Edição: Novembro 2012
Em In The Seventies: Adventures in the Counterculture, Barry Miles dá continuidade ao seu trabalho de memória cultural, agora focado numa década marcada pelo excesso, pela fragmentação e pela radicalização de tudo o que os anos 60 haviam prometido. O livro começa com a explosão dos Weathermen em Greenwich Village e termina com o surgimento do punk, atravessando um período em que sexo, drogas e rock’n’roll deixaram de ser apenas gestos de libertação para se tornarem sintomas de um mundo em permanente tensão. Miles move-se entre Londres, Nova Iorque e a Califórnia, acompanhando as diferentes cenas underground que definiram o espírito errático dos anos 70.
Tal como em In The Sixties, Miles escreve a partir da experiência directa, cruzando episódios pessoais com encontros com algumas das figuras mais emblemáticas da década. O tom é de memória vivida, pontuada por anedotas reveladoras e personagens maiores do que a vida, que ajudam a desmontar leituras simplificadas ou nostálgicas dos anos 70. Aqui, a contra-cultura surge menos como ideal colectivo e mais como território instável, onde a utopia convive com a violência, o cinismo e a desilusão.
Autor de livros fundamentais sobre a cultura popular do século XX, Barry Miles construiu uma obra dedicada a documentar os bastidores da música, da literatura e da política alternativa. Para além de In The Seventies e In The Sixties, é autor do bestseller Hippie e de biografias de Paul McCartney, John Lennon, Frank Zappa, Jack Kerouac e Allen Ginsberg, bem como de livros sobre os Beatles e os Clash. Este livro afirma-se, assim, como mais um capítulo essencial de um projecto maior: compreender como a contra-cultura se transformou, se fragmentou e, em muitos casos, se perdeu ao longo da década seguinte.












