Gretel – Squish (2026)

Francisco Pereira

Crítica ao álbum de estreia de Gretel, "Squish", em como a artista superou as expectativas para criar algo que funde indie-rock gótico e vulnerabilidade.

O percurso de Maddy Haenlein até chegar a Squish, editado em 2026, foi tudo menos linear. Depois de ter surgido em 2021 sob o nome de Gretel Hänlyn e com o intrigante “Slugeye”, a artista viu-se rodeada de expectativas que quase a sufocaram.

Temendo perder a sua identidade antes mesmo de a consolidar, Maddy decidiu começar de novo. Simplificou o nome para apenas Gretel e descartou inclusivamente um álbum inteiro que tinha gravado com Mura Masa. Squish surge agora como um grito de libertação e uma afirmação de autoconfiança, capturando o espaço desajeitado entre o desejo juvenil e a necessidade de proteção.

O álbum é um mergulho numa espécie de nevoeiro gótico onde a luxúria e o luto se misturam de forma fascinante. A faixa-título define o tom logo no início — “All I want is to be squished by you” (Tudo o que quero é ser esmagada por ti) — uma frase que resume a dualidade do disco. Por um lado é simultaneamente romântico, por outro, é triste e ligeiramente perverso.

Gretel move-se com agilidade entre diferentes estados de espírito, desde a catarse explosiva de “Maybelline” até à acidez de “Witch Hunt”. Embora em momentos como “Darkness Be My Friend” se sintam influências óbvias de nomes como Lucy Dacus, o disco ganha uma força única quando ela se foca na sua própria visão sobre a transição para a idade adulta.

As canções revelam o coração esperançoso que bate no centro do caos de Squish. O álbum encerra com “The Perfect Body”, uma faixa que equilibra vulnerabilidade com desafio, e que prova que, após as dúvidas e os recomeços, Gretel encontrou finalmente a sua voz. É um disco pessoal, por vezes confuso, mas precisamente por isso, extremamente real.

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