NÓS, SOZINHAS
Há sempre alguém que conhece alguém.
Há sempre uma de nós que conhece alguém que já fez. Outra conhece quem sabe fazer.
Há sempre alguém que nos diz o caminho, ou alguém que nos leva até lá.
Podemos não querer ver, mas não é por isso que deixa de existir. Afinal, há sempre alguém que conhece alguém.
Em 2027, assinalam-se 20 anos desde a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez em Portugal, conquistada através de uma grande mobilização da sociedade civil, referendada por duas vezes.
Que caminho se fez desde então? Estará, neste momento, o direito ao aborto ameaçado? Se, por um lado, esta parece ser uma questão mais do que resolvida na nossa sociedade, por outro, há um nevoeiro reacionário que teima em pairar e fazer-nos recuar.
A história tem-nos ensinado que quando a repressão quer recair sobre a humanidade, é pelo corpo da mulher que começa a batalha.
Sara Barros Leitão
Nós, Sozinhas, que parte de um verso da escritora e ativista Maria Teresa Horta é o novo monólogo da atriz, dramaturga e encenadora Sara Barros Leitão, com estreia no Theatro Circo.