Terminou a 14.ª edição do Festival Que Jazz É Este?, que de 8 a 19 de julho voltou a espalhar música por Viseu. De hospitais, lares e um estabelecimento prisional às ruas, aldeias e museus, culminando no grande fim de semana no Parque Aquilino Ribeiro. Fecha-se mais um capítulo de um festival que, ano após ano, continua a provar por que faz sentido existir: como projecto cultural de proximidade, criação e serviço público.
Esta foi uma edição de públicos em crescimento. O parque encheu-se, as tardes de rádio ao vivo, mercado e conversas juntaram gente de todas as idades, e os concertos confirmaram aquilo que o festival tem vindo a construir: que há em Viseu um público disponível para o risco, para a descoberta e para o jazz nas suas formas menos previsíveis.
Se há imagem que resume esta edição, é a do encerramento: Omar, uma das grandes vozes da soul britânica, a subir ao palco acompanhado pela Gira Big Band. Um artista de mais de quatro décadas de carreira e colaborações com nomes como Stevie Wonder ou Erykah Badu, ao alcance de todos, num concerto raro, o tipo de encontro improvável que só um festival como este proporciona, e uma oportunidade incomum de o ver passar por Viseu.
Ficam também olhos postos na nova e promissora geração da cena jazz em Portugal e também passou pelo festival: jovens músicos da Gira Big Band, oriundos das filarmónicas e conservatórios da região, que cresceram dentro do festival ao longo de sucessivas edições e ocupam hoje o palco com uma maturidade impressionante; o baterista viseense Miguel Rodrigues e o seu Azul Piscina; o Hugo Santos Quintet, liderado por outro jovem baterista premiado que veio afirmar a sua própria linguagem; nos mais de vinte jovens participantes no 18º. workshop de jazz de Viseu vindos de várias escolas parceiras das regiões centro e norte. Uma geração que revela um espírito que é, ele próprio, a marca da casa: companheirismo, entreajuda e a vontade de descobrir e explorar em conjunto. É esta uma aposta que dá sentido a tudo o resto: formar, acompanhar e dar palco a quem faz a música acontecer.
Todas as actividades mantiveram entrada livre, com apelo ao donativo consciente, por se acreditar que a cultura deve ser acessível, mas não gratuita por defeito.
A realização da 14.ª edição contou com o apoio do Município de Viseu, parceiro fundamental para que o festival continue a afirmar-se, e de todos os que acreditam neste projecto.
De 8 a 19 de julho, o Que Jazz É Este? voltou a ser mais do que um festival: um lugar onde a cidade se escuta a si própria e para lá dela. Um lugar onde o jazz continua a encontrar novas formas de acontecer.










