Rod Krieger apresenta versão de “The Cowboy”, de Arnaldo Baptista, num novo videoclipe.

O músico brasileiro Rod Krieger lança o videoclipe de "The Cowboy", a sua releitura da obra de Arnaldo Baptista, filmado a preto e branco no Rio de Janeiro.

O músico e compositor brasileiro Rod Krieger lança neste 14 de outubro o videoclipe de The Cowboy, a sua releitura da canção de Arnaldo Baptista. A composição, que já integrava o repertório de Arnaldo com a Patrulha do Espaço no final dos anos 1970, seria posteriormente registada no seu segundo álbum a solo, Singin’ Alone, editado em 1982. Na nova versão, Rod parte destes dois momentos da mesma canção para construir a sua própria interpretação. O tema integra o projeto Arnaldo Baptista 7.8 – Canções Inesquecíveis Revisitadas, que reuniu mais de 60 artistas em novas leituras da obra a solo de um dos fundadores dos Mutantes. Agora, The Cowboy ganha um desdobramento audiovisual realizado por Yan Gabriel, filmado a preto e branco no Bairro Peixoto, em Copacabana, no Rio de Janeiro. 

A ideia de aproximar a música da linguagem cinematográfica esteve presente desde o início do projeto. Já familiarizado com o trabalho de Rod, Yan propôs uma fotografia a preto e branco e encontrou no interesse partilhado pelos dois pelo cinema europeu um ponto de partida para a construção do vídeo. “Conversámos um pouco e logo percebemos que estávamos a falar a mesma língua”, conta Rod.

A própria estrutura de The Cowboy ajudou a determinar a narrativa. A composição começa com um longo riff instrumental, passa por um acontecimento ao longo da canção e depois regressa ao motivo inicial. O videoclipe acompanha este movimento de forma igualmente aberta: Rod sai pelas ruas do bairro à procura de uma bebida e, a partir dessa ação simples, a situação desenvolve-se diante da câmara. “Decidimos que eu sairia para dar uma volta, neste caso, até uma pequena mercearia do bairro, e deixámos acontecer. Acabou por resultar numa displicência organizada”, explica.

A escolha do Bairro Peixoto, uma pequena área em Copacabana, também contribuiu para a atmosfera pretendida pelo realizador e pelo músico. “É uma zona mais tranquila no meio do caos e serviu perfeitamente como local de filmagem. A ideia era criar um ambiente mais sombrio e bucólico, tudo a ver com o bairro”, afirma Rod.

A relação de Rod com The Cowboy também passa por uma história de longa data com a obra de Arnaldo Baptista. O músico conheceu o seu trabalho ainda na adolescência e, com o tempo, passou a considerá-lo o seu artista favorito. Anos mais tarde, a admiração deu lugar a uma aproximação pessoal, sustentada também por interesses musicais em comum.

“Quando fiz o primeiro contacto, fui muito bem recebido por ele e pela sua companheira e acabámos por criar um laço muito forte devido às nossas afinidades culturais, como as guitarras Gibson, os equipamentos analógicos e a paixão pelos Cream e por Jack Bruce”, conta.

Esta relação teve um episódio especialmente importante em 2016, quando Rod foi convidado, a pedido do próprio Arnaldo, para encerrar uma série de concertos do músico em São Paulo, interpretando o seu repertório. Para o concerto, escolheu precisamente canções que estavam fora de Lóki? (1974). “Abrimos o concerto com ‘The Cowboy’ e lembro-me dele na primeira fila, a cantar durante todo o concerto. Aquilo foi mágico. Sempre soube que, se um dia gravasse alguma canção dele, esta seria uma forte candidata”, recorda.

Na gravação atual, Rod assume o baixo, a voz e a produção musical, acompanhado por Caio Barreiro, nas guitarras (acústica e elétrica) e viola caipira; João Nogueira, no piano, Hammond e sintetizadores; e Kelder Paiva, na bateria. A releitura integra Arnaldo Baptista 7.8, projeto dedicado exclusivamente à carreira a solo do artista e construído a partir de versões que colocam a sua obra em diálogo com a identidade musical de cada intérprete.​

* fotografia de Yan Gabriel

PARTILHA