CRÍTICAS

“Pressure”: a história do homem que adiou o Dia D
Se alguém apresentasse esta história numa reunião de argumentos, provavelmente seria acusado de exagerar. O destino da maior operação militar da História dependente de um grupo de meteorologistas fechados numa sala a discutir frentes atmosféricas? Aconteceu mesmo. E Pressure tem inteligência suficiente para perceber que não precisa de inventar nada.

“Margo’s Got Money Troubles”: ninguém está preparado para a vida adulta
Se David E. Kelley passou décadas a escrever sobre pessoas ricas com problemas complicados, aqui vira o tabuleiro ao contrário. Margo não tem advogados brilhantes, mansões à beira-mar ou segredos milionários. Tem um bebé, uma renda para pagar e um algoritmo que recompensa quem aprende depressa a vender atenção.

Entre o pesadelo e a gargalhada, “Widow’s Bay” encontrou um território só seu
Nem todas as vilas costeiras escondem segredos. Algumas escondem maldições e criaturas inexplicáveis. Felizmente para nós, existe Widow’s Bay, uma das surpresas do ano.

“Half Man”: Richard Gadd e Jamie Bell dão um soco no estômago da TV
Depois do terramoto de Baby Reindeer, o criador escocês regressa sem medo de falhar e entrega um thriller psicológico avassalador. A nova série da HBO usa a violência emocional para desarmar a masculinidade tóxica, provando que o talento de Gadd não foi um golpe de sorte.

“The Mandalorian and Grogu”: algoritmo em ação non stop
Duas horas depois, sobra pouco mais do que o barulho das naves e um ou outro meme de Grogu. Não é exatamente mau, mas apenas competente.

“The History of Concrete”: o peso invisível do betão e das coisas pequenas
O IndieLisboa decidiu fechar a sua 23ª edição com chave de ouro. John Wilson apareceu em pessoa para apresentar The History of Concrete, transformando o final do festival num daqueles momentos improváveis que parecem saídos do próprio cinema dele.

“Michael”: a versão limpa de um génio polémico
Ignora os escândalos, amplifica os hits. Entre a polémica e o moonwalk, o público já decidiu: a crítica que fique sentada — as salas estão a dançar.

“Beef 2”: Guerra fria em modo luxo
A segunda temporada troca a explosão imediata por um veneno lento — menos visceral, mais calculado, e nem sempre tão eficaz. Mas os atores estão no seu melhor.

“Jury Duty: Company Retreat”: o prazer culpado de ver alguém ser enganado
Se a primeira temporada era um tribunal onde a realidade era uma encenação, esta transforma o mundo corporativo num teatro ainda mais absurdo, com muitas gargalhadas garantidas.

“Fackham Hall”: nem sempre acerta, mas tenta sempre
Não vale a pena complicar: Fackham Hall sabe exatamente o que é e não tenta disfarçar. Começa como uma paródia de dramas de época à la Downton Abbey — e nunca larga essa ideia, só vai puxando cada vez mais até ao absurdo.

“DTF St. Louis”: sem truques, só escrita e atores a sério
DTF St. Louis entra como mais uma série sobre relações falhadas e sexo fora do casamento, mas rapidamente muda de direção e surpreende pela positiva. Com três atores em estado de graça.

“Bait”: quem pode ser James Bond?
Em “Bait”, nova sátira da Prime Video, Riz Ahmed vive um ator cuja audição para ser o novo James Bond se torna um fenómeno viral caótico. A série utiliza este pretexto para explorar, com humor ácido, as pressões das redes sociais e os dilemas de identidade na indústria atual.