Mães Solteiras, Vamos Ser Breves (edição independente)
O ano começou com o disco de estreia dos Mães Solteiras, uma super-banda nacional composta por Quim Albergaria (voz), André Henriques (guitarra), Ricardo Martins (bateria) e Pedro Cobrado (baixo), músicos oriundos de projetos como Bateu Matou, Paus, Linda Martini ou If Lucy Fell. O colectivo decidiu reunir-se para criar um registo directo e musculado, gravado em apenas um dia e meio e concebido como uma expressão crua do agora — temas sociais e pessoais com canções breves e intensas que evocam a energia de referências do punk e do hardcore.
Dry Cleaning, Secret Love (4AD)
Os Dry Cleaning regressam com Secret Love, o seu terceiro álbum de estúdio. Depois de New Long Leg (2021) e Stumpwork (2023), o grupo conduzido pela vocalista Florence Shaw volta a expandir o seu som e abordagem — desta vez com a produção de Cate Le Bon, que os acompanhou no estúdio Black Box, na região francesa do Loire, após sessões em Chicago e Dublin. Secret Love combina a entrega vocal falada e crítica social da banda com texturas instrumentais mais amplas e temas como confiança e isolamento.
Nunca Mates o Mandarim, Bola de Bilhar (edição independente)
Os Nunca Mates o Mandarim, trio portuense de indie/pop/rock formado por João Amorim (voz), João Cabral Campello (bateria) e Manuel Dinis (guitarra), estreiam finalmente o seu primeiro longa-duração, Bola de Bilhar. O disco chega acompanhado de vários singles que lhe deram forma, como “Coimbra B”, refletindo temáticas de deslocação emocional entre cidades portuguesas, e revela uma banda que amadureceu a escrita e o som. Bola de Bilhar será apresentado em listening parties no Porto e em Lisboa antes da edição oficial, enfatizando a ligação do grupo às suas origens culturais e à cena independente portuguesa.
The Cribs, Selling A Vibe (Play It Again Sam)
Os The Cribs regressam com Selling a Vibe, o seu nono álbum de estúdio e cinco anos depois de Night Network (2020). Em Selling a Vibe, produzido por Patrick Wimberly (conhecido pelo trabalho com Caroline Polachek e MGMT), a banda explora temas de família, resiliência e reflexão pessoal, mantendo o seu som contundente mas com novas nuances melódicas, como se evidencia nos singles “Summer Seizures”, “A Point Too Hard to Make” e “Never the Same”. O disco marca um momento de reafirmação da sua identidade artística após um período de pausa e crescimento pessoal.
Pullman, III (Western Vinyl)
Os Pullman regressam com III, o primeiro álbum de originais do colectivo norte-americano em mais de vinte anos. Naturais de Chicago, a banda formou-se no final dos anos 90 como um encontro de músicos ligados à cena post-rock e folk experimental da cidade, com membros associados a projectos como Tortoise ou Rex, e deixou marca com Turnstyles & Junkpiles (1998) e Viewfinder (2001). Este novo disco sucede directamente a esses dois registos e nasce de um longo processo iniciado em 2021, atravessado por um forte sentido de comunidade e reflexão, mantendo a abordagem contida, acústica e contemplativa que sempre definiu a identidade dos Pullman.
Bandidos do Cante, Bairro das Flores
O álbum de estreia do quinteto de Beja marca o arranque do novo ano, depois de em 2025 terem apresentado as primeiras canções do disco — com as quais percorreram o país de Norte a Sul por dezenas de palcos. Se nessas primeiras canções lançadas enquanto colectivo oficialmente formado já era o Cante Alentejano a base da abordagem pop à música tradicional que se propõem a reinventar, Bairro das Flores vem reafirmar essa proposta de contemporaneidade ao som que os formou enquanto grupo de cantautores.
* fotografia dos Dry Cleaning de Guy Bolongaro









