20 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #32/2026 – Voltámos às 'happy fridays' com um lote bem grande de novos discos que valem a pena escutar com atenção e dos quais é dificil destacar os melhores.

Jungle, Sunshine (Caiola Records)

Os Jungle regressam com o seu quinto álbum de estúdio, Sunshine. e reforçam a sua posição de destaque na fusão de funk, disco, soul e música eletrónica, com um conjunto de ótimas canções concebidas para celebrar a luz e o movimento. O registo oferece uma dose necessária de otimismo, provando a consistência e a mestria da banda.

Hovvdy, Big World (Arts & Crafts)

O duo norte-americano Hovvdy, formado por Charlie Martin e Will Taylor, apresenta o seu novo álbum de estúdio, Big World. Gravado a partir de abordagens instrumentais diretas e letras criadas por associação de ideias, o registo afasta-se da densidade do predecessor para abraçar uma sonoridade mais contida e acústica.

Laura Veirs, Temple Songs (Raven Marching Band Records)

Laura Veirs também está de regresso, no caso com o seu 13.º álbum de estúdio, intitulado Temple Songs, e editado de forma totalmente independente. O trabalho foi também gravado, produzido e interpretado exclusivamente por Veirs no seu estúdio particular, apostando numa sonoridade DIY e intimista, assente na sua voz, na delicadeza da guitarra acústica e em paisagens sonoras naturais.

Sweeping Promises, You Say I Romanticize (Sub Pop)

Os Sweeping Promises, projeto de Lira Mondal e Caufield Schnug, lança o seu terceiro álbum de estúdio, You Say I Romanticize. O registo reafirma a eficácia do garage-pop e post-punk direto, com notórias influências de Sleater-Kinney e Hüsker Dü.

Getdown Services, Massive Champion (Breakfast Records)

O duo britânico Getdown Services apresenta o seu aguardado segundo álbum de estúdio, Massive Champion. Após um intenso percurso ao vivo que superou as 100 atuações anuais, a dupla abrandou o ritmo para entregar uma fusão irresistível de post-disco, groove funk, punk e blues rock. O registo amplia os seus horizontes sonoros sem perder a energia e o humor e revelando como são capazes de fazer ótimas músicas.

King Gizzard & The Lizard Wizard, Alien Metal (p(doom) Records)

Sucedendo a uma vaga de antecipação e lançado de surpresa durante o festival Field of Vision, Alien Metal marca o 28.º álbum de estúdio dos prolíficos King Gizzard & The Lizard Wizard. Construído em torno de um sintetizador modular Eurorack batizado de “Nathan”, o registo australiano funde o heavy metal e o techno com derivas eletrónicas inovadoras no universo caleidoscopico da banda.

Dent May, The Big One (Carpark)

O cantautor norte-americano Dent May regressa com The Big One, editado pela Carpark Records. Ancorado no tema-título, conduzido por um ritmo constante de piano, acordeão e uma melancolia graciosa, o registo aborda a iminência do desastre com um sentido renovado de esperança. May entrega uma coleção radiante de pop sunlit, leve e profundamente humana.

Johanna Samuels, Sorry, Kid (Odd Man Out Recordings)

Johanna Samuels lança Sorry, Kid, um trabalho que nasceu após a decisão de descartar um disco quase concluído. O seu novo trabalho foi gravado em parceria com o produtor Jonathan Rado (Weyes Blood, The Killers) e com a participação de amigas como Madison Cunningham e Courtney Marie Andrews. O registo reúne duas décadas de belas composições indie folk e pop clássico celebrando a amizade, a resiliência e a maturidade artística.

Kiwi Jr, Blowin’ Up (K Records)

Chega-nos de Toronto o novo registo dos Kiwi Jr., intitulado Blowin’ Up. Após um processo de criação minucioso e gravado ao vivo em Detroit com a colaboração de nomes como Greg Ahee e Joe Casey (Protomartyr), o quarteto canadiano assina aqui o seu trabalho mais direto e coeso. O disco mantém o olhar perspicaz e bem-humorado de Jeremy Gaudet sobre o quotidiano, embrulhado (com um belo laço) num indie rock otimista e de guitarras afiadas.

Maglore, Fluxo Natural

Com quase duas décadas de estrada na cena independente brasileira, os baianos Maglore apresentam o seu sexto álbum de estúdio, intitulado Fluxo Natural. O quarteto junta o rock alternativo à rica tradição da MPB das décadas de 1970 e 1980 e apresenta como resultado um trabalho coeso, gravado com espírito autónomo e espontâneo.

