MAX COOPER
Embora seja sabido que a ciência e as vertentes mais cerebrais da música eletrónica se vêm refletindo mutuamente há não menos de três décadas, como dois espelhos colocados um de frente para o outro – especialmente a partir do nascimento de editoras como a Rephlex e a Kompakt –, a metáfora ganha outra dimensão na figura de Max Cooper, produtor norte-irlandês que estudou bioinformática e que chegou inclusive a desenvolver uma carreira científica centrada no estudo da evolução e da regulação genética. Ao ouvir discos como Emergence e On Being, obras onde o microtechno e o ambient paisagístico coexistem mas também colidem, é possível localizar o ponto exatco em que ciência e música se sobrepõem.
Nas suas costas ficam já quase duas décadas de carreira em que o plano sonoro se tornou redutor. Por isso, para compreender na totalidade a trajetória de Cooper, é necessário referir tanto os seus discos como os seus projetos de arte digital e experiências imersivas. Duas facetas que se fundirão nos próximos dias 5 de novembro em Lisboa e 6 no Porto, na apresentação de Feeling is Structure, o seu novo álbum, mais uma amostra de groove electrónico artesanal. O LAV e o Hard Club acolherão um espetáculo audiovisual que, nos dias seguintes, também poderá ser desfrutado no âmbito do MIRA Festival, a 7 de novembro e na sala La Riviera.