Liz Cooper – New Day (2026)

Francisco Pereira

Análise ao álbum "New Day" de Liz Cooper é um olhar sobre a evolução da artista do rock psicadélico para o experimentalismo pop em 2026.

Com o lançamento de New Day no dia 20 de fevereiro, Liz Cooper parece ter completado uma metamorfose que começou há quase uma década nas ruas de Nashville. Se no início da sua carreira, com o projeto The Stampede, a artista era vista como uma sucessora natural do rock psicadélico com travo sulista, este novo trabalho, editado após o aclamado Hot Honey, consolida uma sonoridade muito mais expansiva e difícil de rotular.

Cooper abandonou definitivamente as estruturas seguras do folk-rock para abraçar um som que tanto bebe da “art-pop” como de um rock mais musculado e experimental, mantendo sempre aquela voz elástica e magnética que a caracteriza. O contexto de New Day é o de uma artista em pleno domínio da sua liberdade criativa, livre das expectativas de género musical que a perseguiram nos primeiros anos.

O álbum foi gravado com uma mentalidade de “estúdio vivo”, privilegiando a interação orgânica entre os músicos em detrimento da perfeição digital. Este facto traduz-se numa produção que soa, ao mesmo tempo, espacial e claustrofóbica, onde as guitarras — o instrumento de eleição de Liz — surgem muitas vezes processadas de formas inesperadas, criando texturas que lembram tanto o pós-punk como o rock clássico dos anos 70, mas embora com uma lente de 2026.

Há aqui uma evolução lírica significativa; enquanto os discos anteriores exploravam a descoberta e o desejo, New Day parece lidar com as consequências de se ser adulto numa indústria em constante mutação. Há uma maturidade clara na forma como os temas da renovação e do isolamento são abordados, sem nunca perder aquele humor subtil e a atitude “cool” que são a marca registada de Liz Cooper.

No panorama atual, este disco apresenta-se, com alguma surpresa, como um excelente trabalho e posiciona Cooper não apenas como uma guitarrista de exceção, mas como uma compositora capaz de construir universos sonoros complexos que desafiam quem ouve a não ficar apenas pela superfície.

* fotografia de Liz Cooper de Michael Heinz

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