No ano em que assinala 30 edições, o Festival Termómetro volta a cumprir a sua vocação primordial: procurar, escutar e dar palco a quem está a começar. As primeiras dez bandas seleccionadas já são conhecidas — 10/16, Caparro, Esquerda, Filipa Torres, Full K, Luís Lucas, Martin Limbo, MÓRIA, Rita Cortezão e The Mirandas — e, como é habitual neste festival, muitos destes nomes poderão ainda soar desconhecidos para o grande público. É precisamente aí que reside a essência do Termómetro: um espaço de descoberta, risco e primeiro contacto.
Criado como uma plataforma itinerante, o festival percorre o país para apresentar novos autores e projectos emergentes, culminando numa final em Lisboa. Entre os primeiros seleccionados deste ano há propostas vindas de Águeda, Alcobaça e até do Brasil, com uma diversidade sonora que atravessa géneros como o hip-hop, o indie rock, o shoegaze, os blues e o jazz, espelhando a heterogeneidade da nova música feita em português — e para lá dele.
A edição de 2026 arranca em março e estende-se até 10 de maio, data da final marcada para o LAV – Lisboa ao Vivo, onde actuarão três finalistas e artistas convidados, antes do anúncio dos vencedores. Para já, estão confirmadas passagens por Aveiro, Angra do Heroísmo, Cascais e Odemira, com novas cidades a serem anunciadas em breve. Os bilhetes para a final já se encontram à venda, antecipando um momento que costuma revelar tendências e futuros protagonistas da música nacional.
As inscrições continuam abertas, o que significa que o mapa do Termómetro ainda está longe de fechado. Tal como em edições anteriores, o festival mantém-se atento a projectos sem distinção de percurso ou estatuto profissional, acolhendo músicos com ou sem contrato discográfico, com discos editados ou ainda em fase embrionária.
Fundado em 1994 por Fernando Alvim, o Termómetro consolidou-se como um dos mais duradouros e activos festivais portugueses dedicados à nova música. Ao longo das últimas três décadas, foi aqui que começaram caminhos tão distintos como os dos Silence Four, Ornatos Violeta, Tatanka, Noiserv ou Capicua, entre muitos outros. Vencendo ou não, a passagem pelo Termómetro tem funcionado, ano após ano, como um verdadeiro ponto de partida.
Trinta edições depois, a missão mantém-se intacta: procurar novas vozes, novas bandas e novas ideias, medindo, edição após edição, a temperatura criativa de um país em constante mutação sonora.
* fotografia de Vera Marmelo









