BILL ORCUTT

Reaparecido com o estrilho acústico de ‘A New Way to Pay Old Debts’ vindo dos nenhures de um silêncio de 12 anos após a dissolução de Harry Pussy em 1997, Bill Orcutt tem desde então agilizado com fé inabalável uma obra generosa e contundente. Desse período selvático na década de 90 ao lado de Adris Hoyos, a desarrumar os cânones do rock para daí chegarem a um vortex electrificado que era e não era simultaneamente blues, noise, free jazz ou punk, Orcutt seguiu com o natural avanço da idade esse drive, nervo e intuição para chegar a novas formas – de acertar contas com o passado? Passado que o próprio reconhece e admira com total impunidade e saber apaixonado, dos blues primordiais de Robert Johnson ou Mississipi Fred McDowell e sua sequência enviesada na American Primitive de John Fahey, do jazz mais lírico de Jim Hall ao fogo infinito de Sonny Sharrock à liberdade absoluta de Derek Bailey ou as guinadas de Zoot Horn Rollo da Magic Band – isto, sem sair da guitarra, que este mapa não se esgota, obviamente, no instrumento e Glenn Gould, Albert Ayler ou Cecil Taylor podiam também ser invocados. Porque toda esta cartografia possível se esbate e traduz de forma vivida numa linguagem profundamente sua. Mesmo, mesmo sua. Caso raríssimo.

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Date

Abr 10 2026

Time

21:00

Local

Galeria Zé dos Bois
Lisboa
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