CRÍTICAS

“Wuthering Heights”: o clássico em combustão estética
Há histórias que sobrevivem intactas ao tempo. E há outras que só fazem sentido quando alguém tem a coragem de as partir e ver o que ainda sangra. Este Wuthering Heights não quer ser fiel — quer ser verdadeiro, mesmo que isso implique perder-se no nevoeiro emocional que o próprio criou.

“The Voice of Hind Rajab”: ouvir até ao desconforto total
Nomeado para Melhor Filme Internacional, tornou-se uma das grandes sensações do ano: não por recorrer ao choque gratuito, mas precisamente pelo contrário: pela contenção e pelo peso ético daquilo que escolhe mostrar — e, sobretudo, fazer ouvir.

Hamnet: de obra infilmável a fenómeno emocional
Sai-se da sala devagar, como quem acabou de assistir a um velório coletivo. Há gente de olhos vermelhos, gente em silêncio absoluto e que não consegue comentar o que acabou de ver. Hamnet provoca esse efeito raro, e é um dos filmes mais nomeados do ano.

“Sentimental Value”, ou como o passado nunca fica arrumado
Estreado em competição em Cannes e rapidamente apontado como um dos filmes do ano, Sentimental Value chega aos Óscares com nove nomeações e um consenso raro em torno do cinema de Joachim Trier, cada vez mais confortável entre o circuito europeu e a temporada de prémios americana.

“Marty Supreme”: jogar para ganhar, custe o que custar
Com nomeações aos Óscares, uma vitória de Timothée Chalamet nos Globos de Ouro e uma série de prémios que o colocam na pole position para Melhor Ator, Marty Supreme chega como um dos filmes mais falados do ano. Um retrato nervoso e acelerado de um anti-herói impossível de ignorar, à imagem do cinema dos irmãos Safdie.

“Heated Rivalry”: um fenómeno inesperado
Produzida em tempo recorde, com baixo orçamento e sem grandes expetativas, Heated Rivalry passou de série canadiana discreta a fenómeno global depois de ser comprada pela HBO.
“Song Sung Blue”: quando o karaoke passa a carreira
Baseado numa história real, Song Sung Blue acompanha um casal que transformou um tributo a Neil Diamond numa carreira improvável. Tanto, que chegaram a tocar com os Pearl Jam…

“Rental Family”: afetos por aluguer e emoções a prestações
Há filmes que sabem exactamente ao que vêm e não tentam ser outra coisa.
Este é daqueles que entra de mansinho, pede empatia e sai com um abraço.

“Father, Mother, Sister, Brother”: três histórias, a mesma distância emocional
À primeira vista, parece um filme fragmentado. À segunda, percebe-se que Father, Mother, Sister, Brother é tudo menos disperso — é um exercício de variações sobre o mesmo silêncio.

“Die My Love”: o filme que não quer ser amado
Há filmes que entram em cena para agradar. Outros chegam para incomodar, mesmo que isso signifique afastar público, prémios e consenso. Die My Love pertence claramente à segunda categoria.

“Pluribus”: consenso é o novo vírus
Depois de anos a ser injustamente ignorada, Rhea Seehorn encontra finalmente uma personagem à sua medida. Pluribus é lenta, desconfortável e pouco interessada em agradar — tal como a sua protagonista.

“I Love LA”: comédia nervosa de uma cidade em modo feed
Em I Love LA, viver em Los Angeles não é um sonho, é um full-time job. Rachel Sennott usa a comédia para mostrar uma cidade onde tudo é exposição, tudo é estratégia — e quase nada é descanso.