Com vinte e cinco anos de carreira a contar desde a estreia fulgurante de Musicforthemorningafter (2001), Pete Yorn conquistou uma posição rara no rock alternativo americano: a de um artesão de canções melancólicas e eficazes que não precisa de provar nada a ninguém. Em 2026, o seu décimo primeiro álbum de estúdio, All the Beauty, chega com uma confiança serena de quem deixou de procurar certezas e aprendeu a conviver com as imperfeições da vida.
Co-produzido por Yorn e pelo seu colaborador habitual Jackson Phillips (a mente por trás de Day Wave), o disco expande a cumplicidade de ambos sem contudo trair a identidade própria do cantautor de Nova Jérsia. Estão lá as guitarras nostálgicas, as melodias viciantes que não nos saem da cabeça e a produção minimalista que sempre caracterizaram o trabalho de Yorn. Mas há uma mudança de tom inegável no ar. Se nos seus primeiros registos a desilusão amorosa surgia como uma surpresa e o tempo parecia algo negociável, em All the Beauty essa inocência deu lugar a uma aceitação madura e consoladora.
A faixa-título abre o caminho ao misturar a solidez do heartland rock com contornos cativantes de indie pop. A esperança de Yorn continua presente, mas surge agora temperada pela experiência acumulada. A tensão psicológica intensifica-se na excelente “Out of My Head”, onde a voz suave do músico carrega um peso emocional contido no seio de uma bateria leve que cresce na medida certa:
Em momentos como “Mine to Call” e “Trains”, o álbum explora a fragilidade das memórias e a forma como falhamos ao narrar o nosso próprio passado. Onde antes havia o choque da rutura, surge agora uma resignação serena: a vida é incerta, o chão já fugiu debaixo dos pés, mas resta a capacidade de continuar a andar. Mais lento, cru e intimista, All the Beauty não é um disco sobre envelhecer, mas sobre encontrar estabilidade no meio do caos. O desconhecido não deixa de assustar; apenas passa a ser um companheiro de viagem familiar. E sabe tão bem ouvir.











