Mafalda Costa começou a traçar o seu caminho na música muito cedo, impulsionada pela necessidade vital de escrever para ser. Natural de Guimarães, a cantora, compositora e instrumentista estreou-se com apenas 17 anos sob o alter ego Mathilda, conquistando rapidamente a atenção do público e da crítica. Com uma sonoridade inicial ancorada na folk contemporânea e no indie pop, lançou em 2019 o aclamado álbum Changing Colours, distinguido pela revista BLITZ como um dos melhores discos portugueses desse ano. A esse reconhecimento seguiu-se uma intensa atividade ao vivo que a levou a palcos de referência, como o Festival Vodafone Paredes de Coura e a Casa da Música, além de digressões por quatro países.
Após um período de hiato e de transformação pessoal, a artista decidiu abandonar o pseudónimo e abraçar o seu nome de nascimento como identidade artística, dando início a uma nova fase em nome próprio. Este regresso começou a desenhar-se em 2023 com o tema eletrónico “In Your Name”, em colaboração com o produtor St. James Park, e consolidou-se em português com os singles “Não Há Nada” e “1 & 2”. Entre o abraço do vazio, o perdão e a afirmação do “não”, MAFALDA revela um espaço de escuta e renovação que antecipa a chegada do seu novo álbum de estreia, Gosto Muito de Estar Aqui, com lançamento agendado para 22 de outubro.
Neste momento de renascimento e maturidade criativa, MAFALDA aceitou o convite do Mente Cultural para partilhar o seu baú de inspirações. Num exclusivo para o site, a cantora vimaranense selecionou os 10 álbuns que são fundamentais no seu percurso e na definição do seu olhar sobre a canção.
* fotografia de Leonardo Sol
1. Daughter
If You Leave (2013)
Cresci com dois irmãos mais velhos. Melófilos, as bandas sonoras das suas vidas tiveram um grande impacto no meu percurso musical. À minha irmã devo a descoberta do Eddie Vedder, que despertou o meu interesse pelo folk. Os primeiros anos da minha adolescência soam a guitarras e vozes doces — e a Daughter. Foi ao som desta banda que comecei a cantar e, ainda hoje, ouço muito da Elena Tonra em mim.
2. Patrick Watson
Adventures in Your Own Backyard (2012)
Hoje, e para sempre, a minha maior influência. Estou infinitamente grata à Mafalda de 12 anos, que o descobriu através da colaboração com The Cinematic Orchestra. Desde então, devorei toda a sua discografia. O artista que mais me deve lágrimas.
3. Keaton Henson
Dear (2010)
Obrigada pela tua fragilidade, Keaton.
4. Big Thief
Masterpiece (2016)
Big Thief foi a minha adolescência. Quis ser a Adrienne Lenker — soar como ela, escrever como ela. Na verdade, acho que ainda quero.
5. Marika Hackman
We Slept at Last (2015)
Uma descoberta mais tardia: Marika Hackman. Com a sua entrada no leque de artistas que preenchiam a minha playlist, fui finalmente impedida de ser responsável pela música durante as viagens de carro, por entristecer toda a gente.
6. Lucy Dacus
Historian (2018)
No dia em que vi a Lucy no palco principal do Paredes de Coura, imaginei uma cena de filme em que ela pousava o olhar em mim e me deixava subir ao palco, para cantarmos juntas “Night Shift”, que cantei tantas vezes, demasiado alto, por todas as divisões da casa. O recinto ficou iluminado pelas lanternas dos telemóveis. Não aconteceu, mas continuo a adorá-la à distância.
7. You Can't Win, Charlie Brown
Chromatic (2011)
Um amor antigo — e a banda que mais vezes vi ao vivo. Serei para sempre fã da voz de manteiga do Afonso Cabral e dos sintetizadores de brincar.
8. Haley Heynderickx
I Need to Start a Garden (2018)
Quando for grande, quero tocar guitarra como a Haley. Foi um grande conforto encontrá-la quando ainda era a Mathilda, numa altura em que me sentia solitária como jovem cantautora.
9. Jeff Buckley
Grace (1994)
Não podia faltar o grande dos grandes, o homem que me roubou o coração póstumamente e que ainda namoro no além. Anseio ser uma letrista metade tão maravilhosa como foste.
10. Black Country, New Road
Ants From Up There (2022)
Por último, porque considero este disco um dos campeões do género de que faz parte — que nem me atrevo a definir — e que tenho vindo a consumir cada vez mais. E também para mostrar um pouco de variedade nesta playlist para corações sensíveis, não podia faltar um dos meus favoritos. Acho que no Isaac Wood ouço um pouco de tudo aquilo que ambiciono demonstrar: a fragilidade, a força, a tristeza e o poder com que canta e escreve.




