CRÍTICAS

Mais do que um filme, um acontecimento: “The Odyssey” confirma Christopher Nolan como o último grande épico de Hollywood.
Se alguém ainda tinha dúvidas de que Christopher Nolan pensa sempre em grande, basta olhar para The Odyssey. Não lhe bastou adaptar um dos textos fundadores da literatura ocidental; tinha também de o transformar numa experiência concebida para esmagar o espectador através do maior ecrã possível.

“The Invite”: O jantar mais desconfortável — e divertido — do ano
Os melhores filmes sobre casamentos raramente falam de casamentos felizes. Falam de conversas adiadas, desejos mal arrumados e daquela pergunta que ninguém gosta de fazer: “E se estivermos apenas a repetir a mesma vida?” É precisamente aí que The Invite decide sentar-nos à mesa.

Há filmes que se veem. “Tuner” também se ouve
É raro um filme conseguir transformar o som na personagem mais importante da história. Em Tuner, cada porta que bate, cada buzina e cada nota desafinada contam tanto como os próprios diálogos. O suspense não nasce do que vemos, mas daquilo que o protagonista é incapaz de deixar de ouvir.

“Pressure”: a história do homem que adiou o Dia D
Se alguém apresentasse esta história numa reunião de argumentos, provavelmente seria acusado de exagerar. O destino da maior operação militar da História dependente de um grupo de meteorologistas fechados numa sala a discutir frentes atmosféricas? Aconteceu mesmo. E Pressure tem inteligência suficiente para perceber que não precisa de inventar nada.

“Margo’s Got Money Troubles”: ninguém está preparado para a vida adulta
Se David E. Kelley passou décadas a escrever sobre pessoas ricas com problemas complicados, aqui vira o tabuleiro ao contrário. Margo não tem advogados brilhantes, mansões à beira-mar ou segredos milionários. Tem um bebé, uma renda para pagar e um algoritmo que recompensa quem aprende depressa a vender atenção.

Entre o pesadelo e a gargalhada, “Widow’s Bay” encontrou um território só seu
Nem todas as vilas costeiras escondem segredos. Algumas escondem maldições e criaturas inexplicáveis. Felizmente para nós, existe Widow’s Bay, uma das surpresas do ano.

“Half Man”: Richard Gadd e Jamie Bell dão um soco no estômago da TV
Depois do terramoto de Baby Reindeer, o criador escocês regressa sem medo de falhar e entrega um thriller psicológico avassalador. A nova série da HBO usa a violência emocional para desarmar a masculinidade tóxica, provando que o talento de Gadd não foi um golpe de sorte.

“The Mandalorian and Grogu”: algoritmo em ação non stop
Duas horas depois, sobra pouco mais do que o barulho das naves e um ou outro meme de Grogu. Não é exatamente mau, mas apenas competente.

“The History of Concrete”: o peso invisível do betão e das coisas pequenas
O IndieLisboa decidiu fechar a sua 23ª edição com chave de ouro. John Wilson apareceu em pessoa para apresentar The History of Concrete, transformando o final do festival num daqueles momentos improváveis que parecem saídos do próprio cinema dele.

“Michael”: a versão limpa de um génio polémico
Ignora os escândalos, amplifica os hits. Entre a polémica e o moonwalk, o público já decidiu: a crítica que fique sentada — as salas estão a dançar.

“Beef 2”: Guerra fria em modo luxo
A segunda temporada troca a explosão imediata por um veneno lento — menos visceral, mais calculado, e nem sempre tão eficaz. Mas os atores estão no seu melhor.

“Jury Duty: Company Retreat”: o prazer culpado de ver alguém ser enganado
Se a primeira temporada era um tribunal onde a realidade era uma encenação, esta transforma o mundo corporativo num teatro ainda mais absurdo, com muitas gargalhadas garantidas.