10 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #29/2026 – Dia de novos álbuns e esta semana são editados os novos discos de The Strokes, Pete Yorn, WILLOW, Charli XCX ou Robyn Hitchcock. E há boas surpresas.

The Strokes, Reality Awaits (RCA/Cult Records)

Os The Strokes regressam com Reality Awaits, o seu sétimo álbum de estúdio e o primeiro em seis anos. O disco conta com produção de Rick Rubin e afasta-se da fórmula clássica de Is This It ao aproximar-se do espírito experimental e denso dos The Voidz. O disco, marcado pelo uso constante de AutoTune, ambientes a puxar pelo goth rock e letras de forte intervenção política e pessoal, revela-se um trabalho desafiante, imprevisível e de assimilação progressiva.

Cypress Hill, Dios Bendiga (HYBE)

Os icónicos do hip-hop Cypress Hill apresentam Dios Bendiga, o seu primeiro álbum inteiramente falado em espanhol e o primeiro projeto em mais de quatro anos. O novo disco celebra as raízes latinas dos norte-americanos B-Real e Sen Dog e vem afirmar-se como um hino de resistência, força e unidade. O trabalho faz a conexãoda herança cultural do grupo ao futuro do rap global.

WILLOW, The Thread

WILLOW edita hoje The Thread, o seu terceiro álbum consecutivo produzido em parceria com Chris Greatti. A norte-americana afasta-se de fórmulas batidas e abraça o arquétipo da Deusa Mãe, oferecendo um registo que transita entre o jazz-fusion, o rock alternativo e a pop experimental.

Alex Cameron, Late to Set (edição independente)

Alex Cameron regressa com Late to Set, o seu mais recente exercício de estilização pop dos anos 80. Ele encarna figuras decadentes, atores falhados e masculinidades tóxicas ao combinar humor negro com synths arrastados, leve percussão e guitarras diretas.

Mesh, No Fun At All (Feel It Records)

Os Mesh são uma banda de Filadélfia e estão de regresso com No Fun At All, um longa-duração de indie rock com influências do post-punk de bandas como The Clean ou Superchunk. O quarteto norte-americano vai alternando a liderança vocal entre Sims Hardin e Allison Durham e catapulta uma energia direta e contagiante. O resultado é vibrante.

Charli XCX, Music, Fashion, Film (Atlantic Records)

Dois anos após o fenómeno global de Brat, Charli XCX volta com Music, Fashion, Film. O álbum reúne 11 faixas de pop eletrónica mas com muita guitarra e vozes sintetizadas. Charli explora o escrutínio da fama, a atuação no cinema, as dinâmicas da moda e a vulnerabilidade do matrimónio, o que resulta num trabalho incisivo, cínico mas profundamente honesto sobre a exposição pública.

Cel Ray, Cel Rayzer (Exploding In Sound Records)

O quarteto de Chicago Cel Ray estreia-se nos longa-durações com Cel Rayzer, editado pela prestigiada Exploding In Sound Records. Liderado pela vocalista Maddie Daviss, o grupo aprimora a sua fórmula de post-punk absurdo e frenético, situando-se no espaço criativo entre The Minneapolis Uranium Club e The B-52’s. O registo entrega a coleção de canções mais afiada, ácida e contagiante da carreira da banda.

Robyn Hitchcock, The Confuser

O veterano Robyn Hitchcock lança The Confuser, o seu 25.º álbum a solo. O ex-vocalista dos The Soft Boys celebra mais de 5 décadas de carreira e entrega uma coleção muito interessante que cruza art rock, psicadelismo e a excentricidade surrealista herdada de Syd Barrett. O músico explora a mortalidade e a condição humana com o seu lirismo abstrato e filosófico do costume.

Pete Yorn, All The Beauty

Pete Yorn também está de regresso com All The Beauty, o que marca a sua terceira colaboração de estúdio com Jackson Phillips (Day Wave). Ao longo de 11 faixas, o disco aprofunda a síntese de rock alternativo e indie pop melódico já explorada em trabalhos anteriores. O registo foi produzido em conjunto pela dupla e destaca-se por arranjos discretos de guitarra e letras focadas na apreciação das pequenas belezas quotidianas. A ouvir com atenção.

Sam & Louise Sullivan, Love & Devotion

O duo de folk-rock composto pelos irmãos norte-americanos Sam e Louise Sullivan apresenta o seu longa-duração de estreia, Love & Devotion. A dupla de Filadélfia assina uma coleção de canções luminosas e descontraídas que abordam os altos, baixos e a simplicidade do amor. Se cruzássemos Fleetwood Mac com os Whitney era provavelmente isto que teríamos. A descoberta da semana.

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