19 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #37/2026 – Nesta semana, acordamos com álbuns de David Bowie, Neil Young, Beck, Benjamim e muito mais.

David Bowie, The Shel Talmy Recordings (Parlophone)

O arquivo histórico de David Bowie é enriquecido com The Shel Talmy Recordings, uma compilação de 21 faixas dedicadas à fase embrionária em que o artista gravava como Davie Jones. O disco, registado sob a produção do lendário Shel Talmy, resgata as sessões com os Mannish Boys e The Lower Third em pleno auge do movimento mod britânico de 1965. Entre raridades, inéditos e riffs influenciados pelo blues e pelo rhythm and blues, a coletânea oferece um vislumbre fascinante da génese criativa de um ícone antes do estrelato.

Neil Young and the Chrome Hearts, Second Song (Reprise/Warner)

Neil Young edita com os The Chrome Hearts o registo Second Song. Documentando atuações da digressão mundial de 2025, o álbum é produzido por Lou Adler, Niko Bolas e Young sob o pseudónimo The Volume Dealers. Entre clássicos absolutos como “Ohio” e “Harvest Moon” e pérolas menos habituais como “Be the Rain” ou a nova “Silver Eagle”, o trabalho assume as fragilidades e a crueza da maturidade.

Beck, Ride Lonesome (Capitol Records)

Beck regressa aos tons melancólicos e acústicos com Ride Lonesome, um trabalho pautado pela contemplação e pela riqueza melódica. O disco, gravado com os músicos de Sea Change e Morning Phase, e com misturas de Nigel Godrich, destaca-se pelos arranjos de orquestra e sinfonietas desenhadas pelo seu pai, David Campbell.

Benjamim, Crónicas do Monte Zeus (Discos Submarinos)

O músico e produtor português Benjamim regressa em nome próprio com Crónicas do Monte Zeus, o seu quinto álbum de estúdio. Assinalando um regresso direto às origens e à centralidade da palavra, o trabalho sintetiza a experiência humana através de oito composições focadas no quotidiano, no amor e no mundo do trabalho.

Echo & The Bunnymen, Apples For Isaac (BMG)

Os lendários Echo & The Bunnymen regressam com Apples For Isaac, o seu primeiro registo de originais em doze anos. A dupla constituída por Ian McCulloch e Will Sergeant, afasta-se do post-punk sombrio e denso e foca-se na sua vertente neo-psicadélica de guitarras luminosas. O disco celebra o legado do grupo, entregando uma coleção coesa, calorosa e melodicamente envolvente.

Nicole Atkins, Drama (Sun Records)

A cantautora norte-americana Nicole Atkins regressa com Drama, um álbum onde reafirma a ambição de criar canções modernas dignas do grande cancioneiro americano. O álbum equilibra a estética neo-crooner com temas prementes como a solidão, o amor e o desencanto contemporâneo.

Dragonflies, Dragonflies

Fruto do encontro fortuito entre o músico Dhani Harrison e o aclamado produtor Nigel Godrich, surge o projeto colaborativo Dragonflies. A obra equilibra a sensibilidade do folk psicadélico com paisagens eletrónicas, alicerçadas em sintetizadores analógicos, piano e loops de fita. A dupla revela uma parceria elegante, intimista e surpreendentemente coesa.

Slow Pulp, Melodie (ANTI-)

O quarteto de indie rock Slow Pulp regressa com Melodie, o seu terceiro álbum de estúdio, movido por uma forte pulsão reflexiva e introspetiva. Centrado no trabalho composicional do guitarrista Henry Stoehr e da vocalista Emily Massey, o disco revisita memórias do passado, cicatrizes emocionais e episódios de isolamento sob a perspetiva da maturidade.

beabadoobee, Pylon (Dirty Hit)

beabadoobee também está de volta com o novo Pylon, o seu quarto álbum de estúdio, e que mergulha num indie rock encorpado e impregnado de grunge. Coescrito em grande parte com Shane Moran (Title Fight) e contando com colaborações de peso como Hayley Williams, Chino Moreno e Matty Healy, o registo conjuga a nostalgia dos anos 90 com a energia do emo-pop dos anos 2000.

