Tiago Vilhena antecipa edição de novo disco ‘Salatrano’ com single “Amadores da Praça”.

Francisco Pereira

Tiago Vilhena lança "Amadores da Praça", novo single com influências rock. O tema junta elementos de Ary dos Santos, Capitão Fausto e Miguel Vilhena

A vida passa e o tempo pára. Quatro anos depois do último disco de Tiago Vilhena, chega-nos um trabalho novo, fresco e onde o estilo já conhecido do artista continua a estar presente, mas abre espaço a elementos inéditos na sua discografia. O cantautor regressa com Salatrano no dia 25 de Setembro, antecipado pelo single “Amadores da Praça”.

O percurso que aqui desagua é longo. Começou no rock dos Savanna, passou pela pop de língua inglesa assinada como George Marvinson e amadureceu na canção portuguesa com Portugal 2018 e Canções MundanasSalatrano recolhe um pouco de cada uma destas vidas e junta-lhes territórios novos, num disco que se permite ser, ao mesmo tempo, o mais eclético e o mais descontraído da discografia do músico.

O título é, também ele, uma criação do autor. Salatrano é uma palavra inventada por Tiago Vilhena, que prefere guardar para si o seu significado. Fica o som da palavra e um disco inteiro para que cada ouvinte encontre a sua própria definição.

O Tiago regressa com um disco de 10 músicas ao seu estilo. Ou melhor, aos seus estilos. Numa salada de frutas, conceitos, humores, histórias e banalidades, Salatrano é um disco jovem e maduro. Chega para fechar o verão, preparar o inverno e certamente que tem uma banda sonora para todos os estados de espírito. Desde o habitual folclore português, ao indie das suas raízes, cruzam-se influências improváveis de uma forma elegante sempre com a já conhecida vontade de trazer ligeireza a qualquer tema.

No primeiro single, “Mau Mau Bem Bem” Tiago apresenta-nos uma canção sobre sermões e a vontade de contrariar a autoridade ao som de um ritmo popular. Noutros temas, parece até que há um saudosismo do rock das suas origens em Savanna. A meio do disco, como que para fazer uma pausa, surge uma música instrumental ao estilo quase de uma obra do Stravinsky perdida na floresta. Há também espaço para uma balada que nunca revela por completo se fala de amor ou de outra forma de ligação. São dez canções, todas cantadas em português, que atravessam o rock, a bossa nova, a kizomba, o reggae, o fado e a música de orquestra sem perderem o fio que as une: a escrita brincalhona, o gosto pela palavra e aquela atmosfera sem nação que, ainda assim, respira costumes portugueses.

Salatrano foi gravado nos estúdios Cuca Monga com Domingos Coimbra e Manuel Palha, dos Capitão Fausto, e misturado “em casa”, nos estúdios Pontiaq, por Miguel Vilhena, irmão do músico e colaborador de longa data.

“Amadores da Praça” é o segundo single do disco, e chega como uma incursão assumidamente rock num território que o músico não explorava há já algum tempo. A canção reúne vários dos elementos clássicos do género: uma voz potente, um solo de guitarra rápido, técnico e virtuoso, mas também emotivo, uma secção carregada de chorus, vozes e alguma confusão, e uma bridge de ambiente mais espacial, construída em torno de um piano eléctrico. O resultado é uma canção de rock expansiva, com músculo e detalhe, que recupera uma linguagem que Tiago Vilhena conhece bem, mas que há algum tempo não ocupava o centro da sua música. O título “Amadores da Praça” nasce de um poema de Ary dos Santos, poeta que tem sido uma referência recorrente no universo criativo de Tiago Vilhena e cuja obra, neste caso, esteve particularmente próxima da génese da canção.

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