Quando começou a produção de Heated Rivalry ninguém esperava o fenómeno que se seguiu. A série, adaptada da história Heated Rivalry — o segundo livro da série Game Changers da autora Rachel Reid — foi criada, escrita e dirigida por Jacob Tierney, conhecido por trabalhos como Letterkenny. Começou como um projecto de baixo orçamento, filmado em cerca de 50 dias para a plataforma canadiana Crave, sem grandes expetativas de público internacional.
Mas o boca-a-boca foi explosivo: depois de ser vendida à HBO Max, a série rapidamente se tornou um dos títulos mais vistos da plataforma, ultrapassando 300 milhões de streaming minutes nos primeiros meses e subindo ao topo das tabelas de audiência — um sucesso que poucos previam fora do circuito canadiano.
A história central segue os jogadores de hóquei profissional Shane Hollander (interpretado por Hudson Williams) e Ilya Rozanov (interpretado por Connor Storrie). Os dois começam como rivais em campo, estrelas em equipas distintas, mas acabam por viver um relacionamento secreto que se prolonga por anos, numa mistura de competição, amor e auto-descoberta.
O enredo explora temas que vão além do cliché desportivo: a dificuldade de viver uma relação íntima num mundo competitivo, o medo de ser aberto sobre a própria identidade e as tensões entre ambição profissional e vida pessoal. Esta combinação tem sido frequentemente apontada pela imprensa como uma das razões para a série ressoar com públicos amplos, muito para além dos fãs de hóquei e de romances LGBT+.
Entre todos os episódios, o episódio 5, “I’ll Believe in Anything”, tem destacado uma resposta extraordinária dos espectadores — alcançou 10/10 no IMDb, algo que, segundo notícias, só tinha acontecido anteriormente com séries como Breaking Bad.
O fenómeno não ficou apenas na audiência: a série impulsionou as vendas do livro original, que viu um aumento de quase 600 % nas unidades vendidas após a estreia da adaptação televisiva. A presença de Heated Rivalry nas listas de discussão online e nas redes sociais tem sido enorme, com fãs a organizarem festas de lançamento, eventos temáticos e espaços de debate sobre os personagens e as suas relações.
Outro ponto que tem chamado atenção da imprensa é o perfil do público: especialmente entre mulheres, a série encontrou um entusiasmo que os media descrevem como inesperado para um drama centrado no desporto masculino. A forma como combina romance, rivalidade e visibilidade queer explicou grande parte dessa adesão transversal.
Os actores principais passaram de desconhecidos para figuras muito visíveis na ribalta mediática. Hudson Williams e Connor Storrie são agora convidados frequentes em programas late night, eventos de moda como a Fashion Week e cerimónias de prémios, incluindo figuras marcantes na temporada dos Globos de Ouro.
E não é só na televisão: a popularidade da série tem gerado festas temáticas em bares e clubes, encontros para maratonas de episódios e até eventos de fãs centrados no universo da série, prolongando a experiência para além do ecrã.









