Entre Nick Cave, Twenty One Pilots e Alabama Shakes: assim começou em força o NOS Alive 2026.

Joana Merlini

Nick Cave, Twenty One Pilots, Alabama Shakes e até Keanu Reeves marcaram o primeiro dia do NOS Alive 2026. A crónica completa dos concertos em Algés.

Reportagem de Joana Merlini com Margarida Páscoa. Fotografias de Joana Merlini.

Mal Isaltino Morais abriu as portas, percebeu-se que ninguém queria perder um único minuto do primeiro dia de NOS Alive. Lá foi tudo a correr, de palco em palco, à procura da melhor música, da próxima descoberta e daqueles momentos que fazem deste festival muito mais do que uma sucessão de concertos.

Eram 16h30 quando S O N Y A se fez ouvir no Heineken Stage, com uns tons de Avril Lavigne, mas um bocadinho mais emo.

Num cartaz dominado por nomes de grande projeção internacional, a presença da S O N Y A representa uma aposta do NOS Alive em artistas emergentes que têm vindo a ganhar notoriedade no circuito alternativo europeu. Oriunda de Budapeste, a banda move-se entre o shoegaze, o dream pop e o rock alternativo, construindo um universo sonoro assente em guitarras densas, ambientes etéreos e uma escrita marcadamente introspectiva.

Os Deixa Rolá deram ontem um pezinho de dança a todos os que se encontravam no Palco Coreto e provaram que a animação não tem hora marcada. Conhecidos como “a banda tuga mais zuca do mundo”, o coletivo lisboeta mistura clássicos da música portuguesa e brasileira. Desta vez, brindaram-nos com “Vermelho”, de Fafá de Belém, e “Burguesinha”, do Seu Jorge, com uma energia contagiante, transformando o pequeno espaço do Coreto numa verdadeira academia de samba e sorrisos.

Chega o momento de Keanu Reeves, com o seu baixo sempre a marcar o beat da sua banda, Dogstar. O artista limitou-se a tocar, não cantou, mas o Heineken Stage estava cheio, tal era a curiosidade de ver o ator de Speed e Matrix numa faceta diferente. E não desapontou. Keanu estava descontraído, de barba comprida, e em palco brilhou ao ponto de, por momentos, nos esquecermos de que o Sr. Matrix é ator.

Alabama Shakes… abalaram mesmo o nosso core até à alma. Brittany Howard, com o seu crachá bem visível onde se lia “Ice Out”, encantou-nos logo nas primeiras notas de “Rise to the Sun”. O público aplaudiu e entrou imediatamente nesta onda de blues. A banda de Athens, Alabama, anunciou também o seu novo álbum, I Must Be Dreaming, que será lançado a 28 de agosto, pela Island Records, marcando o aguardado regresso da banda aos discos.

Uma das coisas mais marcantes deste concerto foi não ver telemóveis levantados a gravar constantemente. Em vez disso, via-se uma multidão, maioritariamente da geração millennials, simplesmente a viver e a desfrutar das músicas incríveis que os Alabama Shakes nos proporcionaram.

Os Duques do Precariado, compostos por Pedro Mendonça (voz e guitarra), João Fragoso (baixo e voz), João Neves (guitarra, viola braguesa e teclados), Hugo Oliveira (flautas, teclados e banjo) e Vítor Rodrigues (bateria), deram-nos dois dedos de conversa e muita animação. Num autêntico speed dating de entrevistas entre rádios e órgãos de comunicação social, reservaram uns minutos para o Mente Cultural.

João Fragoso e Pedro Mendonça, sempre bem-dispostos, falaram-nos da experiência de estarem no Alive antes de subirem ao palco.

Então, isto é mesmo muito grande. Eu nunca tinha vindo ao Alive e acho que nunca tinha vindo a um festival desta dimensão. Mas pronto, nós estamos aqui num canto pequenino onde nos sentimos bem e é isso. Chegámos aqui porque a Arruada nos convidou, porque acho que gostaram da nossa música e isso é fixe. É fixe tocar aqui num sítio onde passa muita gente que provavelmente nunca ouviu falar de nós. É fixe para mostrar a música à malta, que, no fundo, era esse o objetivo. Quando acabámos o disco pensámos: ‘Bora lá mostrar isto à malta.’” (João Fragoso)

(a entrevista completa aos Duques do Precariado aqui)

Nick Cave & The Bad Seeds abriram o espetáculo com a poderosa “Get Ready for Love”. O foco, o carisma e a entrega do músico australiano foram totais. Nas habituais interações teatrais e físicas com o público, junto à primeira fila e rodeado por um verdadeiro mar de braços, Nick Cave voltou a mostrar porque tantos dizem: “Deus no Céu e Nick Cave na Terra.” É uma frase que se ouve muitas vezes quando alguém pergunta quem é Nick Cave. Derrete corações por onde passa e, no NOS Alive, não foi exceção. Numa noite ventosa no Passeio Marítimo de Algés, o músico voltou a dar a sua “missa”, não podendo faltar temas familiares ao público geral como “O Children” e “Into my Arms” e com uma bonita passagem por “Wide Lovely Eyes” em homenagem à esposa Susie Cave, que se encontrava também no recinto.

Entre palcos e pessoas já a cambalear de cansaço, sentadas ou mesmo deitadas no chão, viam-se multidões a deslocarem-se para diferentes zonas do recinto. Desta vez, o destino era o duo Polo & Pan, formado por Paul Armand-Delille (“Polo”) e Alexandre Grynszpan (“Pan”). Subiram ao palco e comandaram o Palco WTF Clubbing com um set que fez até os mais cansados voltar a mexer ao som do beat deste duo francês.

Meia-noite e quinze. O duo cabeça de cartaz Twenty One Pilots sobe ao palco, calorosamente recebido pelos fiéis e dedicados fãs que por eles aguardavam desde o início das portas – como é costume em concertos da banda, os fãs vêm vestidos a rigor — t-shirts cobertas de fita-cola vermelha ou amarela, pescoços e mãos pintadas, ou qualquer adereço alusivo à longa carreira de Tyler Joseph e Josh Dun  —; o recinto estava completamente coberto e muitíssimo agitado, mesmo depois de um dia de espera, do sol abrasador à brisa fria da noite. Além de uma setlist cantada a mil vozes, a banda protagonizou também um dos momentos mais marcantes da noite ao convidar um dos seguranças do festival para subir ao palco e cantar com eles. Depois de uma complexa atuação com fogo, tochas, escalada e luzes despedem-se do público com a frase que sempre os define:

“We’re Twenty One Pilots and so are you. See you next time.”

Assim terminou a primeira noite no Palco NOS.

Hoje há mais. E nós vamos estar lá para contar tudo.

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