Mário Laginha está de regresso aos álbuns com um novo disco, ‘Retorno’.

Francisco Pereira

Quase 20 anos depois de Canções e Fugas, Mário Laginha edita 'Retorno', um álbum a solo marcado pela liberdade improvisada e introspecção.

Quase duas décadas depois de Canções e Fugas (2007), o pianista e compositor português Mário Laginha regressa ao formato mais íntimo e exigente com Retorno, o seu segundo álbum a solo, editado hoje, 5 de fevereiro através da ONC Produções Culturais com distribuição digital pela Timbuktu Records.

O disco de 14 composições originais, todas da sua autoria, marca um ponto de viragem na discografia de um dos nomes centrais do jazz contemporâneo em Portugal, e nasce de uma ideia de liberdade musical: ao contrário do seu primeiro trabalho a solo — mais estruturado e ligado à tradição dos prelúdios e fugas — este novo disco incorpora cinco improvisos, apresentados como peças autónomas que surgem no próprio momento da gravação.

O título do álbum, que também dá nome a uma das faixas, serve como metáfora dupla: é um retorno ao piano solo, espaço de introspecção e encontro consigo próprio, e evoca ainda uma conexão pessoal e artística com a obra literária Retorno da escritora Dulce Maria Cardoso, título que Laginha quis respeitar com o consentimento da autora. A influência de trabalhos recentes com artistas como Camané emerge de forma subtil ao longo do disco, através de ornamentações e impulsos melódicos que nunca resvalam para o fado, mas que enriquecem o universo estético do pianista.

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