Os Melhores Álbuns Nacionais de 2025 – Mente Cultural

Francisco Pereira

Conhece os 30 melhores álbuns nacionais de 2025, destacando artistas que marcaram a música portuguesa com criatividade, inovação e impacto cultural ao longo do ano.

Quando alguém ganha um Óscar, sobe ao palco do Dolby Theatre e depois apressa-se para agradecer a todos com medo de se esquecer de alguém, antes que a orquestra comece a tocar. Fazer um Top é pior. Apesar de ser um exercício giro, não deixa de ser angustiante ter de deixar bandas e artistas de fora. O primeiro Top que publicamos (e nos próximos dias teremos mais a publicar) é referente aos melhores álbuns nacionais. E como não podia deixar de ser, deixou muita coisa boa, ótima, de fora.

Ainda assim são 30 as escolhas. Álbuns que são estreias, álbuns que são consagrações. Álbuns de rock, de pop, eletrónica, hip-hop… Estes são os 30 nacionais que mais se destacaram.

Quanto ao vencedor, dizer apenas que foi um álbum que nos arrebatou por completo. Ganhou o primeiro lugar assim que foi escutado pela primeira vez.

30.

Neon Soho
SHALL WE BEGIN

SHALL WE BEGIN é uma viagem sonora onde pop, soul, electrónica e groove se entrelaçam em paisagens rítmicas e emotivas que convidam tanto à dança como à reflexão pessoal, marcando uma evolução criativa em relação ao álbum de estreia Proof of Love (2021). SHALL WE BEGIN parte da ideia de recomeço e afirmação, combinando letras que exploram emoção, liberdade e introspecção.

29.

Mr. Gallini
Já Ninguém Vai Mudar O Mundo

Bruno Monteiro, músico e artista visual de Alcobaça que assina como Mr. Gallini, entrega-nos este Já Ninguém Vai Mudar o Mundo, um trabalho em que ele canta em português pela primeira vez, encerrando a sua trilogia iniciada com Lovely Demos (2018) e The Organist (2019) e abraçando um som mais muscular e directo que mistura punk, rock’n’roll, folk acústico e toques tropicais.

28.

Mind Mojo
Keep Your Spirits Up

Keep Your Spirits Up é o álbum de estreia da banda portuguesa, resultado de três anos de criação e composição em torno de uma identidade colectiva em construção. Situado no cruzamento entre pop e R&B, com influências de rock e jazz, Keep Your Spirits Up assinala a maturação de uma linguagem própria e a afirmação de um percurso que procura simultaneamente explorar e moldar o universo sonoro da banda.

27.

João Teotónio
WIRED

Wired é o segundo álbum de estúdio a solo do músico lisboeta que troca o minimalismo acústico do seu disco anterior (Into the White) por um universo mais electrificado e precioso. O registo de 10 faixas constrói paisagens sonoras marcadas por guitarras distorcidas, ritmos insistentes e texturas lo-fi, refletindo inquietude e desassossego urbano, enquanto colaborações pontuais de saxofone, trompete e bateria expandem a paleta sem perder coesão.

26.

First Breath After Coma + Salvador Sobral
A Residência

A Residência é um álbum colaborativo resultado de uma residência artística conjunta na Casa Varela, em Pombal, no final de 2024, onde a banda e Salvador Sobral compuseram e ensaiaram temas originais. O disco captura a fusão entre a sensibilidade vocal de Sobral e as paisagens sonoras cinematográficas da banda, explorando improvisação, texturas ricas e momentos de intimidade artística.

25.

Da Chick
Up In The Clouds

Up in The Clouds é o quarto álbum de estúdio da artista portuguesa. O disco de nove faixas navega por soul, jazz, R&B e grooves contagiantes enquanto explora temas de amor, auto‑aceitação e encontrar o próprio “flow”, propondo não só a celebração dos dias de sol mas também a aceitação dos dias nublados com paz e graça numa jornada vibrante de crescimento e conexão.

