Greg Mendez – Beauty Land (2026)

Francisco Pereira

Crítica a 'Beauty Land', a impressionante estreia de Greg Mendez na Dead Oceans. Um álbum confessional, minimalista e profundamente comovente.

O cantautor Greg Mendez apresenta, há mais de quinze anos, canções tão desarmantes e expostas que chegamos a temer pela sua integridade física. Com o lançamento do seu novo trabalho Beauty Land, a sua muito aguardada estreia pela prestigiada editora Dead Oceans, o músico de Filadélfia não altera uma linha à sua abordagem artesanal. O álbum, que foi gravado de forma solitária no seu quarto, é uma ode delicada e de peito aberto à pequenez das coisas, capaz de viajar por distâncias emocionais gigantescas em espaços de tempo incrivelmente reduzidos.

Há aqui uma assustadora economia de recursos na escrita de Mendez. Por exemplo, em “Frog”, o músico precisa apenas de 73 segundos e de uma única frase sussurrada — “Please forgive me for my faults” — para desabar sobre o ouvinte com um peso devastador. O mesmo acontece na ensolarada mas assombrada “Sunsick”, onde o peso da culpa e da alienação humana é digerido em menos de dois minutos. Embora a produção caseira surja ligeiramente mais nítida do que nos seus registos anteriores, a essência mantém-se intacta.

É inevitável que o perfil de Mendez evoque o fantasma de Elliott Smith, uma ligação espiritual que o músico parece abraçar de forma consciente em Beauty Land. As dedilhadas acústicas em “Gentle Love” e “Looking Out Your Window” parecem engarrafar a mesma atmosfera densa e melancólica de Either/Or. Contudo, ao contrário do falecido mestre, cujas composições muitas vezes irradiavam uma raiva fria direcionada ao outro, as canções de Mendez transbordam de uma empatia profunda pelos que o rodeiam.

Essa crueza lírica atinge o seu pico em “Geranium”, uma das baladas mais avassaladoras do alinhamento. Nela, Mendez relata o telefonema de um amigo que recaiu após sair da clínica de reabilitação; uma conversa dolorosa sobre mentiras, desespero e a necessidade de vinte dólares, que termina com uma promessa tão provisória quanto devota: “I wouldn’t hang up / I couldn’t”.

Beauty Land camufla histórias de assaltos noturnos, reabilitações falhadas e perdas familiares em melodias doces e refrões em falsete. É um disco curto, mas que se entranha nos ossos, e confirma Greg Mendez como um tesouro escondido da música americana contemporânea.

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