Ágora regressa ao Castelo de Leiria entre 18 e 20 de setembro. Edição dedicada ao encontro, à escuta e à contemplação.

Francisco Pereira

O evento Ágora regressa ao Castelo de Leiria de 18 a 20 de setembro de 2026 com uma programação eclética de música e artes performativas.

O Castelo de Leiria volta a receber o ÁGORA, para três dias em que a música, a performance, a instalação, as oficinas e o património cruzam-se num convite à descoberta de novas formas de habitar este lugar histórico. No alto do Castelo de Leiria, entre muralhas erguidas para proteger e resistir, o ÁGORA propõe um outro gesto: transformar um lugar de defesa num lugar de encontro. Habitar as pedras não como fronteira, mas como espaço de escuta, partilha e imaginação.

Ao longo de três dias, o ÁGORA propõe uma experiência mais intimista, onde a música, a palavra e a criação artística oferecem-nos uma suspensão rara. Um tempo onde podemos abrandar, ouvir o outro e ouvir-nos a nós próprios. Há momentos de luz e momentos de sombra, de inquietação, celebração, silêncio e esperança. Todos fazem parte da mesma travessia.

O ÁGORA convida-nos a percorrer esse caminho. Uma viagem onde a cultura não apaga as feridas, mas ajuda-nos a reconhecê-las, a cuidar delas e a encontrar novas formas de continuar, porque também a cura pode ser coletiva.

Entre os primeiros nomes confirmados temos Asmâa Hamzaoui & Bnat Timbouktou, referência maior da tradição Gnawa marroquina e um dos projetos mais marcantes da nova geração desta linguagem musical; Israa Shalaby, artista palestiniana que cruza voz, espiritualidade e experimentação numa performance profundamente imersiva; Margaret Hermant, compositora belga que apresenta um universo delicado com a sua harpa, eletrónica e silêncio; PAUS, apresentam Enterro, o disco que marca a despedida da banda dos palcos; Rita Silva & Mbye Ebrima, um duo que é fruto da interseção de práticas distintas, repetição e a variação melódica vindas das tradições do minimalismo ocidental e dos sistemas de oralidade da África ocidental; Manto Azul, por Haydn Douet Lukies e Afonso Simões cruza percussão acústica e um caráter hipnótico; e por fim el djinn الجن , que apresenta mā tmutish, uma obra construída a partir de vozes palestinianas onde a palavra, a memória e a resistência ocupam um lugar central.


ÁGORA prolonga-se também para lá dos espetáculos com um gesto simples, um piquenique comunitário nas Varandas do Castelo de Leiria, Partir Pão, Partir Pedra é um convite para começar o primeiro dia de ÁGORA com encontro e partilha. Cada pessoa é convidada a trazer pão, petiscos, fruta, bebidas ou qualquer comida para colocar numa mesa comum. Porque acreditamos que comer juntos também é construir juntos: criar laços, partilhar histórias e descobrir novas formas de ocupar o Castelo.

O Castelo recorda-nos que as pedras tanto podem erguer muralhas como construir pontes. Essa escolha continua a ser nossa, e talvez seja esse o maior gesto da cultura: criar lugares onde o encontro vence o afastamento, onde a escuta vence o ruído e onde a criação nos lembra que há sempre outras formas de imaginar e construir o futuro.

Tal como nas edições anteriores, o bilhete habitual do Castelo de Leiria garante o acesso às atividades do ÁGORA, com lotação limitada à capacidade dos espaços. O acesso ao castelo é gratuito para residentes no concelho de Leiria, mediante apresentação de comprovativo de morada e identificação.

ÁGORA é um projeto cultural, que ao longo de três dias, propõe um programa de música, artes performativas, instalações artísticas e ativa uma fruição e reflexão do património (i)material no seio do Castelo de Leiria.

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