24.

HUMAN NATURES
ELECTRIC DREAMS

Os HUMAN NATURES estreiam-se com ELECTRIC DREAMS, depois de mais de uma década de maturação das canções. O disco de 12 faixas constrói uma tapeçaria sonora atmosférica e onírica onde elementos de shoegaze, indie pop e dream rock se entrelaçam com guitarras, harmonias vocais, pianos, sintetizadores e arranjos subtis de sopros e cordas, sem um vocalista principal fixo. ELECTRIC DREAMS foi concebido como uma viagem sensorial que respira e evolui ao longo do alinhamento

23.

Mão Morta
Viva La Muerte!

O novo disco dos Mão Morta mantém a visão singular e corrosiva do grupo, combinando poesia sombria e crítica social com uma diversidade sonora que percorre post‑punk, rock experimental e camadas avant‑garde, numa reflexão sobre mortalidade, contradições humanas e o absurdo do quotidiano. Viva la Muerte afirma a capacidade da banda de renovar a sua linguagem intensa e transgressiva mesmo décadas após o início da sua carreira.

22.

Três Tristes Tigres
Arca

Arca é o quinto álbum de originais da banda portuguesa fundada nos anos 90 por Ana Deus e Alexandre Soares, com letras em grande parte da poeta Regina Guimarães. Lançado pela Omnichord Records, o disco de oito temas foi descrito pelos próprios como “cartas de amor ao mundo”, abordando migrações, turbulências humanas e a universalidade das experiências pessoais e colectivas a partir de imagens poéticas e instrumentação rica.

21.

MXGPU
Sudden Light

Luís Clara Gomes (ou seja, Moullinex) e Guilherme Tomé Ribeiro (ou seja, GPU Panic) juntam forças num disco assinado por MXGPU. O duo oferece uma estética electrónica contemporânea. Sudden Light foi descrito pelos próprios como uma “interrupção”, um “grito no escuro” e uma “centelha de transformação”, marcando a unificação criativa dos dois artistas e cristalizando a sua visão conjunta de música emocionalmente honesta e expansiva.

20.

Esteves Sem Metafísica
De.bu.te

de.bu.te é o álbum de estreia de Teresa Esteves da Fonseca, artista portuguesa nascida em 1991, que assina este projecto sob o seu nome artístico. Licenciada em Artes e Humanidades, Teresa transita da poesia para a música sem perder a essência da escrita: a palavra mantém‑se central, agora expandida pelo corpo e pela voz. Em de.bu.te, a intimidade e a ironia entrelaçam‑se delicadamente num espaço onde a música não adorna a palavra, mas liberta-a, exigindo uma escuta sensorial.

19.

EVOLS
The Ephemeral

O álbum dos EVOLS expande a linguagem sonora da banda para territórios mais ornamentados e texturais, mantendo progressões simples e ganchos pop enquanto incorpora elementos que vão do rock e new wave à electrónica, com destaque para o saxofone de Rodrigo Amado e as vozes de Sara Macedo e Calcutá, criando uma experiência imersiva que sintetiza múltiplas estéticas num todo coeso e envolvente.

18.

Femme Falafel
Dói-Dói Proibido

Doi‑Doi Proibido é o álbum de estreia de Raquel Pimpão, conhecida pelo nome artístico Femme Falafel, que combina influências de disco, hip‑hop e salsa numa abordagem pessoal e irónica à música. Neste registo, a artista usa piano, voz e produção em Logic para transformar emoções e experiências em letras que equilibram sarcasmo, sensibilidade e humor. Doi‑Doi Proibido é, assim, um elogio à tolice e à vulnerabilidade, celebrando a espontaneidade e a criatividade na cena alternativa portuguesa.

17.

