11 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Num ano que continua a prometer muitas novidades, chegam 11 novos discos que valem muito a pena conhecer.

Rapaz Ego, Fazer As Pazes (Cuca Monga)

Rapaz Ego lança Fazer as Pazes, o seu novo álbum de estúdio, um disco assumidamente marcado pela catarse emocional e por uma abordagem simultaneamente mais pop e mais experimental dentro do seu percurso. Descrito pelo próprio como o trabalho “mais íntimo” que já fez, Fazer as Pazes parte da necessidade de reconciliação consigo mesmo como ponto de partida para a relação com os outros.

Calcutá, Soon After Dawn (Ovo Estrelado)

Soon After Dawn é o álbum de estreia de Calcutá, projecto de Teresa Castro, com selo Ovo Estrelado, e resulta de vários anos de escrita e gravação, atravessados por mudanças pessoais significativas, entre as quais a fixação no Porto, cidade que marcou decisivamente o processo criativo. No disco, Calcutá constrói um universo sonoro onde folk de raiz se cruza com ambientes psicadélicos e atmosféricos, sustentados por ritmos hipnóticos, drones circulares e camadas vocais envolventes.

The Damned, Not Like Everybody Else (Earmusic)

Os The Damned, lendários pioneiros do punk rock britânico, editam Not Like Everybody Else, um álbum de covers profundamente pessoal e comemorativo que não é um disco de originais mas sim uma homenagem ao seu guitarrista fundador Brian James, que faleceu em março de 2025. Gravado em apenas cinco dias no Revolver Studio em Los Angeles, o registo reúne versões de clássicos que influenciaram a banda e Brian James — de R. Dean Taylor e The Lovin’ Spoonful a Pink Floyd ou The Animals.

Megadeth, Megadeth (Tradecraft/BLKIIBLK)

Chegou também o 17.º e último álbum de estúdio dos Megadeth, uma despedida anunciada que vem acompanhar uma (suposta) digressão de despedida global após mais de quatro décadas de carreira (dizemos suposta porque Dave Mustaine já veio entretanto lançar a ideia de fazer uma digressão com os Metallica). Este disco sucede a The Sick, The Dying… and The Dead! (2022) e, além de canções já conhecidas como “Tipping Point”, “I Don’t Care”, “Let There Be Shred” e “Puppet Parade”, inclui também uma versão reimaginada de “Ride the Lightning” — um tema clássico que Dave co-escreveu nos primórdios da sua carreira.

Luca Argel, o homem triste

O Homem Triste é o novo álbum de estúdio de Luca Argel, cantautor brasileiro radicado em Portugal. Concebido como um álbum-conceito que mergulha na saúde mental masculina e na política das emoções, o trabalho é produzido pelo também brasileiro Moreno Veloso. Neste disco, Argel transforma reflexões sobre vulnerabilidade, dor e empatia em canções que exploram paisagens afectivas profundas, convidando o ouvinte a repensar o modo como a sociedade encara os sentimentos, especialmente no contexto da masculinidade contemporânea.

Dead Dads Club, Dead Dads Club (Fiction Records)

Os Dead Dads Club, banda alternativa britânica liderada por Chilli Jesson (ex-Palma Violets) lançaram o seu álbum de estreia autointitulado, Dead Dads Club, um disco profundamente pessoal que aborda de forma directa a experiência de lidar com a perda do pai e a forma como essa ausência moldou a sua vida e música. Formado em Londres com músicos unidos pela narrativa honesta e emotiva, o projecto apresenta 11 faixas produzidas por Carlos O’Connell (guitarrista dos Fontaines D.C.).

Hot Face, Automated Response

Os Hot Face, trio de punk psicadélico de Londres, apresentam Automated Response, o seu álbum de estreia, gravado de forma pouco convencional: foi tudo em apenas uma sessão, ao vivo, no mítico Abbey Road Studios e capturado em fita, em frente a uma audiência, com o produtor Dan Carey a manipular o caos sonoro ao lado da banda. Só por aí já dá vontade de ouvir. Muita energia, crua e guitarras rasgadas à boa maneira do punk.

Langkamer, No (Breakfast Records)

Os Langkamer, banda de indie/rock alternativo de Bristol, no Reino Unido, lançaram No, o quarto álbum de estúdio depois de trabalhos anteriores como Langzamer (2024) e outros lançamentos que têm vindo a cimentar a sua presença no cenário indie rock britânico. No foi gravado nas colinas do sul de Espanha com o produtor Remko Schouten, capturando um espectro sonoro que vai de proto-punk pesado a alt-country nervoso.

Malammore, Aurora

Aurora é o álbum de estreia de Malammore, projecto de Sandro Feliciano, cantor, compositor e produtor lisboeta, e assume-se como uma narrativa autobiográfica sobre a experiência de crescer como jovem negro em Portugal, cruzando questões de pertença, identidade, amor, perda e resistência cultural. Construído a partir de textos pessoais acumulados ao longo dos anos, o disco transforma vivências como a adopção e a reflexão sobre o lugar do corpo negro na sociedade num conjunto coerente de canções que fundem hip-hop, rap, trap e spoken word. A seguir com muita atenção.

The Paper Kites, If You Go There, I Hope You Find It (Nettwerk Music Group / Wonderlick)

Os The Paper Kites editam If You Go There, I Hope You Find It, aquele que é já o seu sétimo álbum de estúdio, sucedendo a At the Roadhouse (2023). Neste registo de 10 faixas gravadas no Sing Sing Studios e misturadas pelo multi‑Grammy Jon Low, o colectivo liderado por Sam Bentley e Christina Lacy regressa à sua sonoridade atmosférica e delicada, com melodias folk que exploram temas de conexão, natureza, cura e esperança.

David Forman, Who You Been Talking To (High Noon)

Por fim, Who You Been Talking To é o álbum agora lançado que recupera um disco gravado por David Forman, cantor e compositor nascido no bairro de Brooklyn, Nova Iorque, em 1977 para a Arista Records mas nunca antes editado, e que chega finalmente ao público quase 50 anos depois. Produzido pelo lendário Jack Nitzsche e com músicos notáveis como Ry Cooder, Jim Keltner e Flaco Jimenez nos serões de Los Angeles, o registo alia blue‑eyed soul e doo‑wop num conjunto de canções que agora são apresentadas em vinil e CD com remasterização e um livreto de luxo com textos e fotografias de arquivo. A ouvir com atenção.