15.
Eva Victor
Sorry, Baby
Comédia negra sobre trauma, ansiedade e as estratégias desastrosas que inventamos para lidar com tudo isso. Inteligente, afiada e surpreendentemente leve para o tema que carrega. Um primeiro filme cheio de voz própria.
14.
Jim Jarmusch
Father Mother Sister Brother
Jim Jarmusch entrega um drama familiar minimalista (constituído por três histórias independentes) com humor seco e ritmo lento. Pequenos gestos, poucas palavras e muito subtexto. Simples por fora, afinado por dentro — exatamente o que se espera dele.
13.
Scott Cooper
Springsteen – Deliver Me From Nowhere
Jeremy Allen White interpreta Bruce Springsteen no período de criação de Nebraska, entre crise pessoal e urgência criativa. Cooper evita o cliché biográfico e concentra-se no processo e no homem. Retrato íntimo sem truques melodramáticos.
12.
Richard Linklater
Blue Moon
Passa‑se na noite de 31 de março de 1943, quando o letrista Lorenz Hart abandona a estreia do musical Oklahoma! e acaba num bar a esmiuçar ressentimentos e inseguranças. Ethan Hawke dá uma performance intensa enquanto Hart debate sucesso, amor não correspondido e carreira em declínio. Mais conversa do que ação, mas tudo brilha pelo diálogo e pelo contexto da época.
11.
Oliver Hermanus
The History of Sound
Um romance que atravessa guerra, música e viagem interior entre dois homens que se descobrem enquanto gravam vozes pelo país. Clássico no tom, sensível nos detalhes e muito dependente da química entre os protagonistas. É um romance que se entranha devagar, como música que nos vai conquistando.
10.
Yorgos Lanthimos
Bugonia
Dois ativistas sequestram uma empresária de sucesso convencidos de que ela é uma alienígena a manipular a humanidade. O filme mistura absurdo, paranoia e humor negro numa energia típica do realizador. As situações vão escalando até ao ridículo total. Estranho, desconfortável e divertido nas entrelinhas.
09.
Zach Cregger
Weapons
Uma noite violenta é contada em episódios soltos que só mais tarde encaixam, mudando o sentido de tudo. Terror psicológico com atmosfera espessa e nervo constante. Cregger mostra controlo absoluto do mistério. A veterana Amy Madigan regressa com uma personagem inesquecível que irá ficar na memória dos amantes dos filmes de terror.
08.
Ryan Cooler
Sinners
Situado no Mississippi de 1932, este thriller de vampiros segue irmãos gémeos (ambos interpretados por Michael B. Jordan) que tentam abrir um juke joint cheio de blues e acabam confrontados com um vampiro irlandês sedento. Mistura terror sobrenatural, música e tensão racial num cenário de Proibição e folia sangrenta. A festa logo se transforma em luta pela sobrevivência. Os vampiros aqui não só querem sangue — querem alma e cultura.
07.
Clint Bentley
Train Dreams
Explora a vida de um lenhador no início do século XX com calma quase meditativa, seguindo décadas de mudanças e perdas. Joel Edgerton encarna um homem moldado pelo trabalho duro e pelo tempo lento. A paisagem rural pesa tanto quanto as pequenas derrotas. É cinema feito de momentos mínimos.
06.
Kaouther Ben Hania
The Voice of Hind Rajab
História documental de uma jovem cuja voz gravada se torna símbolo de resistência em contexto de guerra. A realizadora junta imagens simples com significado enorme, sem manipular emoções. É uma narrativa crua sobre o poder de um som. Dificilmente se esquece quem ali fala. Difícil de sair da sala sem um nó na garganta.
05.
Jafar Panahi
It Was Just an Accident
Depois de ser confundido com um torturador do passado, um homem vê a sua vida virada do avesso num jogo de acusações, medo e culpa. Panahi mistura realismo e absurdo à sua maneira tranquila, construindo tensão sem grandes artifícios. O quotidiano infiltra‑se no surreal com naturalidade. O final é um dos mais soberbos que vimos recentemente.
04.
Kleber Mendonça Filho
O Agente Secreto
Thriller político ambientado num cenário urbano onde intrigas e segredos controlam tudo. A tensão social e os pequenos jogos de poder pintam um retrato de um país em ebulição. O realizador constrói suspense sem recorrer a clichés de ação. Fica a sensação de que ninguém está realmente seguro.
03.
Chloé Zhao
Hamnet
A adaptação do romance sobre a morte do filho de Shakespeare vira um drama íntimo cheio de luz natural e dor contida. Paul Mescal e, principalmente, Jessie Buckley carregam o filme como se fos. Zhao filma luto como quem observa uma ferida a fechar devagar. No final, a catarse que era necessária.
02.
Paul Thomas Anderson
One Battle After Another
Bob Ferguson, um ex‑revolucionário, é forçado a regressar à sua antiga vida quando a filha é raptada por um inimigo de longa data. Leonardo DiCaprio lidera um elenco de caras conhecidas numa mistura de humor negro, ação e política, inspirada no romance Vineland. O filme equilibra fúria e sátira com largos planos de estrada americana. É uma batalha atrás de outra com um sorriso torto.
01.
Oliver Laxe
Sirât
Passa-se entre raves perdidas e planícies áridas: um pai e um filho recorrem a pistas improváveis para encontrar a filha/irmã desaparecida. O silêncio, o calor e a espiritualidade misturam-se como parte da narrativa. A dureza do caminho revela mais do que qualquer diálogo. O deserto continua a ecoar mesmo depois do fim.









