Queer Porto: Cinema, Resistência e Diversidade em Destaque na Invicta.

O Queer Porto 2026 traz o melhor do cinema queer à Invicta, com estreias de Cannes, a secção Resistência Queer, homenagens e debates sobre literatura.

O Porto volta a vestir-se com as cores da diversidade e da audácia cinematográfica. A 12.ª edição do Queer Porto já vai a meio (começou no dia 3 e prolonga-se até dia 7 de novembro), trazendo aos ecrãs da Invicta uma seleção independente de 37 filmes que celebram o amor, a descoberta e a resistência política e social. Este ano, o festival expande a sua presença geográfica, ocupando não só o Batalha Centro de Cinema, a Casa Comum da Universidade do Porto e o Passos Manuel, mas estreando-se também nas salas do Cinema Trindade.

Os Grandes Destaques Internacionais

A colheita de 2026 reflete uma forte ligação aos principais palcos do cinema mundial, com um foco muito particular nos títulos que brilharam no Festival de Cannes

La Bola Negra: A grande sensação espanhola de Javier Calvo e Javier Ambrossi (vencedores do Prémio de Realização em Cannes) é exibida em antestreia especial no Cinema Trindade. Inspirado livremente no universo de Federico García Lorca, o filme assume-se como um dos momentos mais aguardados pelo público portuense.

Jim Queen: Direto de Cannes para a Competição Oficial, esta animação irreverente dos franceses Marco Nguyen e Nicholas Athané serve como uma homenagem humorística e satírica à subcultura bearde Paris. 

Homenagem Histórica: O festival recorda também o pioneirismo europeu com uma sessão especial dedicada ao realizador alemão Rosa von Praunheim, falecido em dezembro de 2025, exibindo o seu clássico e provocador documentário de 1974. 

Revelações e a Competição Oficial

Na Competição Oficial de longas-metragens, o júri e os espectadores enfrentam narrativas cruas e íntimas que desafiam os limites do género. A grande revelação temática deste ano prende-se com a exploração e a visibilidade das vivências transmasculinas e da resistência comunitária. O documentário What Will I Become?, de Lexie Bean e Logan Rozos, destaca-se precisamente por mergulhar no âmago das redes de apoio e da construção de identidade destas comunidades.

Paralelamente, a secção Resistência Queer ganha peso ao trazer obras como A Song Without Home (de Rati Tsiteladze), que acompanha a fuga de uma artista trans da Geórgia para Viena, reforçando o cinema como uma ferramenta vital de sobrevivência e denúncia num cenário geopolítico global complexo. 

Espaço de Debate e Cultura

Mais do que a projeção de películas, o Queer Porto 2026 afirma-se como um espaço de diálogo. O ciclo “Figuras da Literatura Queer”, sediado na Casa Comum, oferece sessões gratuitas que cruzam o cinema com o legado de autores icónicos, contando com a participação de figuras artísticas de relevo como Miguel Bonneville e Odete. Entre estreias disruptivas e retrospetivas necessárias, a prova que o cinema queer continua mais activo  que nunca.

Destaques da Programação e Eixos Temáticos

A edição deste ano voltou a apostar numa seleção rigorosa e diversificada, estendendo-se por salas emblemáticas da cidade — com destaque para a passagem pelo Cinema Trindade — e dinamizando a Invicta com debates, festas e momentos de reflexão comunitária.

Noite de Abertura e Grandes Estreias

O festival arrancou em grande plano com a exibição de “Garance”, uma obra centrada numa jovem atriz talentosa cujo magnetismo cru e espírito vibrante guiam o tom inicial do certame. Outro dos momentos mais antecipados da programação coube a “La Bola Negra”, uma produção de peso muito aclamada que atraiu centenas de cinéfilos à sala de cinema.

Secções Competitivas e Olhares Contemporâneos

A competição oficial continua a ser o coração pulsante do Queer Porto, dando palco a dezenas de curtas e longas-metragens que exploram as múltiplas facetas das identidades de género e da orientação sexual. Entre os títulos que ganharam destaque na programação figuram

“What Will I Become?” (de Lexie Bean e Logan Rozos) — Um mergulho sensível na vulnerabilidade e autoafirmação da comunidade transmasculina.

“Something You Should Know About Me” — Uma comédia romântica trans, fresca e atrevida, que acompanha as desventuras de um cartunista numa residência artística.

“Gays Against Guns” — Um documentário impactante que acompanha a trajetória de uma década da associação homónima, desde o trágico massacre do Pulse.

Uma das grandes apostas desta edição centrou-se na secção Queer Focus, este ano consagrada a cruzar a literatura e o cinema através de quatro documentários recentes dedicados a figuras maiores da poesia e da escrita, nomeadamente os olhares sobre autorias marcadas pela interseção entre palavra e dissidência.

Calendário e Atividades Paralelas 

Mais do que projeções cinematográficas, o Queer Porto vive do espírito de comunidade e partilha através de conversas e pontos de encontro habituais.

Início de Tarde / Serões de Cinema (15:00 – 21:00): Exibições consecutivas das secções de Competição Oficial de Curtas e Longas-Metragens, bem como a secção Panorama, acolhendo conversas com realizadores logo após as sessões (como o debate em torno de Acting Like Women, moderado por convidados da área artística).

Fim de Tarde Literário e Pensamento Queer (17:30): Espaços de reflexão teórica e mesas-redondas, como a conversa “Certo, mas vamos lê-la”, ou: Como escrever as vidas queer?, contando com nomes como miguel bonneville, Odete e António Manso Preto.

Noite e Animação (A partir das 22:30): O convívio estendeu-se para fora das salas de cinema com pontos de encontro emblemáticos, desde a Welcome Party no já habitual Bar of Soap até momentos irreverentes como a icónica Hunky Jesus Party.

Para mais informação podem entrar no site oficial do festival (disponível em queerlisboa.pt) para saber a sala exata (Batalha Centro de Cinema ou Cinema Trindade) correspondente a cada hora dela projeção.

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