Stereossauro regressa com TRISTANA II, um disco de cabeça levantada e corpo na noite.

Francisco Pereira

Stereossauro lança TRISTANA II em vinil a 30 de janeiro. O novo capítulo de Tristana aprofunda a narrativa com electrónica, palavra e a voz de Ana Magalhães.

Stereossauro prepara-se para editar em vinil, no próximo 30 de Janeiro, TRISTANA II, novo capítulo de um dos percursos mais singulares e coerentes da música portuguesa contemporânea. Continuação directa de Tristana (2023), este novo trabalho aprofunda a personagem que dá nome ao projecto e assinala uma viragem clara no seu universo narrativo e emocional. Se no primeiro disco predominavam a melancolia e a introspecção, agora Tristana surge “de cabeça levantada”, mais afirmativa e resoluta, numa história que se expande ao longo de nove temas onde a palavra continua a ocupar um lugar central.

O primeiro single de avanço, “Martelo de Porcelana”, é emblemático dessa mudança. Aqui, Tristana abandona o refúgio e entrega-se ao risco da noite, à incerteza e à urgência do momento, num registo mais dançável e físico. A dar-lhe voz está novamente Ana Magalhães, presença fundamental na construção desta narrativa, cuja interpretação intensa e crua confere densidade emocional a uma personagem que avança sem medo, de mãos dadas com a aventura e com o desconhecido.

Fadista autodidata, com um percurso enraizado nas casas de fado e no Fado Vadio, Ana Magalhães traz consigo uma autenticidade que nasce da vivência e não da formalidade académica. Natural da região do Porto e radicada há vários anos nas Caldas da Rainha, a cantora reencontra-se com Stereossauro numa fusão onde a tradição fadista dialoga com a electrónica contemporânea. Em TRISTANA II, essa relação ganha novas formas: por decisão estética do produtor, a guitarra portuguesa — presença marcante em trabalhos anteriores — fica de fora, abrindo espaço a outras texturas sonoras e a uma abordagem mais aberta, que atravessa territórios como o house, o techno, o drum’n’bass e o hip-hop.

Esta capacidade de cruzar universos é uma das marcas mais consistentes do percurso de Stereossauro. Produtor de hip-hop com uma profunda ligação à música portuguesa, foi um dos raros artistas da sua geração a ter acesso directo aos espólios de figuras como Amália Rodrigues ou Carlos Paredes, reflexo de um estudo rigoroso e apaixonado da tradição. Ao longo da sua carreira, colaborou com nomes tão diversos como Capicua, Carlos do Carmo, Ana Moura ou Camané, enquanto construiu, em paralelo, uma reputação internacional no turntablism, com vários títulos mundiais conquistados ao lado de DJ Ride, enquanto Beatbombers.

Produzido, composto e gravado integralmente por Stereossauro nas Caldas da Rainha, TRISTANA II consolida também a sua afirmação como letrista, num caminho iniciado em Bairro da Ponte (2019) e aprofundado nos discos seguintes. O álbum abre com “Feliciana”, uma espécie de manifesto que reintroduz a personagem — “o meu nome é Tristana, o meu destino é cantar” — e dá início a uma narrativa onde fantasia e realidade se cruzam com naturalidade. A apresentação ao vivo de TRISTANA II está marcada para 20 de Fevereiro, no Festival Impulso, nas Caldas da Rainha, prometendo transportar para o palco este novo e luminoso capítulo da obra de Stereossauro.

* fotografia de Sara Hawk

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