Edição: Setembro 2026
Em Is This It: The Never-Ending Rise and Fall of the Strokes (and Rock ‘n’ Roll), o aclamado crítico de música Steven Hyden utiliza o icónico álbum de estreia dos The Strokes como o ponto de partida para uma análise profunda sobre o destino do rock no século XXI. Quando surgiu em 2001, Is This It foi recebido como a obra que iria “salvar” o rock das garras do nu-metal e da pop adolescente que dominavam as tabelas. Contudo, como Hyden observa de forma incisiva, isso não aconteceu. Apesar dos elogios unânimes e do estatuto de culto, o disco não conseguiu o impacto comercial massivo que Nevermind, dos Nirvana, alcançara uma década antes, e a banda nunca atingiu o público global vasto que se antecipava.
A tese central de Hyden foca-se no paradoxo da longevidade dos The Strokes: como é que uma banda definida por sucessivas “falhas” em alcançar o topo do mainstream conseguiu manter uma mística e um fascínio tão duradouros? Através de uma lente sociocultural, o autor examina a carreira do grupo nova-iorquino e compara-a com a dos seus contemporâneos, oferecendo retratos perspicazes de bandas como os The Killers — mais bem-sucedidos comercialmente, mas menos “cool” —, os Kings of Leon, vistos como a versão sulista dos Strokes, ou os The White Stripes, os seus grandes rivais e, para alguns, o grupo superior daquela era.
Ao utilizar Is This It como um veículo de exploração, Hyden analisa a mudança radical do papel do rock na cultura pop ao longo dos últimos vinte e cinco anos. O livro não é apenas a biografia de uma banda, mas um estudo sobre a evolução de um género que, embora tenha perdido a sua hegemonia no centro do palco mediático, recusa-se a desaparecer. A obra conclui que, tal como os próprios The Strokes, o rock pode viver num ciclo constante de ascensão e queda, mas possui uma natureza transcendente que garante que nunca morrerá verdadeiramente. É uma leitura essencial para compreender a última grande era de ouro das guitarras e a melancolia de um género que se tornou eterno precisamente pela sua incapacidade de ser novamente dominante.