Emma Ruth Rundle, These Killing Times (Errant Child)

Emma Ruth Rundle regressa com These Killing Times, um registo onde a recuperação pessoal se cruza com uma postura de resistência perante o desencanto global. O álbum abraça texturas do rock alternativo dos anos 90 e do gothic metal. Rundle encontra na criação comunitária (foi gravado com Nick Reinhart (Tera Melos) e Gina Gleason (Baroness)) uma luz revigorante e cheia de esperança.

Seasick Steve, The Last Season of America (Eastcote Recordings)

Cruzando o território norte-americano numa viagem de carro que inspira o seu novo trabalho, Seasick Steve apresenta The Last Season of America. O veterano do blues cru aborda o desmantelamento do sonho americano através da sua voz cavernosa e guitarras rústicas. O disco é um manifesto visceral, direto e surpreendentemente esperançoso.

Roger Taylor, Violence Insane In A Beautiful World

Violence Insane In A Beautiful World marca o regresso a solo do histórico baterista dos Queen, Roger Taylor. O sétimo álbum de estúdio do músico britânico reúne nove composições originais e uma releitura de “Jealous Guy”, de John Lennon. Entre a reflexão pessoal, a crítica social acutilante e experimentações sonoras inesperadas, Taylor entrega uma obra multifacetada, vigorosa e repleta de identidade.

Carly Rae Jepson, Day And Night (Interscope)

Refletindo uma fase de profunda transformação pessoal e maturação criativa, a estrela canadiana Carly Rae Jepsen apresenta o ambicioso álbum duplo Day And Night. O projeto de vinte e quatro faixas mergulha numa estética inspirada no início da década de 1970, cruzando a pop de pista com nuances disco e folk.

Actress, Radical Frame (Ninja Tune)

O produtor britânico Darren J. Cunningham apresenta Radical Frame, sob o seu prestigiado pseudónimo Actress. O décimo álbum de estúdio do sound designer reconfigura a vanguarda musical como uma invenção afrodescendente, cruzando techno crepuscular, machine funk, ambient expansivo e desconstruções de grime. E apresenta colaborações com CASISDEAD e Rainy Miller.

Jesus Jones, Twilight

Os britânicos Jesus Jones apresentam Twilight, o seu oitavo álbum de estúdio e o sucessor de Passages and Voyages. Inspirado pela reconexão com o público na digressão do 35.º aniversário, o grupo liderado por Mike Edwards cruza rock alternativo, eletrónica, texturas industriais e detalhes inesperados de guitarra flamenca.

Tokyo Tea Room, Feel Forever

O coletivo britânico Tokyo Tea Room apresenta o seu novo trabalho de estúdio, Feel Forever. O disco destaca-se como uma celebração de ritmos luminosos, combinando uma sensibilidade chillout urbana com a energia contagiante e otimista dos dias de verão.

Corella, A Beautiful World To Lose (FLG)

Nascido nas ruas de Manchester, o quarteto de indie rock Corella edita o seu aguardado segundo álbum de estúdio, A Beautiful World To Lose. O grupo formado por Joel Smith, Ben Henderson, Jack Taylor e James Fawcett troca a pop-indie descontraída por uma sonoridade mais pesada, agressiva e vulnerável. O disco aborda o descontentamento político, a desilusão geracional e a defesa da autenticidade humana na era da inteligência artificial.

The Cheap Thrills, Keep Cheap

The Cheap Thrills estreiam-se nos discos de longa-duração com Keep Cheap. Lembrando a garra do indie rock britânico do início dos anos 2000 — entre a acutilância dos Arctic Monkeys e a crueza dos The Libertines —, o registo condensa a energia dos seus concertos.

Orville Peck, Mule

Orville Peck aventura-se por novos territórios estéticos no seu novo disco, Mule. O artista mascarado conjuga a sua voz profunda de barítono com arranjos encorpados de gothic Americana, indie rock e nuances de dram-pop. O álbum reafirma a singularidade do músico no panorama contemporâneo, num equilíbrio notável entre mistério, teatralidade e pura entrega vocal.

* fotografia de David Bowie de Smith Archive/Alamy

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