Miguel Feraso Cabral
A Capa do Urso

Gravado ao longo de mais de duas décadas a partir de esboços, colagens de gravações caseiras e manipulação de cassetes, A Capa do Urso combina guitarras, bateria, electrónica, objectos sonoros e letras em português que reflectem o quotidiano urbano com ironia e nonsense, tudo tocado, escrito e produzido pelo próprio Miguel Feraso Cabral sem preocupação de coerência estilística. A Capa do Urso surge como uma obra pop‑art musical que costura humor, crítica e fragmentos sonoros improváveis num quadro sonoro singular na sua discografia, marcando uma viragem do autor para uma expressão mais directa e vocal.

16.

Iguanas
Mala Feita

As letras de Lourenço Crespo e Leonardo Bindilatti exploram relações humanas, ironia e introspecção com imagens e personagens vívidas, navegando entre drama e humor sem perder uma sensação de movimento emocional constante. Gravado e misturado entre Lisboa e com co‑produção de B Fachada, Mala Feita representa tanto um recomeço como um aprofundamento da parceria criativa do duo, oferecendo um disco denso em detalhes e texturas que alargam o universo estético dos Iguanas.

15.

A Garota Não
Ferry Gold

A Garota Não continuando a sua trajectória de canção de intervenção poética e social em português. Ferry Gold nasce de textos, poemas e observações do quotidiano que se transformam em música, abordando injustiças sociais, desigualdades e experiências íntimas com uma escrita directa e sensível. Com arranjos que fogem deliberadamente ao pop convencional, Ferry Gold combina interpretação vocal emotiva e instrumentação cuidada num registo exigente e profundo, reforçando o compromisso artístico e político que caracteriza a obra de A Garota Não.

14.

Sunflowers
You Have Fallen… Congratulations!

You Have Fallen… Congratulations! é o quinto álbum de estúdio da banda noise-punk de Porto, marcado pela sua estreia na editora britânica Fuzz Club Records e por uma abordagem sonora que abandona estruturas convencionais em favor de tensão e caos controlado. Letras e temas giram em torno da dissociação contemporânea, exaustão performativa e um impulso catártico de libertação, fazendo de You Have Fallen… Congratulations! uma celebração irónica do colapso e da sobrevivência num mundo caótico. 

13.

Biloba
Sala de Espera

Os Biloba constroiem um som que cruza rock alternativo, pós-punk, jazz e hip-hop com letras em português que reflectem sobre incerteza, tensões sociopolíticas e estados de espera face ao futuro e às crises contemporâneas. Sala de Espera aborda temas como crise habitacional, consumo desenfreado, impacto ambiental e conflitos, equilibrando momentos de groove e experimentação com observações sociais incisivas e texturas sonoras imaginativas.

12.

Quase Nicolau
Felicidade Moderna

Felicidade Moderna é o primeiro álbum de longa duração da banda portuguesa Quase Nicolau após quase três anos de composição e experimentação. O disco de onze canções faz da pergunta “o que é felicidade moderna?” o seu fio condutor, reunindo arranjos que vão do acústico ao electrónico, com guitarras, pianos, metalofone, saxofones e manipulações sonoras que criam mundos próprios para cada tema.

11.

Inês Sousa
Mikado

Mikado é o álbum de estreia de estúdio da cantora, compositora e multi‑instrumentista portuguesa Inês Sousa. Depois de participar em vários projectos nacionais e de lançar singles como Tornado e Ainda, este disco de 12 faixas aproxima‑se do indie pop com histórias de amor, desamor, luta interna e liberdade, construído como um jogo de destreza criativo em que melodias e letras se entrelaçam de forma lírica e emocional.

10.

Luta Livre
Contrafação

Contrafação é o terceiro álbum de estúdio do projecto português liderado por Luís Varatojo (dos Peste & Sida, A Naifa, entre outros), sucedendo a Técnicas de Combate (2021) e Defesa Pessoal (2023). O disco apresenta um retrato crítico e satírico da sociedade portuguesa contemporânea, com letras que misturam escárnio, observações sociais e humor ácido sobre temas como desinformação, nostalgia fabricada e contradições culturais.

