Zion Battle, é um músico de Nova Iorque que assina como Katzin. Lançou na sexta-feira passada o seu álbum de estreia, Buckaroo, um disco que temos estado a acompanhar nestes últimos tempos com bastante entusiasmo. O disco é o culminar de um período de transição pessoal, escrito após o músico terminar o ensino secundário e realizar uma viagem pela Europa. Ao regressar aos Estados Unidos, Battle procurou explorar a sua identidade americana através de uma sonoridade que funde o indie rock moderno com a iconografia do Oeste. O resultado é um trabalho que a crítica internacional descreveu como uma colagem eletroacústica de texturas áridas e melodias pop.
O processo de gravação de Buckaroo decorreu numa cabana em Joshua Tree, na Califórnia, onde Katzin trabalhou com o produtor Max Morgen. Este ambiente de isolamento no deserto foi determinante para o som orgânico do álbum. Um dos detalhes técnicos mais curiosos da produção é o uso de sons percussivos não convencionais; em temas centrais como “Cowboy”, o ritmo é marcado pelo som das botas de Zion Battle a bater num convés de madeira, captando a crueza do momento, por exemplo.
Esta abordagem minimalista, que remete para o espírito lo-fi, é equilibrada com uma instrumentação que inclui banjos, guitarras dedilhadas e, ocasionalmente, sintetizadores que trazem uma modernidade inesperada ao conjunto.
O disco evita os clichés do country tradicional, preferindo usar a figura do “cowboy” como uma metáfora para a solidão e a descoberta individual e desenganem-se que acha que vai ouvir um disco do velho oeaste. O percurso de Katzin, que começou com gravações caseiras de cariz mais experimental, ganha em Buckaroo uma nova escala e clareza, sem perder a vulnerabilidade das letras que falam de amadurecimento e das complexidades das relações humanas.
Katzin eleva a estética “bedroom pop” para algo de ecrã panorâmico. O álbum não tem medo de ser ambicioso e navega em direção a uma ironia idílica enquanto as melodias brilham com uma esperança quase adolescente.










