Originários de Indianapolis, os Wishy afirmaram-se como uma das revelações do indie rock norte-americano com a estreia, há dois anos, com Triple Seven. Agora, dois ano depois, a banda liderada pelos compositores e vocalistas Kevin Krauter e Nina Pitchkites está de volta com o seu segundo álbum de estúdio, Nature’s Pill, um trabalho que consolida o seu crescimento com canções mais diretas, riffs Pop/Power Pop que trazem muito entusiasmo e uma carga emocional profundamente nostálgica.
Substituindo parte da densidade shoegaze do trabalho anterior por uma sonoridade mais limpa, luminosa e imediata, Nature’s Pill cruza influências do rock alternativo dos anos 90, do twee-pop ruidoso de bandas como The Pains Of Being Pure At Heart e de um certo slacker rock expansivo. A cumplicidade entre Krauter e Pitchkites eleva-se a novos patamares em temas como “All The Rage”, onde alternam versos com fluidez, e no tema “Mona Lisa”, cuja construção harmónica revela uma maturidade pop surpreendente. Por sua vez, faixas como “Sensational” transformam clichés do mall-rock numa entrega honesta e comovente.
O disco capta ainda, com precisão, o romantismo incurável, as paixões avassaladoras e as pequenas dores de crescimento da juventude, optando por dísticos abstratos e momentos de clareza emocional em vez de narrativas estritamente autobiográficas. Acompanhados pela prestação enérgica do guitarrista Dimitri Morris, do baixista Mitch Collins e do baterista Conner Host, os Wishy apresentam um disco coeso e eufórico que celebra connosco a vulnerabilidade sem, por outro lado, perder o sentido de diversão.
Nature’s Pill marca assim a afirmação dos Wishy no panorama do rock independente. A banda assina um dos discos mais reconfortantes e contagiantes de 2026 e que merece e muito uma escuta atenta.




