Os Postcards, banda libanesa, regressam a Portugal para uma nova digressão.

Francisco Pereira

Os Postcards regressam a Portugal em março com cinco concertos para apresentar RIPE, o disco mais cru e politizado da banda.

Postcards, um trio shoegaze/grunge de Beirute, anuncia uma digressão em Portugal com 5 datas, de 11 a 15 de março. Esta é já a 7.ª vez que a banda se apresenta ao vivo no nosso país.

RIPE é o mais recente disco do grupo e aquele que motiva esta nova digressão que passará pelo Porto, Coimbra, Torres Vedras, Setúbal e Lisboa. Trata-se de  um álbum de 10 temas e mais de 40 minutos em que o dream-pop habitual da banda se transforma em algo mais cru, sombrio e gutural – uma resposta adequada à turbulência que a sua região está atualmente a atravessar. 

À medida que o mundo à sua volta desmorona, os Postcards transformam a sua raiva em algo transcendental. Com o quinto álbum de estúdio, RIPE, o trio libanês pega em tudo o que construiu ao longo da última década e leva-o para novas e inesperadas direções. 

As novas canções ganham um tom mais politizado no contexto da terra natal da banda. Com o que a Comissão de Inquérito da ONU define como genocídio em curso em Gaza por parte de Israel e os ataques ao sul do Líbano — que se espalharam para Beirute —, os Postcards canalizam a insegurança sempre presente para a sua música e letras. À medida que a ameaça se aproxima cada vez mais, RIPE questiona a vida no Líbano e o que significa permanecer lá.

Contudo, a banda recusa-se a ser consumida pela escuridão. RIPE pode ser um álbum nascido da raiva, da dor e da incerteza, mas é também um álbum de resiliência. É Postcards no seu lado mais brutal, mas mais vulnerável. Tornaram-se mais sombrios, mas, ao fazê-lo, encontraram uma nova clareza. O título do álbum evoca esse crescimento e maturidade. 

No meio do desespero da primeira faixa, há um vislumbre de esperança: «Hold on to you / I think I’m onto something». De facto, a banda está no caminho certo. No meio ao barulho, no meio da raiva, eles criaram algo ferozmente belo.

Os bilhetes para a digressão de Março já estão disponíveis, com excepção de Setúbal.

* fotografia de Myriam Boulos

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