16 álbuns para ouvir esta semana

Francisco Pereira

Week #22/2026 – Esta semana traz mais 16 bons álbuns selecionados como maiores destaques dos novos lançamentos musicais.

Death Cab For Cutie, I Built You A Tower (ANTI-)

Os Death Cab For Cutie estão de volta com I Built You A Tower, um dos seus trabalhos mais significantes e emotivos em anos. Ben Gibbard explora, ao longo de 11 faixas, os labirintos da memória, do desgosto e da aceitação. Entre o dinamismo ruidoso e a exaustão honesta, o grupo assina uma obra universal e íntima.


Lee “Scratch” Perry & Mouse On Mars, Spatial, No Problem (Domino)

O álbum póstumo Spatial, No Problem junta o lendário produtor jamaicano Lee “Scratch” Perry ao duo eletrónico alemão Mouse On Mars, resultando num trabalho surpreendentemente inventivo. O regista foi gravado originalmente em Berlim em 2019, e evita o habitual cinismo dos lançamentos póstomos graças ao trabalho minucioso da dupla, que moldou as sessões numa eletrónica abstrata e experimental.


Bedouine, Neon Summer Skin (Thirty Tigers)

A cantautora Azniv Korkejian regressa sob o seu pseudónimo Bedouine com Neon Summer Skin, o seu quarto álbum de estúdio e num ponto de viragem para a sua discografia. O disco, que nasceu de um período de quietude invulgar, afasta-se da folk mais tradicional para ir de encontro às baladas enevoadas ao piano. Com a coprodução de Gus Seyffert e a participação dos The Lemon Twigs, Korkejian explora memórias de infância, a herança familiar e a deslocação geográfica.


zzzahara, Distant Lands (Lex Records)

Inspirado pelo surrealismo de David Lynch e nascido de sonhos vívidos induzidos pelo magnésio, zzzahara apresenta Distant Lands, o seu quarto álbum de estúdio. O registo cruza a aceitação estoica do luto com reflexões cruas sobre a toxicodependência na juventude, tudo embalado por uma estética influenciada pelo cinema de Wong Kar-wai.


of Montreal, aethermead (Polyvinyl Record Co.)

Os of Montreal apresentam Aethermead, o vigésimo álbum de estúdio do projeto liderado por Kevin Barnes. O trabalho funciona como um recomeço estilístico necessário após o caótico Lady on the Cusp (2024). O álbum troca os excessos de experimentação por uma coesão e consistência já aguardadas há bastante tempo. A escrita de Barnes afasta-se da habitual opulência poética e do vocabulário rebuscado e privilegia uma abordagem lírica direta, vulnerável e pessoal.


Modest Mouse, An Eraser and a Maze (Glacial Place)

Coincidindo com o 30.º aniversário da sua estreia, os Modest Mouse lançam hoje An Eraser and a Maze, o primeiro longa-duração desde a morte do baterista cofundador Jeremiah Green. O peso do luto atravessa o registo, manifestando-se explicitamente na melancólica “Third Side of The Moon”, mas Isaac Brock mantém a sua capacidade única de camuflar a dor com um otimismo resiliente.


Widowspeak, Roses (Captured Tracks)

Os Widowspeak editam o seu sétimo álbum de estúdio, intitulado Roses. O núcleo composto por Molly Hamilton e Robert Earl Thomas apresenta um álbum profundamente influenciado pela chegada da sua primeira filha, injetando uma nova camada de doçura doméstica à sua identidade musical. O disco traduz-se numa delicada pop de contornos dream-pop e soft-rock, onde a cumplicidade de mais de quinze anos de carreira se renova em canções que celebram o quotidiano e o afeto.


Lakecia Benjamin, We Dream

A saxofonista e compositora norte-americana Lakecia Benjamin apresenta We Dream, o seu sexto álbum como líder e um manifesto de luz e consciência política para os tempos atuais. Expandindo a sua linguagem espiritualista para lá da influência dos Coltranes, a artista cruza o jazz contemporâneo com hip-hop, funk-fusion e R&B. O disco brilha pela impressionante lista de convidados: Terence Blanchard eleva “Beyond the Dawn”, Chief Xian aTunde Adjuah incendeia a latina “Mi Gente” e a pianista Hiromi energiza a vibrante “Flame Keeper”.


