No terceiro capítulo da saga criada por Rian Johnson, a fórmula muda de forma subtil. O mistério mantém-se, Benoit Blanc volta ao activo, o elenco é de luxo — mas este é, mais do que nunca, um filme com centro. E esse centro chama-se Josh O’Connor.
A história leva Blanc (Daniel Craig) até uma comunidade isolada, onde a fé, o poder e a imagem pública andam de mãos dadas. Uma morte desencadeia a investigação e, como é habitual, ninguém é exactamente quem parece ser. A diferença é que, desta vez, o filme não se organiza como um duelo permanente entre personagens. Há uma figura que concentra atenção, tensão e conflito — e O’Connor assume esse lugar com naturalidade.
Ao seu redor gravitam nomes que não precisam de apresentação: Glenn Close, Andrew Scott, Kerry Washington, Cailee Spaeny, Mila Kunis e Jeremy Renner. Todos têm momentos, todos contam para o jogo, mas nenhum compete verdadeiramente pelo protagonismo. Rian Johnson abdica do equilíbrio de ensemble dos filmes anteriores para construir algo mais hierárquico, mais focado, quase claustrofóbico.
Daniel Craig continua a divertir-se com Benoit Blanc, mas aqui o detective parece menos dono da sala. Observa mais, intervém menos, como se o próprio filme reconhecesse que o mistério não gira só em torno da lógica, mas também da forma como as histórias são contadas — e por quem.
Em comparação com Knives Out e Glass Onion, este é um filme menos expansivo e menos virado para o comentário social imediato. Há menos sátira directa, menos punchlines, mais tempo passado a olhar para dinâmicas de poder, culpa e performance moral.
Wake Up Dead Man não tenta repetir a festa dos anteriores. Prefere mudar o foco, reduzir o ruído e apostar num protagonista improvável. E ao fazê-lo, transforma o terceiro Knives Out num objecto mais contido, mais estranho e, curiosamente, mais seguro de si.











