Os novos magos galeses Melin Melyn estrearam-se em grande estilo com Mill On The Hill, um álbum que leva a psicadélica country-pop a um novo patamar. Conceitual e imersivo, o disco transporta o ouvinte para a vila utópica de “Melin Village”, onde a música reina soberana e a alegria paira no ar.
Inspirando-se na sofisticação pop de Brian Wilson, na autenticidade galesa de Gruff Rhys e na vibração country-psicadélica de Gram Parsons, o álbum cria um universo sonoro coeso e cativante. O próprio nome da banda, Melin Melyn, significa “Moinho Amarelo” em galês, e o conceito do disco gira em torno deste moinho mágico no topo da colina, onde a música é gerada para encantar os habitantes da vila e todos os que se dispuserem a ouvir.
A energia primaveril de Mill On The Hill é contagiante. O álbum é uma verdadeira redoma de felicidade, com faixas como “Vitamin D”, que encapsula a sensação de um dia ensolarado em forma de som. Mas engana-se quem pensa que a banda se resume apenas à diversão descomprometida. Cada composição é meticulosamente trabalhada, equilibrando humor e habilidade técnica de forma magistral. Os Melin Melyn não têm medo de abraçar o lúdico, mas fazem-no sem cair na caricatura ou na previsibilidade.
Ao longo das faixas, há espaço para múltiplas facetas do talento da banda. Eles transitam com naturalidade entre o jangle-pop ensolarado de “Vitamin D”, os momentos prog-rock de “Fantastic Food” e a psicadélica vibrante de “Master Plan”. A teatralidade de “The Pigeon & The Golden Egg”, com sua vibe à la “Crocodile Rock”, e a energia de “Running On MT” reforçam ainda mais essa diversidade, sem nunca comprometer a coesão do álbum. E quando o ritmo desacelera, canções como “Derek” e “18-30” trazem um toque de melancolia e tradição, destacando a herança cultural galesa do grupo.
Mill On The Hill é, acima de tudo, uma experiência envolvente, como se estivéssemos a assistir a um episódio de um desenho animado reconfortante. A narrativa do álbum guia-nos por uma jornada divertida e imaginativa, deixando-nos com a sensação de que podemos simplesmente fechar os olhos e deixar-nos levar por esse universo sonoro tão peculiar e encantador. Num cenário musical muitas vezes dominado pelo peso e pela seriedade, os Melin Melyn mostram que há imenso valor na leveza bem-feita, e este álbum é a prova perfeita disso.