09.

Noiserv
7305

Parece mentira mas David Santos, aka Noiserv, já celebra 20 anos de carreira. E o título deste disco, 7305, é precisamente o número de dias da sua carreira. O disco de nove temas mistura introspecção, memórias e colaborações com artistas como Surma, Milhanas e A Garota Não em canções que reflectem fases diversas da sua vida e percurso artístico. 7305 reafirma a identidade sonora singular de Noiserv.

08.

Lisa Sereno
Belonging

Belonging é o álbum de estreia de estúdio da cantautora portuguesa Lisa Sereno (nome artístico de Maria João Lameiras), editado a 7 de novembro de 2025 pela Omnichord Records. O disco de 8 faixas constrói‑se em torno de atmosferas pop‑folk intimistas e voz aveludada, explorando a necessidade de pertença, os processos de luto e o reconhecimento dos próprios sentimentos como forma de encontrar um “lugar que se sente como casa”, tanto externo como interno.

07.

Lavoisier
era com h

era com h é um disco que explora a poesia contemporânea em português através de uma abordagem musical experimental e narrativa. Para este trabalho, os Lavoisier convidaram poetas como Alice Neto de Sousa, José Luís Peixoto, Nástio Mosquito e outros, escolhidos pelo seu compromisso e dinamização da poesia atual. era com h desenvolve-se como uma manifestação onírica e imaterial, centrada na gravidade das palavras, criando um espaço colectivo de reflexão, existência e imaginação onde a linguagem se transforma em música e experiência sensorial.

06.

Afonso Rodrigues
Areia Branca

Areia Branca aposta num registo íntimo e contemplativo, onde a canção portuguesa ganha espaço para silêncio, memória e observação interior. Entre arranjos depurados e uma escrita serena, o disco revela um lado mais pessoal do músico. É o álbum de estreia a solo de Afonso Rodrigues, conhecido pelo trabalho nos Sean Riley & The Slowriders e nos Keep Razors Sharp.

05.

Mia Tomé
Há um Herbário no Deserto

Entre arranjos contidos e uma voz próxima, o trabalho de Mia Tomé, Há um Herbário no Deserto, explora crescimento, fragilidade e transformação. É um espaço de delicadeza e contemplação, onde a canção de autor se cruza com imagens naturais e uma escrita sensível ao detalhe.

04.

Humberto
Mau Teatro

Mau Teatro constrói um universo de canções cruas e irónicas, onde o quotidiano, a desilusão e a auto-observação se cruzam num registo de pop rock íntimo e direto. A escrita assume o erro, o desconforto e a encenação como parte do jogo emocional. É o álbum de estreia do músico, afirmando uma identidade autoral clara e sem artifícios.

03.

Maze
O Eremita

O Eremita é um disco denso e introspectivo, onde Maze, rapper português membro dos Dealema, se afasta do ruído exterior para um exercício de escrita pessoal, reflexiva e espiritualmente inquieta. Entre beats contidos e palavras pesadas de significado, o isolamento surge como ferramenta de autoconhecimento.

02.

Rita Cortezão
tudo, um pouco

tudo, um pouco, de Rita Cortezão, move-se num território íntimo entre pop delicado e escrita confessional, onde a contenção emocional diz tanto como as palavras. Canções pequenas em escala mas precisas no impacto, feitas de detalhes quotidianos e vulnerabilidade assumida. É o disco de estreia da artista, apresentando uma voz autoral clara e desarmante.

01.

Vaiapraia
Alegria Terminal

Alegria Terminal mergulha num rock melancólico e luminoso ao mesmo tempo, onde ironia, desgaste emocional e pequenos gestos de esperança convivem em canções de aparente leveza. Entre guitarras estrondosas e escrita confessional, o disco refina o universo da banda. É o terceiro e incrível álbum de estúdio do grupo, afirmando uma maturidade emocional e estética clara no seu percurso.

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