12 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #15/2026 – Em cima do Record Store Day (amanhã) são 12 as escolhas que fizemos para discos novos a conhecer com mais atenção.

M.I.A., M.I.7 (OhmniMusic)

Em M.I.7, M.I.A. entrega-nos a transformação mais radical da sua carreira ao juntar o fervor religioso com a sua eterna desconfiança pela vigilância estatal. O seu sétimo álbum é uma resposta industrial e eletrónica à música gospel, contando com a participação do Sunday Service Choir para elevar as suas bases experimentais. O disco foi gravado em sete locais globais e em apenas sete dias.


Nine Inch Nails & Boys Noize, Nine Inch Noize (The Null Corporation)

Os Nine Inch Nails juntaram-se ao produtor Boys Noize para uma colisão industrial desenhada para a pista de dança com o álbum Nine Inch Noize. O álbum é bem mais do que um projeto de remisturas, é uma mutação de identidade que arrasta o catálogo de Trent Reznor para um espaço de flashadas e batidas techno abrasivas.


Teen Suicide, Nude descending staircase headless

Os Teen Suicide, o projeto do norte-americano Sam Ray, apresenta o seu sétimo longa-duração, Nude Descending Staircase Headless. Sam atinge aqui um novo patamar de profissionalismo e colaboração, já que é o primeiro álbum escrito inteiramente em parceria com a sua esposa Kitty Ray. O disco funde o peso do rock dos anos 90 com temas de renascimento e perda.


Yaya Bey, Fidelity (Drink Sum Wtr)

A artista de Brooklyn Yaya Bey está de regresso com mais um disco. Fidelity explora o efémero através de uma fusão sofisticada de R&B, jazz e reggae. O disco reflete sobre a natureza transitória da vida e a necessidade de viver o luto fora do espetáculo público. Yaya Bey utiliza a sua voz sedosa para nos lembrar que, sendo a vida curta, a única saída é a entrega total ao presente.


Penny Arcade, Double Exposure

Double Exposure é o seu segundo álbum de estúdio de Penny Arcade (projeto a solo de James Hoare, ex-Ultimate Painting) que abraça a premência e o minimalismo. Ao contrário da estreia Backwater Collage, marcada por regravações exaustivas, este novo trabalho privilegia o som analógico de gravadores de fita, caixas de ritmos e órgãos vintage.


Jessie Ware, Superbloom

Jessie Ware consolida o seu estatuto como lenda viva da soul-pop moderna neste seu sexto registo, Superbloom. A artista londrina entrega um conjunto de canções vibrantes onde o romance e a exuberância ocupam o centro do palco. Ware desliza entre influências de Annie Lennox e Grace Jones, transformando o álbum num antídoto glorioso contra a escuridão e numa ode intemporal à celebração da alegria.


TOMORA, COME CLOSER (Fontana)

Os TOMORA, compotos por Tom Rowlands (The Chemical Brothers) e pela fenómeno norueguesa Aurora, estreiam-se com Come Closer, uma colisão eufórica entre o rave psicadélico e a pop mística. A dupla que tem presença garantida no NOS Alive 2026, apresenta um álbum que transcende colaborações passadas, e que as batidas industriais de Rowlands com a voz celestial de Aurora.


molto morbidi, Maybe Marcel (No Salad Records)

A francesa Molto Morbidi (pseudónimo de Swan Wisnia) está de volta com Maybe Marcel, onde constrói um universo no qual a new wave e a electronica sensível se fundem numa reconstrução pop. O álbum oscila entre melodias limpas e dissonâncias inquietantes que oferecem ao disco uma riqueza rara.


Arkells, Between Us

Os Arkells celebram a ligação humana num mundo dominado pelo digital. Com produção de John Congleton, Between Us atravessa géneros e décadas, desde o indie-pop com toques de disco em “What’s On Your Mind?” (com os Poolside) até ao rock político de “Money” (com os Portugal. The Man).


Fast Money Music, Fast Money Music (Nice Swan Records)

No seu álbum de estreia homónimo, Fast Money Music (projeto a solo do norte-americano Nick Hinman) funde o no wave, o proto-punk e a pop com uma energia crua e cosmopolita. Gravado em Londres com o produtor Mikko Gordon, o disco expande a paleta de sintetizadores já explorada nos seus EPs anteriores.


Foxtide, Entropy (Position Music)

Os Foxtide transcendem as raízes do surf rock para explorar um ambiente mais maduro e fundamentado neste novo disco Entropy. O álbum reflete a tendência dos sistemas para a desordem, como sugere o título e utiliza uma produção detalhada para mapear estados emocionais complexos, do tédio ao desgosto amoroso.


Natalie Wildgoose, Rural Hours EP

No seu novo EP Rural Hours, a cantautora Natalie Wildgoose mergulha no isolamento das Yorkshire Dales para criar um registo de alt-folk de intensidade algo contida. Influenciada pela literatura clássica grega e pelas cartas de Emily Dickinson, a artista utiliza arranjos para evocar paisagens áridas e silêncios profundos.

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