Big Special, O’Joy EP (SO Recordings)

Os Big Special lançaram um EP que mais valia ser um longa-duração já que chega com 10 temas. O trabalho funciona como uma peça complementar aos seus dois primeiros álbuns. Composto pelo vocalista Joe Hicklin e pelo baterista Callum Moloney, o registo reúne e reformula canções nascidas nas sessões de estúdio anteriores, mas que acabaram por ficar de fora para não desequilibrar o alinhamento dos discos.


Lizzo, Bitch (Atlantic)

Bitch é o novo álbum de Lizzo, um registo onde brilha ao trocar os hinos de amor-próprio por crónicas cruas de obsessão, despeito e vulnerabilidade. O álbum destaca-se pela honestidade com que aborda sentimentos desconfortáveis e triunfa ao abraçar as suas imperfeições, apresentando composições mordazes (e com bom humor) que trocam o espetáculo pela verdade factual.


Maria Luiza Jobim, Rosa no Céu (Das Duas)

A cantautora brasileira Maria Luiza Jobim lançou no início da semana Rosa no Céu, o seu terceiro álbum de estúdio. O disco conta com a produção de Marcelo Camelo e funciona como um diário de oito temas que exploram a leveza pop, ao cruzar as sonoridades clássicas brasileiras com elementos contemporâneos. Cantado em português e inglês, o registo estabelece uma ponte sobre o Atlântico e conta com as colaborações de Mallu Magalhães e do próprio Camelo, incluindo ainda uma reinterpretação de Serge Gainsbourg.


Deer Tick, Coin-O-Matic (ATO Records)

Os Deer Tick celebram duas décadas de carreira com Coin-O-Matic, um longa-duração de Americana puro, honesto e sem artifícios. Autoproduzido pela primeira vez, o disco inspira-se na mitologia local de Rhode Island para moldar canções que evocam o dinamismo rock de Bruce Springsteen.


Vince Staples, Cry Baby (Loma Vista)

Vince Staples surpreende com Cry Baby, um registo cru e arrojado que se assume como o seu primeiro esforço assumidamente rock. O rapper de Los Angeles afasta-se do hip-hop para unir os pontos entre o groove dos The White Stripes e a fusão dos Beastie Boys dos anos 90, ao recorrer a baixos distorcidos e a uma estética puramente punk. Staples adota uma postura abertamente política e direta, trocando o subtexto por fortes slogans sobre as falhas do sonho americano.


Slippers, Slippers 08 (Perennial)

Liderado por Madeline BB, o projeto Slippers apresenta Slippers 08, um verdadeiro tratado de pop orelhuda e efervescente. Dando continuidade ao espírito do registo anterior, Do You Like Slippers?, o novo álbum funciona como uma celebração absoluta da melodia, evocando uma versão crua e texturada da sensibilidade pop dos The Beatles. Madeline BB constrói canções irresistíveis que se colam à memória logo após as primeiras audições.


The Creem, A Taste Of Cherry (Manque Music)

Este duo norte-americano, The Creem, é composto por Mike Stroud (Ratatat) e Nick Thorburn (Islands). Hoje editam A Taste Of Cherry, uma autêntica viagem no tempo rumo ao ano de 1967. O projeto bebe diretamente da fonte psicadélica dos The Beatles e dos arranjos grandiosos da Electric Light Orchestra (ELO), destilando guitarras slide à George Harrison, violoncelos inspirados por George Martin e texturas de mellotron.


Les Big Byrd, Ruin Everything

Os suecos Les Big Byrd regressam com Ruin Everything, o já quinto álbum de estúdio. O quarteto de Estocolmo funde o krautrock e o rock psicadélico com uma forte sensibilidade pop, criando uma atmosfera distópica inspirada pelo colapso global. O trabalho foi gravado com equipamento analógico histórico e apresenta-se com influências que vão dos Stone Roses aos Velvet Underground.

Partilha

TAGS