorcismos poéticos, a banda a responder com uma precisão que parece violência contida, ora minimalista e fantasmática, ora explosiva como se rasgasse o chão.