Quem foi à MEO Arena atrás de “Back on 74” levou o que queria, mas encontrou um concerto bem maior do que essa canção. Foram 27 temas, a cruzar o álbum novo com os discos anteriores e os primeiros êxitos, e a sala acabou transformada numa enorme pista de dança. O ambiente era o que o grupo sempre prometeu: disco e soul calorosos, ritmo a empurrar o corpo e uma estética visual cuidada, que dá ao espetáculo um aspeto de festa bem preparada.
Foi também um passo grande para a banda em Portugal. Formados em Londres em 2013 por Tom McFarland e J Lloyd, com Lydia Kitto a juntar-se em 2024, os Jungle tinham dado apenas um concerto em nome próprio cá, no Campo Pequeno em 2023, e passado pelo MEO Kalorama em 2024. A MEO Arena é, por isso, a sala mais ambiciosa que enfrentaram por estas bandas.
O espetáculo arrancou com “Smile” e “The Heat”, seguidas de “Heavy California”, “Beat 54” e “Problemz”, e foi alternando andamentos sem deixar a pista esvaziar. O álbum novo, Sunshine, editado a 14 de agosto, andou por todo o alinhamento, com “Someday, Somewhere”, “Come Back to Me”, “Sunshine”, “Where Are You Now?” e “Move Like You Do” distribuídas ao longo da noite em vez de arrumadas num só bloco. O disco mantém a mistura de soul, disco, hip-hop e eletrónica que define o grupo, mas num som mais acolhedor e aberto, com harmonias generosas e letras sobre ligação, esperança e aceitação. Ao vivo, esse otimismo passou bem para a sala.
Os clássicos não ficaram esquecidos. Do primeiro disco vieram “Time” e “The Heat”, e do Loving in Stereo chegaram “All of the Time” e “Keep Moving”. Houve ainda “Casio”, “Drops”, “Dominoes”, “Don’t Play” e “Candle Flame”, e “Back on 74” teve o seu lugar entre as restantes. É nessa mistura que o concerto prova ser mais do que o tema que muita gente conhece, e dá razão a quem esperava uma noite com o catálogo todo.
O fecho merece destaque. No Kalorama, em 2024, “Busy Earnin’” abriu o concerto e “Keep Moving” encerrou-o. Na MEO Arena trocaram-se as voltas: “Keep Moving” entrou no encore e “Busy Earnin’” ficou com a última palavra. Mais de uma década depois de editada, a canção conserva o lugar de fecho, e dá ao regresso a Lisboa uma ligação direta aos primeiros anos do projeto, numa digressão pensada para apresentar um álbum novo.
Em palco, a banda mostrou coesão rítmica e uma energia que transbordou para o público, o que ajuda a explicar como uma sala daquele tamanho se pôs a dançar sem esforço. Para quem veio pela canção viral, ficou a certeza de que há muito mais por baixo.
A noite de sábado serviu de arranque à etapa europeia da Sunshine World Tour. A digressão, que apresenta o quinto álbum do grupo, começou em setembro e leva os Jungle a arenas da América do Norte, da Europa, do Reino Unido, da Austrália e da América Latina até à primavera de 2027.