O duo norte-americano Sylvan Esso, formado pelo casal Amelia Meath e Nick Sanborn, regressou com o seu quinto álbum de estúdio, Ow ∞ (lê-se “Ow Infinity”). O registo nasceu do impacto de perdas pessoais profundas (nomeadamente a morte repentina da amiga próxima Jessica) e de tempos de incerteza e mudança de vida. É uma obra marcada pelo luto e em como se aprende a aceitá-lo e habitá-lo sem a pressa de o ultrapassar sem dor e enquanto iniciam uma nova etapa editando de forma independente através da própria editora, Psychic Hotline.
Foi assim, dessa forma, que puderam gravar sem a pressão dos prazos e contando com a colaboração de vários músicos amigos, incluindo elementos dos Wilco, Wye Oak e Hippo Campus. O disco adota uma produção intencionalmente crua, minimalista e por vezes despida de grandes artefactos com colagens de indie-pop, garage rock e eletrónica. Assistimos a momentos, como a faixa de abertura “Entertainment & Coca Cola” e a comovente “Jessica”, que capturam o estado de choque e a névoa emocional do luto, recorrendo a uma irregularidade rítimica e vozes em tom quase de rascunho.
Ow ∞ pode ser o trabalho menos imediato da discografia dos Sylvan Esso, mas é sem dúvida o mais sincero e humano. Ao aliarem o peso do sofrimento a uma sensibilidade pop bem vincada, Meath e Sanborn assinam um retrato emotivo sobre a persistência de continuar a andar, provando que, no meio da inevitabilidade do caos, fazer e partilhar música continua a ser um dos atos de resistência mais terapêuticos.











