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A banda brasileira Maglore edita ‘Fluxo Natural’, o seu sexto álbum de estúdio.

Partindo da ideia de abordar o amor como uma âncora que atravessa o tempo, o disco renova a sonoridade da banda baiana, sem perder as características marcantes das suas canções

A banda brasileira Maglore edita Fluxo Natural, o seu sexto álbum de estúdio. Com uma estética mais moderna do que a dos lançamentos anteriores e influenciado principalmente pela sonoridade dos anos 80, com apontamentos da década de 70, o álbum mantém o compromisso central da banda com a canção. Ao mesmo tempo, alarga as influências do seu universo sonoro característico, que cruza indie, rock brasileiro, folk e MPB. Com temas que começaram a ganhar forma em 2025, nos intervalos das digressões, o disco foi gravado entre abril e maio deste ano no Estúdio Kapa, situado na casa de Teago Oliveira, vocalista e guitarrista do grupo que é formado também por Lelo Brandão (guitarra e teclado), Lucas Gonçalves (baixo e voz) e Felipe Dieder (bateria).

“O título do álbum explica um pouco o caminho filosófico que ele percorre: Fluxo Natural significa que os obstáculos da vida são matéria-prima para algo maior. Não se trata apenas de aceitação, mas também de escolhas”, argumenta Teago Oliveira. “A mensagem mais profunda do disco é a do amor como algo que permanece. Não apenas num sentido romântico e, mesmo perante imagens densas – impérios caindo, corpos modificados, chuva de concreto, pesadelos – o amor surge como âncora, como elo central.”

Entre as referências do álbum encontram-se diálogos com a sonoridade de Caetano Veloso (sobretudo os discos da década de 80), Lô Borges, Gilberto Gil (em particular “Parabolicamará”), Gal Costa e Marina Lima, a par de influências internacionais como Wilco, Fleetwood Mac, Brittany Howard, Isaac Asimov e Adrianne Lenker. “É um disco de rock brasileiro“, explica Teago. “Tem uma forte dimensão sensorial, tanto física como geográfica: fala-se muito de rios, mar, luar, outono, chuva e sol. Mas fala-se também de sonho, fé, infância, de um futuro possível, de malandragem e da capacidade de transformar a lama em banquete. Existe um microuniverso do pensamento brasileiro que talvez estejamos a perder, mas que escolhemos trazer para este disco”, conclui.

Em atividade desde 2009, a banda baiana reafirma, com este novo álbum, a continuidade e a constante renovação do seu percurso artístico. “Do ponto de vista filosófico, o álbum escapa ao niilismo porque recusa o vazio de sentido. Em vez de concluir que nada importa, encontra sentido precisamente no fluxo, nessa força que nos vai conduzindo. O disco parte também da ideia de ‘sobreviver ao tempo’, mas da melhor forma que conseguimos, connosco próprios e com o mundo, com o propósito de seguir esse fluxo. Isso reflete um pouco a história da própria banda, que se mantém em atividade contínua há quase 20 anos”, finaliza o vocalista.

* fotografia de Elisa Imperial

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