Existe um terreno sónico comum entre o indie rock virulento da Gilla Band e o shoegaze arabesco e digital de Kiss Facility; as diferentes abordagens ao dub de Devon Rexi, Elijah Minnelli e dos portugueses Sensible Soccers; ou as coplas e canções de entusiasmantes artistas espanholas como La Tania ou AMORE. Essa constatação é o ponto de partida para um novo festival, o Jameson Common Ground, a decorrer entre 7 e 9 de Maio na Casa Capitão.
O programa inclui quase duas dezenas de concertos – alguns pagos, mas a maioria com entrada livre – intercalados por emissões ao vivo de programas da Futura Rádio de Autor, como o “Saturno” de Pedro Paulos, na quinta-feira, 7; “O Telefone Vermelho”, com Bruno Ferreira e Pedro Ramos, na sexta, 8; e, no sábado, 9, o “Grande Almoço Português” de Duarte Pinto Coelho e o “Bordel Pinheiro” de Carolina Pinheiro.
“Num nível mais simbólico, a rádio é um bocado o ‘common ground’. É o que liga estes artistas. É o que nos liga”, sugere Pedro Azevedo, um dos programadores da Casa Capitão. “Se quisermos ser mais literais, a Casa Capitão também é esse ‘common ground’. Todos os artistas que vão passar pelo festival poderiam tocar cá em Casa”, diz. Alguns já tocaram, noutros contextos, como Leonor Arnaut ou Maria Reis, que dão concertos grátis no dia 9.
O programa arranca a 7 de Maio, com Co$tanza, produtor, músico e o Homero da Linha Verde do Metro de Lisboa, mais a sua Post MODEM Orchestra, a reinterpretar ao vivo o clássico de culto de 2019, “Linha Verde”. Segue-se a estreia em Portugal de La Tania, cantora e inovadora da copla andaluza e de outras músicas tradicionais espanholas, munida das canções do seu disco de 2025, “AMORIOS. LA VERDAD DE MI COPLILLA”. Mais a primeira visita dos alquimistas pós-punk-dub-funk neerlandeses Devon Rexi a esta margem do Tejo.
Os cabeças de cartaz do primeiro dia são os Kiss Facility, side project do produtor e músico Sega Bodega com a cantora Mayah Alkhateri, pela primeira vez em Portugal, a apresentar o álbum deste ano, “KHAZNA”. Lembra um sonho lindo, entre o shoegaze dos primeiros My Bloody Valentine, a dream-pop dos Cocteau Twins e a new age de Enya. Depois, vai ouvir-se uk garage e hip-house do rapper espanhol Teo Lucadamo. Mais uma primeira vez em Portugal, mais um concerto de entrada livre.
Na sexta-feira, 8, só é preciso pagar para assistir ao regresso aos palcos dos Sensible Soccers, numa onda bem dub. Horas antes, o cantor portuense Lucas Maia, cujas canções com Chico da Tina escalaram recentemente o top do Spotify, vem cá mostrar com que linhas melódicas se cose “Pop Luso Flamenco”, o seu novo EP. A hyperpop de IBSXJAUR e o perreo de La Valentina completam o ramalhete do segundo dia.
Já durante a tarde de sábado, vai ser possível ouvir três das mais pujantes e criativas cantoras e compositoras portuguesas – de graça. São elas Maria Reis, numa rara apresentação a solo, a entusiasmante Leonor Arnaut, que conquistou quem a viu abrir para Sessa, em Fevereiro, e a inusitada Femme Falafel. À noite, vai ainda ser possível escutar o electro-rap de M¥SS KETA, a indie-pop de AMORE e o dub de Elijah Minnelli. Apresentam, respetivamente, os discos “.”, “Top Hits, Ballads, etc…” e “Clams As A Main Meal”, do ano passado.
Mas o grande destaque do último dia é uma double bill de sonho, com duas bandas conhecidas da Casa. Os primeiros a subir ao palco vão ser os portugueses Sereias, que levam a liberdade do jazz para dentro de um rock ríspido e ancorado pelas palavras de ordem do poeta maldito António Pedro Ribeiro, e nos trazem um novo álbum, “A Odisseia de Carlos Bizarro”. Depois tocam os Gilla Band, incendiários noise-rock de Dublin, pela primeira vez em Lisboa desde que abandonaram o nome Girl Band. Um estrondo.
Os bilhetes para os concertos pagos já se encontram à venda em DICE.fm. Para garantir o lugar nos restantes, a única solução é chegar cedo à Casa Capitão, entre 7 e 9 de Maio.










