Edição: março 2026
Em Policing the Beats: Black Music, Racism and Criminal Injustice, o sociólogo Lambros Fatsis apresenta uma análise audaz e necessária sobre a forma como a música negra tem sido sistematicamente criminalizada pelas autoridades e pelo sistema judicial. Partindo da ascensão do UK Drill — um subgénero do rap que dominou as manchetes britânicas ao ser retratado como uma empresa criminosa em vez de uma forma de arte legítima —, Fatsis demonstra que esta perseguição não é um fenómeno isolado ou recente. O livro viaja até às raízes históricas para revelar que o policiamento da música negra é uma prática enraizada que remonta à era da escravatura colonial, servindo desde sempre como um instrumento para controlar e disciplinar corpos negros através das suas expressões culturais.
A obra destaca-se por ser o primeiro relato aprofundado sobre o policiamento da música na Grã-Bretanha, expondo os processos legais racistas que, de forma insidiosa, transformam “rimas em crimes”. Fatsis mergulha na complexa relação entre política, cultura e a (in)justiça criminal, argumentando que a interpretação de letras de músicas como provas de intenção criminosa em tribunal é uma extensão de preconceitos estruturais. Ao analisar géneros que precederam o Drill, o autor mostra como o Estado frequentemente ignora o valor artístico e o contexto social destas manifestações, optando por uma abordagem punitiva que silencia vozes marginalizadas e reforça estereótipos perigosos.
Escrito de forma original e acessível, Policing the Beats não se limita ao meio académico, e funciona como um convite urgente para que amantes da música, estudiosos e ativistas compreendam as engrenagens do racismo institucional. O livro serve como um manifesto contra a injustiça, apelando a uma mudança de perspetiva que reconheça a música não como uma ameaça à ordem pública, mas como uma ferramenta vital de resistência e identidade.











