13 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #23/2026 – Esta sexta-feira apresenta novos discos para todos os gostos com nomes consolidados e também projetos emergentes que precisam de escutas eficazes.

Olivia Rodrigo, You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love (Geffen)

Olivia Rodrigo regressa com You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love, o seu terceiro álbum de estúdio. A artista trata aqui o amor como uma obsessão febril. O disco sai das entranhas para rejeitar o romance idílico, preferindo explorar o lado mais intenso, caótico e doentio das relações humanas.

Sublime, Until The Sun Explodes (Atlantic)

O ciclo completa-se, 30 anos depois com o regresso dos Sublime nas mãos de Jakob Nowell. O filho do falecido vocalista e carismático líder da banda, Brad, Nowell, pegou no projeto e este disco é a estreia desse legado comovente. O registo recupera a fusão destemida de punk rock, reggae, hip-hop e ska que definiu o grupo nos anos 90, e canaliza a energia crua e o espírito inconformista do coletivo original.

YHWH Nailgun, Magazine (4AD)

O quarteto nova-iorquino YHWH Nailgun apresenta Magazine, um segundo álbum controverso de apenas onze minutos. O grupo entrega uma experiência sónica bastante musculada numa fusão visceral de eletrónica, ruído industrial e poesia crua. É uma obra disruptiva que ataca o impacto imediato e a originalidade pura.

Joan As Police Woman, Real Life Evolution (Reveal Records)

Joan Wasser celebra o legado do seu projeto Joan As Police Woman com Real Life Evolution, um trabalho que reinventa as dez canções do seu aclamado álbum Real Life. O disco conta com novos colaboradores para expandir o espaço interior das composições originais e oferece duetos, grooves mais soltos e arranjos diferentes. É uma obra elegante e inteligente que realça a intemporalidade da sua escrita.

Fruit Bats, The Landfill

Fruit Bats, projeto de Eric D. Johnson está de volta com o lançamento de The Landfill, um disco gravado ao vivo em estúdio com dez canções e que usa a metáfora de um aterro para analisar memórias e experiências acumuladas. O disco é rico em arranjos Americana, e destaca-se pelo equilíbrio entre nostalgia e esperança no futuro.

Cream, Wheels Of Fire Super Deluxe Edition

Os Cream vêem o seu clássico de 1968 expandido em Wheels Of Fire Super Deluxe Edition. Esta reedição de cinco CDs traz cinquenta faixas adicionais, misturas alternativas e versões remasterizadas em mono e estéreo que trazem maior brilho aos originais. Um lançamento luxuoso, embora focado essencialmente nos colecionadores e devotos do lendário power trio.

Ruth Garbus, Profound (Ordinal)

Ruth Garbus apresenta Profound, um álbum gravado no estúdio caseiro de King Tuff, em Vermont. O registo destaca-se por incluir duas interpretações de composições de Gabriel Fauré, “Clair de Lune” e “Nocturne”, fruto da formação da artista com Junko Watanabe no Brattleboro Music Center. Após o lançamento de Alive People, a cantautora regressa aqui com a colaboração do trio Earth Flower, composto por Philippe Melanson e Sam Gendel, expandindo a sua sonoridade delicada e profundamente artística.

Paycheque, Paycheque (Millions and Millions)

O duo de synth-pop composto por Allison Goldfarb e Jackson MacIntosh estreia-se com o longa-duração homónimo Paycheque. O álbum retrata o quotidiano nas margens de uma Los Angeles pós-pandémica. Entre recursos limitados e noites longas, o registo move-se por uma forte melancolia e pelo desejo romântico que impulsiona a dupla.

Jon Spencer, Songs Of Personal Loss And Protest

Songs of Personal Loss and Protest é o novo trabalho de Jon Spencer, um disco gravado com Spider Bowman e Kendall Wind onde o músico canaliza um período de balanço espiritual e perdas pessoais para o seu habitat natural. O álbum equilibra a melancolia e o protesto político com a energia crua do blues e do rock rebelde.

Jesse Welles, Masks Off

Jesse Welles reúne no seu sexto álbum de estúdio, Masks Off, alguns dos seus maiores sucessos do YouTube e dos palcos. O disco de onze canções, produzido por Eddie Spear, preserva a urgência e o tom político que celebrizaram o músico na folk moderna. Welles atua como um observador perspicaz das realidades sociais, sem procurar uma revolução sonora mas que consolida a sua escrita crua e cativante.

La Securité, Bingo! (Bella Union and Mothland)

O coletivo de Montreal La Sécurité lança hoje Bingo!, um trabalho que aprofunda o art punk e a no wave do seu registo de estreia. As novas canções rejeitam os clichés do rock tradicional em prol de estruturas fragmentadas, polirritmias e diálogos desalinhados entre guitarras e sintetizadores. O quinteto caminha com destreza entre a tensão e o desapego, abordando temas que vão da saúde mental à afirmação feminina

MONO, Snowdrop

Os japoneses MONO regressam com Snowdrop, o seu décimo terceiro álbum de estúdio. Gravado após a morte do produtor Steve Albini, o quarteto de Tóquio trabalhou com Brad Wood para criar uma obra altamente emotiva. O disco usa a linguagem das flores para guiar o ouvinte através do luto e da aceitação. É um monumento de post-rock orquestral que transforma a dor profunda num caminho de esperança. E será apresentado em Lisboa e Porto em fevereiro.

Pussy Riot, CYKA

Após 14 anos de activismo puro, as Pussy Riot lança finalmente o seu álbum de estreia. Cyka, traz uma colaboração com os Avenged Sevenfold e aborda de forma crítica e pessoal a cultura da medicação e da dependência de fármacos. Mas a maior crítica, lá está, é ao regime russo num habitual tom provocatórioque desafia abertamente o poder político através do seu punk inconformista.

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