Open Mike Eagle & Kenny Segal, DOOMED!

Fruto de uma nova e aguardada parceria entre o rapper de Chicago Open Mike Eagle e o produtor californiano Kenny Segal, chega-nos DOOMED!. Neste registo denso e introspectivo, Segal entrega produções psicadélicas que servem de alicerce para a escrita mordaz de Eagle. O disco debruça-se sobre o fim de um relacionamento de cinco anos, transformando a dor da rutura numa análise profunda sobre perda e autoconhecimento e a busca de equilíbrio após o colapso.

Sparks, Live on the Moon (Transgressive)

Longe da gravidade terrena, a icónica dupla formada pelos irmãos Ron e Russell Mael regressa aos palcos com Live on the Moon. Enquadrado pelo charme dramático de Cate Blanchett, este registo ao vivo abraça o lado mais teatral, excêntrico e grandioso da banda norte-americana. Após décadas de carreira, os Sparks continuam a navegar numa órbita artística verdadeiramente singular.

Phoebe Bridgers, Lost Weekend (Dead Oceans)

Seis anos após o aclamado Punisher, a cantautora norte-americana Phoebe Bridgers está de volta aos discos a solo com Lost Weekend. O terceiro longa-duração da artista reforça o seu lugar de referência do indie folk, voltando a transformar as dores do crescimento e as desilusões relacionais em autênticos hinos de uma geração.

James Ellis Ford, Lost In Another World (Domino)

A enfrentar e a superar uma grave leucemia diagnosticada em 2024, o reputado produtor James Ellis Ford (Arctic Monkeys, Fontaines D.C., The Last Dinner Party…) transforma o seu segundo registo a solo numa verdadeira celebração da vida. Concebido e gravado num quarto de hospital com um equipamento minimalista, Lost In Another World aborda temas de existencialismo e dor através de uma produção simples mas luminosa. O resultado é uma obra triunfante, emotiva e profundamente vital.

Nina Winder-Lind, Wild Love (Transgressive)

Integrante do coletivo The New Eves e poetisa com obra publicada, a britânica Nina Winder-Lind estreia-se a solo com Wild Love. Produzido por Jack Ogborne, o trabalho navega entre o folk psicadélico, o proto-punk e a sonoridade glam dos anos 70, com influências confessionais de Lou Reed e Patti Smith. O registo constrói um universo lírico e intemporal, imperfeito na sua essência e carregado de uma beleza crua.

Ada Lea, The End Is A Wave EP (Saddle Creek)

Entre faixas resgatadas ao passado e criações recentes, o projeto da cantautora e artista visual canadiana Alexandra Levy (Ada Lea) ganha uma nova forma com o EP The End Is A Wave. O registo contrapõe o lado intimista do processo criativo com a vertente performativa da música e transforma a incerteza e o cansaço criativo numa exploração delicada.

Grace Cummings, Bloodhorse!

Impactante e destemido, Bloodhorse! afirma-se assim desde os primeiros segundos. O quarto registo de estúdio da cantautora e atriz australiana Grace Cummings funde o folk teatral com a avant-garde e a intensidade crua do blues.

Evil Island, Terraform The Afterlife

Nascida da união entre antigos elementos dos The Blood Brothers, …And You Will Know Us by the Trail of Dead, OFF! e Glassjaw, a superbanda Evil Island estreia-se em grande formato com Terraform The Afterlife. Com a voz inconfundível e extravagante de Johnny Whitney na linha da frente, o registo canaliza o caos controlado do post-hardcore, fundindo-o com noise rock, thrash e post-punk.

L’Rain, Fata Morgana (Mexican Summer)

Ilusões óticas e atmosferas místicas dão o mote a Fata Morgana, o quarto e ambicioso trabalho de Taja Cheek sob o pseudónimo L’Rain. Produzido em conjunto com Andrew Lappin, o registo desafia qualquer rotulagem ao entrelaçar R&B, jazz, ambient, jungle e eletrónica experimental. A artista nova-iorquina constrói uma experiência imersiva e caleidoscópica, pensada para ser absorvida numa única e contínua escuta.

Strange Lot, Strange Lot (Greenway Records)

Passando de projeto a solo a um coletivo renovado em Austin, os Strange Lot editam o seu álbum homónimo de estreia que foi produzido por Alex Maas (The Black Angels) e misturado por Jim Eno (Spoon). O resultado é uma proposta fresca no panorama psych-rock, cheia de camadas imersivas e atmosféricas.

* fotografia dos Jungle de Anna Victoria

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