10ª edição do Festival Mental anuncia programação, vencedor do prémio M-Cinema 2026 e celebra uma década de cultura e saúde mental em Portugal.

Francisco Pereira

O Festival Mental celebra 10 anos em Lisboa de 14 a 17 de maio. Cinema, música com Maria João, debates e artes na Quinta das Conchas e São Jorge.

10ª edição do Festival Mental – Cinema, Artes e Informação realiza-sede 14 a 17 de maio, em Lisboa, com programação distribuída por espaços emblemáticos como o Cinema São Jorge e a Quinta das Conchas. Esta edição assinala uma década de um projeto pioneiro em Portugal que, através da cultura, tem vindo a promover a saúde mental, combater o estigma e contribuir ativamente para a literacia nesta área.

Mais do que um festival, o Festival Mental afirma-se como uma plataforma de encontro entre ciência, arte e sociedade, reunindo cinema, música, teatro, dança, literatura, pensamento crítico e participação comunitária. Ao longo de dez anos, construiu um percurso consistente, acompanhando a evolução do discurso público sobre saúde mental e antecipando temas que hoje são centrais no debate contemporâneo.

As celebrações arrancam a 12 de maio, às 18h30m, com um Warm Up no atmosferam, espaço do parceiro Montepio Associação Mutualista, que apresenta uma seleção de filmes vencedores de edições anteriores – um momento de revisitação e memória que prepara o público para esta edição comemorativa. A entrada, mediante inscrição para o e-mail atmosferam.lisboa@montepio.pt é limitada ao número de lugares disponível.

O cinema mantém um papel central na programação através da Mostra Internacional de Curtas-Metragens (M-Cinema), eixo estruturante do festival, que reúne uma seleção criteriosa de obras com elevada qualidade artística e relevância temática. Em 2026, o filme foi atribuído a Rzeczyznalezione (Lost& found), da realizadora polaca Wiktoria Kwoka, que estará em Portugal para receber o troféu. A curta-metragem foi distinguida por um júri constituído por especialistas das áreas do cinema e da psicologia: Francisco Costa (editor de Cinema e Programador no Festival Mental), Maria João Barros (psicóloga clínica e psicoterapeuta), Sérgio Viana (psicólogo clínico e presidente da Delegação Regional do Centro da Ordem dos Psicólogos) e Rui Henriques-Coimbra (correspondente em LA da HFPA).

O troféu é novamente produzido e oferecido pela SILDEL, reforçando a ligação entre o setor empresarial e o apoio à cultura e à saúde mental. A CARMA consolida-se como parceiro fundamental na viabilização do prémio da Mostra Internacional de Curtas-Metragens, assumindo um papel determinante na valorização do cinema enquanto ferramenta de impacto social e promoção da literacia em saúde mental.

“Há temas que durante demasiado tempo viveram no silêncio. A saúde mental foi um deles. Falar é essencial, mas mais do que falar, é fundamental normalizar. Tornar estas conversas parte do quotidiano, acessíveis, informadas e livres de estigma. Criar espaço para esse diálogo é um passo decisivo para uma sociedade mais consciente, mais empática e mais humana. (…) Mais do que celebrar obras, celebramos o impacto que estas histórias podem ter na forma como pensamos, como sentimos e como cuidamos uns dos outros. Porque falar de saúde mental não é uma tendência. É uma responsabilidade coletiva. Porque uma mostra internacional de curtas-metragens não é apenas cultura. É um dos canais de mensagem mais eficazes, um espaço onde dados, narrativa e emoção se encontram ao serviço da mudança.”

Filipe Manuel Pereira, CARMA

“Mais do que um objeto, este troféu é um símbolo vivo da capacidade de regenerar, de criar laços inesperados e de encontrar, no outro, a força para continuar.”

IsabelSilva, SILDEL

A programação dá também destaque ao talento português, com a exibição das curtas Uma História Mal Narrada, de Rui Paulo Silva, A Minha Casa, de André Fontaneta d’Errico e Catarina Reis Bogalho, e EGO, de Diogo Assis e Rafael Vicente – reflexo de uma open call cada vez mais participada e da crescente qualidade da produção nacional.

Nesta edição especial, o festival assume-se como um verdadeiro radar da saúde mentalrevisitando temas, vozes e momentos que marcaram as suas dez edições. As M-Talks regressam com um formato de reflexão sobre o tempo: um olhar sobre o antes e o depois, reunindo convidados que voltam ao festival para partilhar o que mudou — ou não — desde a sua primeira participação. Entre os nomes confirmados estão Vítor Cotovio (psiquiatra, membro do Conselho Nacional de Saúde Mental), Paula Domingos (assistente social, Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental), Miguel Ricou (psicólogo), Catarina Janeiro (psicóloga clínica e psicoterapeuta), Inês Rothes (professora auxiliar FPCEUP), Samuel Antunes (professor universitário, psicólogo e psicoterapeuta), André Viamonte (compositor, cantor e musicoterapeuta), Rui Albuquerque (médico psiquiatra e professor universitário), Ivo Canelas (ator), Cristóvão Campos (ator), Maria João Pinho (atriz) e Surma (música/ artista). A moderação estará a cargo das jornalistas Susana Marvão e Rita Santos, e do encenador Tiago Lima.

M-Click reafirma-se como espaço de pensamento e experimentação, dando palco a ideias inovadoras e projetos emergentes que cruzam cultura, ciência e criatividade. Nesta edição participam Gil Henriques (musicoterapeuta), Luís Latoeiro (empreendedor social), Marcelo Mendonça (neurologista e neurocientista), Maria Melo (psicomotrista) e Sónia Santos (psicóloga), reforçando o papel do festival na antecipação de tendências e na abertura de novas conversas.

Um dos momentos mais marcantes do festival volta a ser o My Story, My Song, onde a música e a experiência pessoal se cruzam num espaço de partilha autêntica e profunda. Aqui, artistas expõem a sua vulnerabilidade, criando uma ligação única com o público e contribuindo para a desconstrução do estigma em torno da saúde mental. A convidada desta edição é Maria João, artista de referência internacional, reconhecida pela sua liberdade criativa e constante reinvenção que será acompanhadapelo músico e produtor João Farinha.

A programação integra ainda o M-Natura, que reforça a ligação entre natureza e bem-estar, com propostas como o workshop infantil “Floresta: Ecossistemas eHabitat” e o documentário Malcata, de Miguel Cortes Costa e Ricardo Guerreiro, seguido de conversa; o M-Play Jovem, com uma nova criação teatral protagonizada por jovens da Unidade W+ da Santa Casa da Misericórdia; o M-Cinema Jovem, dedicado à sensibilização das novas gerações através do cinema; e o M-Senior, com o workshop “Idade Não É Prazo de Validade”.

Ao longo de dez anos, o Festival Mental consolidou-se como um projeto cultural de referência, criando pontes entre diferentes áreas do saber e promovendo uma abordagem informada, sensível e inclusiva da saúde mental. Num tempo em que se fala cada vez mais sobre o tema, o festival continua a afirmar a importância de falar melhor, com conhecimento, responsabilidade e profundidade.

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