Marina Mole é uma das vozes mais multifacetadas e instigantes da nova criação independente. Natural de Brasília e estabelecida em São Paulo, a cantautora, poetisa, artista visual e jornalista constrói uma trajetória marcada pela liberdade estética. O seu percurso musical começou a ganhar tração com edições lo-fi confessionais e várias colaborações, afirmando-se num território onde a atitude punk, o surf rock e o shoegaze se cruzam com uma sensibilidade poética sem filtros.
O ano de 2026 marca a consolidação definitiva do seu percurso artístico com o lançamento do álbum conceitual Azucrim. Lançado pela editora Café8 Music e gravado analogicamente em fita de rolo, o disco apresenta a narrativa surrealista de um anjo que desce à Terra para experienciar a condição humana, atravessando etapas de amor, perda, ilusão e redenção. Antecipado por temas como “Luneta Azul”, Azucrim traduz a maturidade de uma artista que domina a criação tanto na música como na componente visual das suas obras.
Convidada pelo Mente Cultural para partilhar o seu baú de referências, Marina Mole aceitou o desafio e selccionou os 11 álbuns que servem de bússola ao seu universo sonoro e concetual. Numa escolha exclusiva para o site, a artista abre portas às audições fundamentais que moldaram o seu olhar sobre o mundo e a sua música, revelando o mapa das influências que ajudaram a erguer este universo tão disruptivo quanto fascinante.
* fotografia de Karin Santa Rosa
1. Elvis Presley
Elvis Presley (1956)
Podem falar o que quiserem, ele mudou a minha vida. Risos. Às vezes ensaio seus movimentos na frente do espelho.
2. Rowland S. Howard
Teenage Snuff Filme (1999)
Este é o meu herói da guitarra, além de ser um grande compositor. Espero um dia poder chegar perto de ter tanta personalidade tocando guitarra. A música Breakdown (And Then…) é um grande exemplo do talento desse artista.
3. Oruã
Slacker (2025)
Uma das melhores bandas brasileiras da atualidade. Quanto mais ouço, mais me inspiram. Lê Almeida também é um herói da guitarra.
4. Scout Niblett
The Calcination of Scout Niblett (2010)
Amo o som cru desta artista, ainda quero um dia fazer um álbum que seja super minimalista, apenas com guitarra. Ela também tem um jeito de cantar super expressivo e suas músicas são super confessionais.
5. Arnaldo Baptista
Let it Bed (2004)
Não sei porque as pessoas não ouvem mais esse disco do Arnaldo, é bom demais.
6. The Jesus and Mary Chain
Darklands (1987)
Quando penso em timbres perfeitos, penso em The Jesus and Mary Chain.
7. The Brian Jonestown Massacre
Methodrone (1995)
Foi um álbum que ouvi muito na época em que eu estava compondo meu trabalho mais recente (Azucrim). Adoro os timbres das guitarras, gosto especialmente da música “Wasted”.
8. David Bowie
The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972)
A Marina de 18 anos era obcecada por David Bowie. Continuo sendo muito fã do trabalho dele e esse álbum é basicamente perfeito. A persona Ziggy Stardust mudou o mundo da música para sempre e mudou a minha percepção sobre o que é ser um artista.
9. Ed Askew
Imperfiction (2012)
Atualmente estou fascinada por esse artista e seu jeito de compor e cantar. Indico para quem gosta de Daniel Johnston e Leonard Cohen.
10. Pescado Rabioso
Artaud (1973)
Precisa de explicação? É uma obra prima do rock argentino.
11. John Lennon
Plastic Ono Band (1970)
Quando penso em timbres perfeitos, penso em The Jesus and Mary Chain.



