17 álbuns para ouvir esta semana

Week #39/2026 – Começamos o mês de outubro com 17 novas propostas de álbuns novas prontos para serem ouvidos com surpresas, regressos e muita música nacional.

Mães Solteiras – Puxa-Vida

Sem hesitações ou rodeios, os Mães Solteiras lançam Puxa-Vida, o seu segundo longa-duração, assumido como um desabafo incisivo e libertador. Distribuído por treze faixas curtas e cruas — incluindo uma releitura de “Era de Noite e Levaram”, de José Afonso —, o trabalho faz jorrar uma urgência visceral entre o punk e o hardcore. É o segundo álbum da banda este ano.

Fat Dog – Cancel Me (I’m Tired)

Exaustos com a mercantilização da música e o ciclo ininterrupto da autopromoção digital, os britânicos Fat Dog regressam com o feroz Cancel Me (I’m Tired). O segundo disco do septeto, liderado por Joe Love, navega entre o industrial punk, o nu-rave e o synth-pop frenético e vem embalado por explosões de ruído, ironia mordaz e momentos surpreendentes de vulnerabilidade.

Johnny Marr – The Age of Everything

Mestre incontestável da guitarra e figura basilar do rock alternativo, Johnny Marr apresenta o seu quinto longa-duração a solo, The Age of Everything. O álbum exibe a técnica inconfundível que imortalizou nos The Smiths, assinando uma obra harmoniosa, vibrante e demonstrativa da sua intemporalidade criativa.

Meshell Ndegeocello – Synonym

Meshell Ndegeocello está de volta com o fascinante Synonym. Concebido como uma afirmação de libertação queer, o registo reúne um leque ecleticamente brilhante de dueto e versões, acolhendo convidados como Chaka Khan, Bill Callahan, Cat Power, Cynthia Erivo e Robert Glasper. Revisitando temas de artistas tão díspares como Bob Dylan, The Human League ou Barbra Streisand, Ndegeocello desconstrói géneros e reinventa significados com suma graciosidade, sofisticação e audácia concetual.

Stef Chura – Dancing Alone on the Concrete (Saddle Creek)

Quebrando um longo hiato de sete anos, a cantautora norte-americana Stef Chura regressa com o vibrante Dancing Alone on the Concrete. O disco explora vulnerabilidades e encontros perdidos, cristalizados no nostálgico single “Danny” e conta com a participação especial de Peter Buck e Mike Mills (R.E.M.).

Wishy – Nature’s Pill

Nature’s Pill é o nvo disco dos norte-americanos Wishy. Kevin Krauter e Nina Pitchkites, afastam-se das névoas do shoegaze presente na sua estreia e apresentam melodia mais limpas, nostalgicas e um brilho que remete para os anos 90 e ao twee-pop.

The Crystal Teardrop – Love You More (Rise Above Records)

O quinteto britânico The Crystal Teardrop edita o seu segundo álbum, Love You More que foi gravado ao vivo em estúdio com produção analógica. O trabalho expande o garage rock, o folk-pop e o psicadelismo dos anos 1960 para além do mero revivalismo. A banda constrói harmonias ricas incorporando instrumentos como sitar, tanpura e swarmandal.

TRAVO – Wasteland (Fuzz Club)

Com uma energia avassaladora e um dinamismo desenfreado, os portugueses Travo regressam com o seu quarto longa-duração, Wasteland. Produzido e misturado por Jaime Arellano, o quarteto de Braga funde o rock psicadélico, o space-prog e o punk metálico num turbilhão cósmico de alta intensidade. O grupo assina a sua obra mais ambiciosa, límpida e expansiva.

Pedro da Linha – Música Menor mas Feliz (edição de autor)

O produtor e compositor português Pedro da Linha apresenta Música Menor mas Feliz, um disco onde refelte sobre o contraste entre a melancolia das escalas menores e a euforia da pista de dança. O álbum, que é uma edição de autor, transforma a tristeza em momentos celebratórios e narrativas instrumentais.

Forrest Nolan – Indie Music Soundtrack

O cantautor norte-americano Forrest Nolan apresenta o seu aguardado álbum, Indie Movie Soundtrack. O disco, de onze faixas, navega pelas incertezas da juventude, desgostos amorosos e autodescoberta com uma abordagem cinematográfica e intimista. É estruturado como se de uma banda sonora para o quotidiano se tratasse e notam-se claras influências dos The Strokes ou Two Door Cinema Club. Uma bela surpresa!

The Fall – Post Script

Os The Fall apresentam o álbum póstumo Post Script, proporcionando o capítulo final na discografia de uma das formações mais influentes e intransigentes do post-punk britânico. São nove temas inéditos gravados na fase final da banda, num disco que exibe a autoridade mordaz e poética de Mark E. Smith.

Blossoms – Songs From The Wedding Cake

Os britânicos Blossoms lançam o seu sexto álbum de estúdio, Songs From The Wedding Cake que foi inspirado na vida doméstica, no matrimónio e na passagem do tempo. O quinteto de Stockport envolve a sua escrita num pop daltónico de influências disco e baseado em sintetizadores. Eles contam com as colaborações de Rick Astley e Declan McKenna.

Filipe Karlsson – Aquele Abraço EP

Marcando o início de um novo capítulo na sua carreira, o cantautor luso-sueco Filipe Karlsson regressa aos lançamentos com o EP Aquele Abraço. O trabalho sucede ao álbum Lá Vem o Sol (2025), combinando uma estética disco-pop. Karlsson entrega uma curta coleção de canções celebratórias e calorosas, concebidas para mover o corpo e desacelerar a mente.

Clutter – Sugar Rush (PNKSLM)

Impulsionado pela força do seu aclamado EP Loves You e por um ano intenso de digressões, o quarteto indie de Estocolmo, Clutter apresenta o seu aguardado álbum de estreia, Sugar Rush. Eles canalizam a energia crua e a ambição das suas atuações ao vivo, e trocam os sussurros por gritos libertadores e guitarradas fortes.

PMDS – Redenção

Através do seu quarto longa-duração, Redenção, o duo açoriano PMDS — composto por Pedro Sousa e Filipe Caetano — transforma a experiência de crescer em São Miguel numa profunda viagem sonora. Servindo-se de uma eletrónica atmosférica e contemplativa, o disco explora a dualidade da condição insular entre a liberdade do Atlântico e os limites do território.

The Schizophonics – Burning Floor

Diretamente de San Diego, o trio norte-americano The Schizophonics regressa com o seu quarto longa-duração, Burning Floor. Este registo captura a fúria eletrizante dos seus famosos espetáculos ao vivo e funde a fúria do proto-punk dos The Stooges e MC5 com o dinamismo do R&B e do funk.

V.A. – Contra-ICE Vol. 1: Ice Out

E porque estamos todos no mesmo barco que, ou afunda, ou consegue ultrapassar esta tempestade, o último disco em destaque para esta semana é uma compilação de resistência e de liberdade contra uma entidade que representa tudo o que de mau há na sociedade, no caso, norte-americana. Com contribuições de Kathleen Hanna, Tom Morello, Fred Armisen ou Jello Biafra, a obra utiliza a arte e a sátira como ferramentas vitais de resistência política.

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