Edição: setembro 2025
Em Night People: How to Be a DJ in ’90s New York City, Mark Ronson recua a uma Nova Iorque pré-digital, crua e excessiva, onde ser DJ significava muito mais do que alinhar faixas certeiras. O livro funciona como um retrato pessoal e cultural de uma década em que a noite era território de aprendizagem, risco e descoberta, e em que as cabines de DJ serviam de pontos de encontro entre cenas, classes e obsessões musicais. Ronson escreve a partir da memória, mas também de uma cidade em constante combustão criativa.
Entre clubes, festas improvisadas e personagens maiores do que a vida, o autor descreve a sua formação enquanto DJ num ecossistema em que o gosto se construía no contacto directo, na tentativa e erro, na leitura da pista. Há hip-hop, house, funk, rock e ego, mas também insegurança, ambição e a consciência de estar sempre a aprender. Mais do que glorificar a década, Ronson capta a energia específica de um tempo em que a música circulava lentamente, exigia pesquisa e presença, e em que a identidade artística se forjava noite após noite.
Night People acaba por ser menos um manual e mais uma elegia a uma forma de viver a música que já não existe da mesma maneira. Sem cair na nostalgia fácil, o livro celebra a imperfeição, o improviso e a dimensão humana da cultura de DJ, lembrando que antes dos algoritmos e das métricas, havia corpos em movimento, escolhas arriscadas e cidades que ensinavam a ouvir.












